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Hormônio de pílula anticoncepcional altera próstata de feto

Num estudo que deve causar controvérsia, um grupo de cientistas dos EUA sugere que dois hormônios sintéticos comuns, um usado em embalagens plásticas e outro em pílulas anticoncepcionais, causam desenvolvimento anormal da próstata em fetos de camundongo. Segundo os autores, essas substâncias podem estar ligadas ao desenvolvimento de tumores de próstata em adultos.

Os hormônios analisados são o etinilestradiol e o BPA (bisfenol A). Ambos pertencem à categoria dos estrógenos sintéticos, versões do hormônio sexual feminino. Administrados a fêmeas grávidas de camundongo, eles atrapalharam a formação da próstata nos filhotes, aumentando seu volume.

“Esse tipo de desenvolvimento fetal é suspeito de aumentar o risco de doença de próstata –hipertrofia benigna ou câncer– nas pessoas, e isso ocorre na meia-idade”, disse à Folha Fred vom Saal, da Universidade do Missouri. Ele é o principal autor do estudo, publicado hoje na revista científica “PNAS”.

O etinilestradiol é o único estrógeno sintético usado em anticoncepcionais nos EUA, e está presente na maioria das pílulas importadas no Brasil. Os contraceptivos orais nacionais são feitos com um hormônio sintético parecido, o 17-betaestradiol.

Já o BPA entra na composição de embalagens plásticas e revestimentos de embalagens de metal. Suas ligações químicas são rompidas pela água, liberando o hormônio em bebidas e alimentos.

Novas evidências

Ambas as substâncias já se haviam demonstrado capazes de causar aumento na próstata e na bexiga em adultos. “Essas questões vêm sendo levantadas há algum tempo. O 17-betaestradiol causa efeitos importantes na próstata”, diz Sebastião Taboga, do Departamento de Biologia da Unesp de São José do Rio Preto. Alunos de Taboga têm mostrado em roedores que hormônios sintéticos masculinos e femininos causam aumento do órgão.

O novo estudo, no entanto, traz a primeira evidência de que esse efeito ocorre também na fase fetal, quando a próstata está se desenvolvendo –mesmo com doses dos dois hormônios menores do que as ingeridas normalmente por seres humanos.

No caso do etinilestradiol, Vom Saal aponta para o risco do desenvolvimento futuro de doenças de próstata em homens cujas mães engravidaram enquanto tomavam anticoncepcionais. Cerca de 3% das mulheres que tomam a pílula engravidam.

O pesquisador alerta de saída que não é o caso de evitar os anticoncepcionais. “De jeito nenhum!” –diz. “Mas as mulheres que engravidam porque não tomaram a pílula direito (o que ocorre com milhões delas todo ano) não são informadas de que esse potente hormônio sexual pode ter um impacto em seu feto devido ao fato de elas estarem tomando a pílula durante uma gravidez desconhecida.”

Segundo o urologista Miguel Srougi, da Universidade Federal de São Paulo, outros problemas clínicos causados por estrógenos na gravidez. “Malformações genitais e infertilidade são bem comprovados”, disse. “Agora, se esse aumento da próstata vai causar câncer ou não no adulto, é ainda um pouco especulativo.”

Já no caso do BPA, Von Saal diz que uma nova análise dos riscos das embalagens plásticas deveria ser feita. Um estudo encomendado pela indústria química americana em 2002 concluiu que “a evidência para efeitos causados por doses baixas é muito fraca”, mas os cientistas contestam os dados num relatório publicado em meados de abril na revista “Environmental Health Perspectives”.

“Até dezembro de 2004, 115 estudos foram publicados sobre efeitos de doses baixas de BPA, e 94 deles mostraram efeitos significativos.”

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Gazeta Admininstrator
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