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O vida de milhões & o jogo político

Infelizmente o entusiasmo e a onda de esperança que invadiu os corações da imensa legião de imigrantes indocumentados vivendo nos Estados Unidos, sofreu uma derrota, não definitiva, é claro, mas das mais incômodas, diante das declarações do Presidente Bush dando conta de que a legalização em massa não ocorrerá este ano. No próximo, quem sabe.

Eu poderia gastar papel e tinta neste editorial, fazendo “proselitismo” e culpando a insensibilidade dos parlamentares da direita norte-americana.
Estes senhores e senhoras, mesmo morrendo de saber que estão usando argumentos mentirosos e manipulados, bloqueiam a passagem da legalização em massa dos indocumentados pura e simplesmente por estratégia política.

O sentimento em geral contra o imigrante é resultado de uma horrenda campanha de medo e insegurança, que vai desde a falsa alegação de que a mão-de-obra imigrante “rouba” os empregos dos norte-americanos até a insinuação de que os índices de violência e criminalidade crescem nas áreas onde há mais indocumentados.

Mas esse não vai ser o meu foco.

Uma das maiores e mais importantes lições que nos dá a complexa e dúbia sociedade norte-americana é consciência de que, sem representatividade política, nenhum grupo consegue absolutamente nada neste país e desconfio que em nenhuma sociedade democrática e civilizada.

Até que, em alguns aspectos, a luta pela legalização dos indocumentados demonstrou, este ano de 2006 principalmente, um grau surpreendente de organização e certo grau – ainda tímido e em muitos aspectos equivocado – de representatividade. Se as primeiras passeatas foram contra-producentes, com um número bem maior de bandeiras mexicanas do que norte-americanas sendo carregadas pelos que protestavam, as mais recentes corrigiram essa brutal falha de marketing. Mas as passeatas existiram e em alguns lugares – descontando os exageros absurdos da mídia comprometida com a causa – contaram-se em centenas de milhares, os participantes.

Importantes figuras da política norte-americana, como o Senador Edward Kennedy, campeão histórico da causa dos imigrantes, nunca arredaram pé da defesa de uma legalização ampla, geral e quase irrestrita. Uma meia dúzia de parlamentares nesse nível de celebridade e prestígio, se mantiveram leais à causa. Mas a esmagadora maioria dos que um dia se manifestaram a favor da legalização em massa, ou estão literalmente “em cima do muro” ou simplesmente não se manifestam mais a respeito.

Pior que isso, se tornou comum ver comissionários, representantes e senadores, eleitos com forte apoio da minoria latina, com base em seu pretenso compromisso com a defesa da legalização, mudando cínicamente seus discursos após serem eleitos.

Para que não venhamos a sofrer adiamentos eternos da legalização, o que podemos fazer é nos unirmos às vozes e aos organismos que defendem incansávelmente essa mesma legalização.

A comunidade brasileira, antes tão insignificante no processo político do Sul da Flórida, começa a ser cortejada, ou pelo menos “lembrada” por políticos em disputa por cargos nas próximas eleições norte-americanas. Lideranças de nossa comunidade tem sido “convidadas” a apoiar alguns desses candidatos. Ótimo. É um excelente sinal.

Mas para ter algum sentido, além da infantil sensação de se sentir “valorizado”, é fundamental que essa aproximação se dê diante de um compromisso mínimo, que é a luta pela legalização em massa. Se não temos ainda votos e nem cacife político para exigirmos mais compromissos, que esse seja o básico, primordial.

Porque é do máximo interesse de nossa comunidade ver o maior número possível de brasileiros legalizados. São brasileiros que abandonarão a trágica situação de insegurança e transitoriedade. O aumento da população brasileira residente legal nos Estados Unidos é a mais importante de todas as batalhas de nossa comunidade e nosso apoio, seja de que tamanho for, tem que ser negociado com base no compromisso da luta pela legalização dos indocumentados.

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Gazeta Admininstrator
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