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Já ouviu falar em comida que vicia?

Pense um pouco nestas afirmações: “Acho que quando eu começo a comer certos alimentos, eu acabo comendo muito mais do que o esperado”. “Eu percebo que eu continuo a comer certos alimentos mesmo quando eu não estou com fome”. “Meu comportamento frente ao alimento é uma fonte de sofrimento significativo”.
Estas são apenas três das 26 afirmações que estão no questionário investigativo para identificar pessoas que são viciadas em comida. Estas afirmações devem ser classificadas em: nunca; uma vez por mês; 2-4 vezes por mês; 2-4 vezes pode semana; mais que 4 vezes por semana; todos os dias.

Claro que estes sintomas podem ser mais ou menos intensos e estar presente na maioria das pessoas de forma leve, sem caracterizar enfermidade ou vício. A ideia aqui não é alarmar ou mesmo identificar quem é ou não viciado em comida, mas sim alertar que esse vício existe e pode ser evitado desde que se conheça quais são os alimentos que levam ao vício. E como você já deve estar pensando, são os mais gostosos, sem dúvida. Doces e alimentos ricos em gordura.

Tudo isso não acontece sem motivos. O impulso de comer mais, mesmo sem fome, está ligado à sobrevivência dos nossos ancestrais que não tinham comida em abundância. Se eles não comessem o máximo, poderiam morrer, pois não sabiam quando conseguiriam comida novamente. Então, era importante comer aquele alimento que fosse o mais rico possível em energia.

O problema não está apenas nesse aspecto. Um dos pontos mais importantes para ser analisado é o fato de que a comida é lícita. Comer é permitido e é um hábito comum, normal e necessário, e o limite entre o vício e a necessidade fica muito tênue. Quem já não tentou não comer algo e ouviu “imagina, come sim, apenas uma vez não vai fazer mal” ou “minha avó sempre comeu e viveu até os 90 anos!”. Assim vai se consolidando o hábito de comer, mesmo sem poder, mesmo sabendo que deveria ter parado no terceiro brigadeiro, mesmo sabendo que não está certo comer tanto açúcar, tanta gordura, tanto carboidrato de alto índice glicêmico. Esses conhecimentos já são amplamente divulgados.

É interessante notar que alguns hábitos, antes considerados normais e sem importância, passaram a ser vistos como péssimos hábitos e algumas pessoas até se envergonham deles. Fumar, por exemplo. Hoje, os locais para fumar estão restritos e não é difícil encontrar um fumante acanhado em um canto, saciando sua vontade escondidinho e rapidinho. Pura necessidade. Antigamente, fumar era sinônimo de “status” de pessoa resolvida e independente. Entre os mais jovens era passaporte para a vida adulta. O conhecimento sobre os efeitos do cigarro na saúde do fumante e de quem convive com ele promoveu essa mudança.

E é assim que eu espero que ocorra com os “alimentos maus”. Quanto mais falarmos, divulgarmos e encararmos como vício, enfermidade, mais estaremos ajudando as pessoas a não se viciarem, ajudando a se livrarem desse vício.

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Ivani Manzzo
Ivani Manzzo
Dra. Ivani Manzzo é doutora em Ciências pela Escola Paulista de Medicina UNIFESP – EPM com ênfase em obesidade, gestação e exercício. Em 2010 iniciou seus estudos em Life Coach e desde então trabalha ajudando as pessoas a alcançarem seus objetivos.
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