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Turismo sexual sem disfarce

Uma das primeiras iniciativas anunciadas pelo primeiro governo Lula, anunciava um “feroz e insistente” combate à prostituição infantil e ao turismo sexual no Brasil. Justiça se lhe faça, o governo brasileiro realizou, entre 2003 e 2004 seguidos e consistentes atos de combate a essa “praga” que cresce de forma incontrolável, alimentada pela ignorância, fome e desemprego e paralelamente está dizimando o que resta de imagem positiva do Brasil no exterior.
O Turismo Sexual é uma das mais antigas vertentes do turismo no mundo. Ele existe e é entendido como tal há mais de 60 anos. Cuba foi, durante anos, o “paraíso sexual” para as solitárias senhoras de meia-idade dos Estados Unidos.
Antes da explosão da Aids, o Haiti era uma destinação “turística” favorita para os gays norte-americanos.
Durante décadas a Tailândia era conhecida e até propagandeada como o “paraíso sexual da Ásia”, onde tudo era permitido e possível, inclusive a possibilidade de encontros com meninas prostitutas “profissionais” de até 12 anos de idade. Em alguns casos, até menos.
Já o Brasil, não. Durante todo esse tempo a imagem “sensual” do povo brasileiro era um adereço coadjuvante na venda do nosso produto turístico. Muito mais à frente estavam nossas incríveis belezas naturais, nossa diversidade cultural, nossa alegria (o Carnaval) e nossa hospitalidade.
Até que, a partir dos anos 80, com o decréscimo contínuo da captação dos turistas do chamado “padrão habitual”, passou-se a “vender” as facilidades sexuais do Brasil como um “atrativo extra”.
De “atrativo extra” esse apelo se tornou, já nos anos 90, em principal “tempêro” para atrair milhares de visitantes muito mais interessados nos encontros amorosos com moças e rapazes do Brasil, do que propriamente com as belezas naturais e mosaico cultural do país.
O Rio foi e segue sendo a principal “cara” desse turismo, mas está longe de ser o único destino dos “turistas sexuais”.
Foi o Nordeste do Brasil quem mais expandiu seu potencial de captação de turismo internacional. Foi também alí onde surgiu uma indústria de turismo sexual, que se notabiliza entre Recife e Fortaleza, fazendo com que o mais alto percentual de visitantes estrangeiros (em sua maioria europeus) que visitam as capitais nordestinas, seja de homens de meia idade, desacompanhados e ávidos por aventuras amorosas.
Não existiria nada de “anormal” nesse tipo de turismo, dizem alguns. É fato que o aspecto sexual, inerente a todo ser humano, está permanentemente presente onde quer que existam dois seres humanos num mesmo espaço. Mas o que não se pode conceber ou aceitar em nenhuma hipótese é o florescimento de uma indústria tão nociva e destruidora quanto o tráfico de drogas, que é a indústria de prostituição infantil.
Eu mesmo presenciei, quando estive vivendo entre Natal e Miami, no final dos anos 90, cenas chocantes em Recife, João Pessoa e Natal. Tendo duas filhas e uma delas à epoca com apenas 8 anos, fiquei estarrecido em testemunhar meninas com pouco mais idade do que minha própria filha, se oferecendo em lugares públicos por “5 Reais”. Crianças que deveriam estar, naquela hora, nas escolas públicas, buscando uma chance de sair de uma vida miserável e sem futuro.
Denúncias recentes dão conta de que os “pacotes turísticos sexuais” se tornaram uma prática comum e declarada. Essa atividade criminosa começa a ser tratada como “conseqüência natural do estado de espírito do Brasil”.
O “fenômeno” já atingiu estágios alarmantes. Já não se prostituem apenas as mulheres e rapazes de origem humilde ou desempregados. Como se sabe, a prostituição pode ser um veículo para lucro grande e extremamente rápido, especialmente para quem encarar a “profissão” de uma forma disciplinada. Portanto, a quantidade de jovens de classe média nas grandes cidades do país, que se “dedicam” a atender a demanda do turismo sexual é cada vez maior.
O pior é que muito pouco se pode fazer com relação a isso. Pelo caráter privado dos interesses de cada turista em sua visita ao Brasil, fica impossível policiar eficazmente os passos de milhares de visitantes e milhares de “alvos” que os esperam.
Faz com que se pense mais e mais na importância de trabalharmos pela imagem positiva do Brasil e por tudo de bom que continuamos tendo para oferecer e de que nos orgulhar diante do mundo.
E que ninguém venha a culpar e chamar de “predadores” aqueles que vão a nosso país com o único propósito de obter sexo de forma garantida e farta. Esses são os menores culpados. Culpa mesmo tem essa nossa incrível falta de capacidade de nos levarmos a sério e construirmos uma sociedade economicamente justa.
A prostituição não é um traço comum e muito menos “normal” na genética do brasileiro. Creio que na genética de povo nenhum. A prostituição é sempre uma conseqüência de enormes desequilíbrios, sejam pessoais, sejam sociais.
No nosso caso, quando a prostituição se torna um produto de exportação, entramos perigosamente numa área em que o estado de corrupção e falta de bons exemplos no país, serve para explicar todas as mazelas que nos atingem.

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Gazeta Admininstrator
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