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Série especial sobre agrotóxico – Especial 3

Especial 3 – Pequenos agricultores sofrem com pulverizações sem controle de agrotóxicos.

No município de Lucas do Rio Verde, no Mato Grosso, existe um cinturão em torno da cidade ocupado por pequenos produtores de hortaliças, chamados de “chacareiros”. São mais de 100 produtores filiados à Associação dos Chacareiros. Cerca de 40 deles estão em propriedades que circudam a cidade.

Segundo o presidente da associação, Celito Trevisan, todos os membros foram convocados para registrar as perdas que tiveram em decorrência da cidade ter sido pulverizada por uma nuvem de agrotóxicos trazida pelos ventos – a “pulverização por deriva”, como eles chamam. Até o momento, 14 pequenos produtores registraram prejuízos da ordem de R$ 100 mil.

Celito explica que o prejuízo e o número de atingidos certamente foi bem maior, mas que “as pessoas não denunciam porque têm medo das represálias”. Segundo o especialista em saúde pública, o veneno pulverizado é aplicado por aeronaves agrícolas sobre as plantações de soja. O chacareiro Ivo Casonato, por exemplo, conta que nos últimos quatro anos teve prejuízos com as aplicações de agrotóxicos pelo vizinho. Segundo ele, no ano passado, perdeu quase toda a produção de 45 mil pés de tomate, além de um melancial e limoeiros que já estavam produzindo.

O agricultor, que não utiliza veneno em sua produção, chegou a processar o vizinho pelas perdas com o agrotóxico. A equipe de reportagem não conseguiu localizar o proprietário das terras para comentar o fato. Casonato afirma que ele costuma utilizar o dessecante para soja, como o que parece ter caído sobre Lucas do Rio Verde. “Seu Ivo” explica que esse dessecante é utilizado para apressar a colheita, uma vez que o tempo está chuvoso e a soja precisa ser colhida rapidamente para plantarem a segunda lavoura do ano: o milho da safrinha, por exemplo.

“O avião faz o balão aqui em cima”, mostra seu Ivo, apontando para o céu e descrevendo com o dedo indicador a rota percorrida pela aeronave. “Ele gira em torno desse pé de jatobá e vai rasante sobre a minha lavoura – ele podia manobrar esse avião lá pelo lado de lado de lá”, descreve.

Sergio Miller também é chacareiro. Tem uma pequena propriedade de poço mais de quatro hectares, na direção oposta à da chácara de “Seu Ivo”. Ele produz principalmente verduras de folha: alface, rúcula, couve, cebolinha e outros temperos verdes e rabanetes. Ele se orgulha de não usar agrotóxicos. “As verduras e os legumes podem não ser tão bonitos, lisinhos, mas quem consome tem a certeza de que não vai fazer mal a saúde. Nem tudo que brilha é ouro”, afirma.

Sergio perdeu toda sua produção de hortaliças devido ao veneno pulverizado sobre a cidade e pediu aos clientes “que tivessem paciência, que logo teria verduras de novo”. Segundo ele, “toda essa produção que estava plantada , principalmente as folhas, a gente jogou fora”.

Agência Brasil

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