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Português ou inglês: de quem são os “copirraites”?

copyright-389901_640“O motobói saiu do estande agora para entregar a roupa de náilon ao cliente. E não se esqueça de que o presidente dessa empresa tem o copirraite das peças.”
Motobói? Estande? Náilon? Copirraite? Que grafias são essas?

Será que você, brasileiro que mora nos EUA, conhece a grafia na qual as palavras acima foram escritas? Será que é um erro ortográfico e que devemos escrever as palavras citadas de acordo com a grafia do inglês?

Pensando em idiomas falados em todo o mundo, não há dúvidas: o inglês é a língua estrangeira da qual o português, atualmente, mais importa palavras.

Algumas são mantidas com a grafia original; outras são aportuguesadas. Ainda há casos de invenções. Isso mesmo: invenções. Você sabia que a palavra motoboy não existe no Inglês?

Essa palavra é formada pela junção de moto (motocicleta) com “boy” (garoto). O que existe mesmo em inglês é “office boy”, o garoto, contínuo, que trabalha em um escritório. Nós, brasileiros, pegamos “office boy” e, por analogia, formamos “motoboy”. Mas, mesmo assim, houve o aportuguesamento para motobói.

O termo em inglês (motoboy) ainda é preservado, mas os principais dicionários recomendam o uso da versão aportuguesada (motobói). Inclusive, no texto que traz o significado do vocábulo, o dicionário Houaiss afirma que a palavra “motoboy” foi forjada no Brasil.

Acompanhe outra “invenção”. A palavra “outdoor”, em inglês, quer dizer externo. Aquele grande cartaz de rua com anúncios é chamado, em inglês, de “billboard”. Aqui no Brasil, a gente fez uma adaptação. Pegamos o vocábulo outdoor para designar os cartazes de rua que fazem uma divulgação externa.

No entanto, há também alguns termos que não foram inventados. Veja algumas palavras que foram aportuguesadas do inglês. Será que você conhece todas? A maioria já foi aceita pelo uso popular. Já outras…

check-up – checape;
copy-desk – copidesque;
copyright – copirraite;
knockout – nocaute;
layout – leiaute;
nylon – náilon;
pic-nic – piquenique;
poker – pôquer;
shampoo – xampu;
sheik – xeque;
stand: estande;
whisky – uísque.

Vale lembrar que outras palavras mantiveram a grafia em inglês, pois o aportuguesamento deixava a palavra absolutamente estranha aos olhos. Veja só as palavras que NÃO FORAM aportuguesadas:

know-how – “nourrau”;
show – “xou”;
slogan – “eslogã”;
weekend – “uíquend”.

Com esses exemplos fica evidenciado: o uso cotidiano de um idioma é o que determina se a palavra será colocada, ou não, no dicionário. E você: o que acha? Quais das palavras usadas no texto de hoje você usa na forma inglesa? E quais você usa na forma aportuguesada?

Em sua vida nos EUA você aprendeu mais a usar o inglês no lugar do português, ou ainda prefere aportuguesar? Veja o exemplo abaixo e pense sobre a questão.

“Precisamos fazer um checape. Tomamos muito uisque no weekend. Não temos know-how pra isso. Quando percebi, fui a nocaute!”

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese. Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
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