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O Brasil começa a aparecer no Festival de Cannes

Todo ano é a mesma coisa. O público do Festival de Cannes agüenta bem as cenas de violência (exceto contra animais), mas o sexo provoca comoção, como se os filmes estivessem sendo projetados num convento de carmelitas. Hoje, foi a vez de o mexicano Carlos Reygadas provocar o escândalo do 58.º Festival de Cannes.

Seu filme Batalla en el Cielo começa e termina com cenas explícitas de felação e, no meio, tem sexo bizarro, masturbação. Pode parecer chocante (e é), mas toda essa provocação é colocada a serviço de um olhar sobre uma sociedade que perdeu o sentido do sagrado e afunda na Violência.

Crime, seqüestro, há de tudo em Batalla en el Cielo. E a idéia do diretor é que a remissão dos pecados, se houver, virá pela via do sexo, que substitui a religião (ou vira a verdadeira religião) nestes tempos que vivemos.

Houve uma vaia descomunal no palais, no fim da projeção, mas quando apareceram os nomes dos atores – Anapola Mushkadiz e Marcos Hernandez – começou um aplauso que foi crescendo até sufocar a vaia. O público de Cannes rendeu-se à coragem dos atores de Reygadas, que aceitaram representar cenas tão difíceis. Anapola é linda, pouco mais do que uma menina. Arrisca-se a destronar Scarlet Johansson, a estrela de Woody Allen em Match Point, como musa deste festival.

Em oposição às reações apaixonadas que Batalla en el Cielo provocou, um silêncio respeitoso seguiu-se à exibição de Cidade Baixa, de Sérgio Machado, para a imprensa, na mostra Un Certain Regard. Isto não significa que o filme brasileiro, que trabalha com temas próximos ao mexicano – misticismo, sexo, violência – não agradou. O público entrevistado na saída manifestou-se favorável a Cidade Baixa, que revela um novo Cinema Novo do Brasil para o mundo. Hoje, será a sessão oficial. O Brasil começa a aparecer em Cannes, em 2005.

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Gazeta Admininstrator
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