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Patroa no Brasil, empregada no exterior.

A imigração de milhares de pessoas da classe média cria no exterior um fenônemo incomum no Brasil: numa inversão de papéis, patroas viram empregadas.

A paulistana Márcia Okada, de 42 anos, é uma delas. Tinha uma loja de confecção e era dona de um posto de gasolina no Brasil. Contava com a ajuda de uma empregada e de uma faxineira a cada 15 dias.

Em 2001, ela se mudou com o marido e os três filhos para o Japão.

Depois de um período enfrentando a pesada rotina em fábricas – onde trabalha a maioria dos brasileiros no país –, Márcia entrou em depressão e acabou optando por ser diarista.

Na nova profissão, que considera mais fácil e prazeirosa, foi alvo de preconceito de colegas e da família.

“Quando contei aos meus filhos que ia fazer faxina, eles disseram: mãe, você está louca de trabalhar como faxineira.”

Mais valor

Fazendo o mesmo serviço que sua empregada fazia no Brasil, ela disse dar hoje mais valor à profissão.

“Eu vejo, agora, como é difícil você limpar isso e aquilo e ninguém reconhecer o seu trabalho.”

Suely de Jesus Teixeira D’Ávila, que trabalha hoje como faxineira em Londres, também passou de patroa a empregada.

Segundo ela, a relação de trabalho na Grã-Bretanha é mais distante, porém há mais confiança no empregado.

“No Brasil, quando o empregado chega, você procura deixar o que comer, ou ele janta com você. Aqui, você tem de levar seu lanche e sua água”, disse.

“Por outro lado, eles tratam o empregado com muita educação e têm confiança em você. Quando termina a faxina, você pega um envelope com o dinheiro, fecha a casa, liga o alarme e vai embora”, acrescentou.

Há sete anos na Grã-Bretanha, Suely contou ter ouvido que a vida de patroa está mais difícil no Brasil.

“Hoje, eu ouço dizer que está muito difícil porque por qualquer coisa estão te levando para a Justiça”, afirma Suely.

Fernanda Pinoti, de 34 anos, é outro exemplo do fenômeno. Era decoradora e tinha empregada no Brasil. Hoje, trabalha como babá em Londres.

“Como a gente tem muita mão de obra no Brasil, a gente acaba pagando muito menos”, afirma Fernanda, que vê a profissão como temporária, até que aprenda inglês e consiga algo que considere melhor.

Nicho brasileiro

Pesquisas feitas, principalmente, nos Estados Unidos servem de termômetro da importância do trabalho doméstico para imigrantes brasileiros.

Uma delas é da antropóloga Maxine Margolis, professora da Universidade da Flórida e autora de dois livros sobre imigração brasileira nos Estados Unidos. Ela fez, na década de 90, uma pesquisa com brasileiras em Nova York que apontou que 80% das entrevistadas trabalhavam na área.

“Não acredito que essa proporção tenha mudado muito. É a principal ocupação da brasileira nos Estados Unidos, principalmente da que acabou de chegar”, disse a antropóloga à BBC Brasil.

Se a estimativa continuar válida, existem hoje, nos Estados Unidos, mais de 100 mil faxineiras brasileiras.

“A maioria vem da classe média e, portanto, provavelmente, tinha algum tipo de empregado doméstico no Brasil”, acrescentou.

Status X renda

O pesquisador Wilson Fusco, doutor em demografia do Núcleo de Estudos de População da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que, ao mesmo tempo em que esses trabalhadores regridem em relação ao nível de ocupação que tinham no Brasil, sua renda aumenta.

“No início, pensam em apenas trabalhar e juntar dinheiro para voltar ao Brasil. Com o tempo, mudam de idéia e acabam construindo sua vida por lá”, afirma Fusco.

Fusco analisou imigrantes brasileiros nos Estados Unidos vindos de Governador Valadares (MG), em 1997, e de Criciúma (SC), em 2001.

Das 142 mulheres da cidade mineira entrevistadas, 53% foram para os Estados Unidos trabalhar em atividades domésticas. Em relação aos 257 homens, esse percentual cai para 12%.

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Gazeta Admininstrator
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