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Morre no Rio, aos 87 anos, a cantora Carmem Costa

A cantora Carmem Costa, que lançou clássicos como Cachaça não é Água, A Outra e Está Chegando a Hora (versão da canção mexicana Cielito Lindo) morreu na manhã desta quarta-feira, 25, no Hospital Lourenço Jorge, onde havia sido internada na terça, com insuficiência renal e cardíaca.

Aos 87 anos, ela esteve lúcida até a véspera da internação e, segundo seu neto Gilberto Julho, tinha planos de apresentar-se em shows como o último que fez, em 1º de abril, no Sesc Pompéia, no projeto Senhor Artista, ao lado de Alaíde Costa, Tito Madi e do neto, também cantor.

Carmem nasceu no interior do Estado do Rio e foi descoberta aos 15 anos, por seu patrão, o cantor Francisco Alves que, numa festa, a fez cantar para os convidados, inclusive Carmem Miranda. Agradou tanto que foi para o programa de calouros de Ary Barroso. Venceu e, durante sete anos, apresentava-se em dupla com Henricão (Henrique Felipe da Costa). Seu primeiro sucesso Está Chegando a Hora, veio no início dos anos 40. No fim da década, casou-se com um americano e mudou-se para os Estados Unidos.

De volta ao Rio, nos anos 50, conheceu o compositor Mirabeau Pinheiro, com quem viveu um romance por cinco anos e pai de sua única filha, Silésia. A parceria rendeu também sucessos como a marcha Cachaça não é Água (“você pensa que cachaça é água/cachaça não é água não…”), o samba Obsessão (“você levou meu sossego/você roubou minha paz…). Outro sucesso seu, do compositor Ricardo Galeno, é o samba canção A Outra (“ele é casado/eu sou a outra na vida dele…”), que retratava uma situação que ela nunca escondeu. “Fui a outra por cinco anos. Não me arrependo de nada”, disse ela ao Estado em 2003, quando foi tombada como patrimônio cultural do País, uma iniciativa do deputado federal Edson Santos (PT-RJ).

Ao contrário de outras cantoras que não conseguiram passar do rádio para a televisão, Carmem Costa nunca parou de se apresentar. Há nove anos, junto com Dona Ivone Lara, Leci Brandão, Áurea Martins e Jovelina Pérola Negra (também já falecida) fez o show Damas Negras do Samba, no Teatro João Caetano, no Rio, com enorme sucesso. O espetáculo teve várias récitas no Rio nos anos seguintes.

Carmem vivia em Jacarepaguá, com a filha, dois netos e quatro bisnetos e viajava muito fazendo shows. Mas gravava pouco. Seu último disco, que levava seu nome, saiu em 1998 e sua última gravação foi no DVD de Elymar Santos, há dois anos. Ela tinha problemas cardíacos e passou quase todo o mês de março internada. “Mas melhorou, fez o show do Sesc Pompéia, e estava cheia de planos”, contou seu neto. “Só passou mal na terça-feira, foi internada e morreu hoje (quarta).” A Câmara Municipal do Rio cedeu seu saguão para o velório do corpo de Carmem Costa, que deve ser cremado, a pedido dela, na quinta-feira.

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Gazeta Admininstrator
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