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Walter Salles embarca no horror japonês na estréia em Hollywood

A referência é clara. Como “O Chamado” (2002), “O Grito” (2004) e “O Chamado 2” (2005), “Água Negra” (“Dark Water”) vem na onda da refilmagem do cinema de horror japonês –o “j-horror”. Desta vez, pelas mãos de Walter Salles, em sua estréia no mundo do cinemão hollywoodiano.

No filão do “j-horror”, o cineasta brasileiro, que figura apenas como diretor contratado, é o novato da turma. “Água Negra” –com estréia em 12 de agosto no Brasil– é a versão ocidental de “Honogurai Mizu No Soko Kara” (2002), filme de Hideo Nakata, que é diretor de “O Chamado 2” e assina o roteiro para Salles ao lado de Kôji Suzuki, também roteirista de “O Chamado” 1 e 2.

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Filme é suspense e drama
A produção conta a história de Dahlia (Jennifer Connelly), uma mãe recém-separada que se muda com sua filha Cecilia (Ariel Gade) para um apartamento barato e malcuidado. No andar de cima, uma história misteriosa esconde a causa sobrenatural das infiltrações de água escura no teto. O destino de uma pequena garota que viveu lá é a chave de tudo.

O filme estreou no início de julho em 2.657 salas nos Estados Unidos, ficando em quarto lugar nas bilheterias no primeiro fim de semana. Rendeu quase US$ 19 milhões nas duas primeiras semanas, o que é um recorde para um diretor brasileiro, mas menos do que o esperado para uma produção que nasceu para ser um “blockbuster”. Basta lembrar as bilheterias de “O Chamado” (US$ 39 mi), “O Grito” (US$ 70 mi) e “O Chamado 2” (US$ 58 mi) nos Estados Unidos.

Pode ser um sinal de arrefecimento do filão, pode ser o fato de “Água Negra” não ter tanta força como seus antecessores. Apesar do trabalho de divulgação do filme no Brasil tentar fugir estigma de “remake de horror japonês”, é impossível não comparar as produções.

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Dahlia (Jennifer Connelly) não acredita no relato da filha
Em “O Chamado” e “Água Negra”, temos duas garotinhas mortas, Samara (Daveigh Chase) e Natasha (Perla Haney-Jardine), com praticamente a mesma relação com a água, o mesmo cabelo comprido no rosto (falando em cabelo, temos ainda “O Grito”) e a mesma capacidade de atormentar os vivos (ok, a voz de Natasha é menos sussurrada e mais infantil).

Mas a produção de Salles, comparada a “O Chamado”, é um “horror light”, ainda que mantenha a mesma linha de terror psicológico: a adrenalina se mantém pelo que não é mostrado e pelo que está na iminência de acontecer. Mas, no caso de “Água Negra”, mal acontece. Assusta, mas nem tanto.

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Cecilia (Ariel Gade) passa a ter uma “amiga imaginária”
A trilha dramática por vezes força uma atmosfera de suspense que não se realiza na tela. Aos poucos, o desfecho vai esvaziando o clima de medo. O susto não vem. E o thriller, que em diversos momentos abre espaço ao drama, vai ganhando cada vez mais destaque, com a forte e terna relação entre mãe e filha. Vale prestar atenção na pequena Ariel Gade.

Depois de sua estréia no cinemão norte-americano, Salles volta ao contexto brasileiro. Seu próximo longa-metragem contará a história de quatro irmãos cujo sonho é ser jogador de futebol profissional. Deve se chamar “Linha de Passe” e utilizará uma mescla de técnicas de ficção e de documentário.

Salles também irá dirigir a versão cinematográfica de “On the Road”, livro clássico da geração beat escrito por Jack Kerouac. Os direitos da obra foram comprados por Francis Ford Coppola, que os liberou para Salles.

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