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Tom Cruise enfrenta alienígenas sedentos de sangue em 'Guerra dos mundos'

A visão otimista de visitantes de outros planetas retratada por Steven Spielberg em “E.T.” (1982) e “Contatos imediatos do Terceiro grau” (1977) é coisa do passado. “Guerra dos mundos”, que tem estréia mundial esta quarta-feira, pega pesado na adaptação da obra de H.G. Wells, publicada em 1898, uma história de violência e suspense de mexer com os nervos do espectador, que sente nas veias o desespero do personagem de Tom Cruise, Ray Ferrier, reduzido a um animal acuado por forças muito superiores, agindo por instinto em defesa própria e dos filhos, o adolescente Robbie (Justin Chatwin) e a pequena Rachel (Dakota Fanning).

Os invasores promovem uma carnificina e usam o sangue humano como matéria prima. Máquinas de extermínio chamadas Trípodes vaporizam os que não capturam para drenar o sangue em grandes máquinas sanitizadoras. Milhares destas engenhocas estavam enterradas no planeta desde tempos imemoriais até que, num dia qualquer de um subúrbio idem de Nova Jersey, gigantescos raios transportadores furam o chão levando tripulantes alienígenas, bem parecidos com os de “Independence day”, para começar a invasão.

Spielberg só não explica porque uma civilização avançada ia se dar ao trabalho de invadir um planeta miserável que está sendo destruído a toque de caixa por uma espécie predadora (nós). Tudo bem que são vampiros e o sangue humano uma mercadoria sedutora, mas, num universo infinito, não haveria presas mais suculentas?

Em entrevistas, Spielberg tem ligado o pavor no filme com os atentados de 11 de setembro de 2001. Quando os ataques começam, muitos perguntam no longa se são os terroristas. Sob este ângulo, “Guerra dos mundos” é um presentão para o presidente George Bush, que não faz outra coisa senão aterrorizar os americanos desde o 11 de setembro com a ameaça terrorista, usada como desculpa para invadir o Iraque e levar o orçamento militar de volta aos níveis da guerra fria.

Numa entrevista no Japão, Spielberg afirmou que o filme “tem um lugar na sociedade na sombra do 11 de setembro”. Ele lembrou que a versão radiofônica do lendário ator Orson Welles em 1938, que criou pânico público, aconteceu quando o mundo temia a ameaça nazista e a primeiro versão cinematográfica de “Guerra dos mundos” de 1953, quando a guerra fria estava em vigor. Nos anos 50 havia treinamento contra um ataque atômico da União Soviética nas escolas e houve a famosa caça às bruxas do Machartismo. Bush está aplicando uma cartilha antiga, agora com uma mãozinha de Steven Spielberg.

Tom Cruise ressaltou em entrevistas que este é o ”maior filme pequeno” feito por ele e por Spielberg. “É um épico e também uma história muito particular sobre uma família. Um filme que dedicamos aos nossos filhos. Acho que representa o que os pais sentem e até onde iriam por seus filhos”, disse ele, numa referência ao enfoque não ser militar, mas do ponto de vista de civis em desespero.

O Ray Ferrier de Tom é um cara divorciado que trabalha nas docas descarregando contêineres, totalmente alienado dos filhos. Quando os recebe para o final de semana das mãos da ex, Mary Ann (Miranda Otto), trata mal os dois, Robbie e Rachel, e recebe o desprezo agressivo dele e a condescendência dela. Logo fatos estranhos começam a acontecer, um céu escuro e carregado, um vento estranho que sopra na direção da tempestade e muitos raios.

Pavor total, Ray sai à rua, com a curiosidade superando o medo, até chegar a um buraco na rua aberto por um dos raios. De repente o chão começa a rachar como num terremoto diante de dezenas de pessoas, numa seqüência muito bem construída de efeitos especiais, um dos 500 do longa, até que emerge o Trípode, uma máquina enorme sobre três pernas flexíveis, inspirada em artefatos do império da primeira série de “Guerra nas estrelas”.

O monstrengo se equilibra, acende umas luzes e começa a atirar, vaporizando as pessoas e deixando apenas as roupas. Apavorado, Ray vai para casa pegar os filhos e inicia uma fuga que se estenderá por todo o filme de 116 minutos. Cruise, Dakota e Justin, os três principais, têm uma atuação convincente. Brilha igualmente Tim Robbins em participação especial. A bela Miranda Otto tem presença discreta, bem diferente de ”Senhor dos anéis: O retorno do rei”, quando encarnou Eowyn.

Outro medalhão, Morgan Freeman, participa apenas como narrador do prólogo e do epílogo, em textos adaptados do original de H.G. Wells. Spielberg aplica doses convincentes de suspense até o desfecho final, igual ao do livro, com os invasores destruídos por criaturas que também são as maiores inimigas do homem, mas, no caso, foram suas salvadoras. Saiba tudo num cinema perto (ou longe) de você.

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