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Vacina norte-americana evita infecção por vírus de câncer

Uma vacina americana testada em vários países, inclusive no Brasil, conseguiu reduzir em 90% a incidência de infecção ou doença para quatro tipos de HPV (papilomavírus humano), patógeno causador de câncer de colo uterino em até 50 mil brasileiras todos os anos e de verrugas genitais em pessoas dos dois sexos.

A vacina, criada pela gigante farmacêutica Merck Sharp & Dohme, acaba de passar pela segunda fase de testes clínicos. Os resultados foram publicados on-line na revista médica “Lancet Oncology”.

O experimento contou com 552 mulheres entre 16 e 23 anos nos EUA, na Europa e no Brasil (no país, quem liderou os testes foi o IBCC, Instituto Brasileiro de Controle do Câncer, que acompanhou 128 pacientes). De todas elas, 277 receberam a vacina, e 275, placebo (substância inócua).

Injeções foram ministradas no primeiro dia, dois e seis meses depois. Em seguida, as mulheres continuaram tendo acompanhamento médico. Ao final de três anos, quatro mulheres que haviam tomado a vacina tiveram uma infecção persistente pelo vírus. No grupo das que tomaram placebo, o número foi de 36.

No caso de doenças causadas pelos vírus (como verrugas ou lesões precursoras de câncer), o número é ainda mais impressionante. Entre as que tomaram placebo, houve seis ocorrências. No grupo protegido, caiu a zero.

“É uma taxa de proteção de 90% para infecções persistentes e de 100% para doença causada pelos vírus”, diz Luisa Villa, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, em São Paulo. Ela liderou a equipe que realizou o estudo.

O HPV é um vírus com muitas faces –na verdade há diferentes versões dele, cada uma com um grau de risco próprio.

A vacina agora testada é a mais ampla de todas, voltada para a prevenção de quatro cepas, denominadas HPV-6, 11, 16 e 18. As duas primeiras estão ligadas a 90% das ocorrências de verrugas genitais, e as outras têm conexão com 70% dos casos de câncer do colo uterino.

A vacina consiste em partículas parecidas com o vírus, feitas de uma substância que normalmente compõe o seu invólucro. Ao serem injetadas no organismo, elas “enganam” o sistema de defesa do corpo e o estimulam a produzir anticorpos, mesmo sem haver real perigo de uma infecção. Quando a pessoa é infectada pelo vírus real, suas defesas já estão “armadas” para contra-atacar.

Em princípio, a imunização da Merck foi testada como método preventivo de combate ao HPV. “Mas pretendemos depois verificar se ela também pode ser usada de forma terapêutica, para tratar pessoas já infectadas, o que seria muito interessante”, diz Villa.

É a terceira vacina já desenvolvida contra essa classe de vírus. Uma primeira protegia apenas contra o HPV-16 e teve resultados positivos, levando a esforços paralelos pelas gigantes Merck e Glaxo SmithKline. A vacina da Glaxo, que teve alguns resultados apresentados no ano passado, protege contra dois tipos de HPV.

“A vacina da Merck é a que está mais adiantada”, diz Villa. “Já estamos há um ano e meio realizando os testes de fase 3 [os últimos antes de a droga ir ao mercado], com cerca de 25 mil mulheres.”

A expectativa é que os primeiros resultados desse grande estudo saiam no fim deste ano, e a Merck tem por objetivo obter licença nos EUA para comercializar a vacina em meados de 2006. A concorrente da Glaxo deve chegar em 2007.

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Gazeta Admininstrator
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