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Hipertireoidismo em Felinos – Saúde Animal

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Na edição anterior da coluna Saúde Animal nós comentamos sobre uma doença que afeta a glândula tireoide de cães causando a diminuição da produção de hormônios – o HIPOtireoidismo. Felinos também sofrem de doença da glândula tireoide, mas diferente dos cães, em felinos acontece a produção exagerada de hormônios da tireoide causando o HIPERtireoidismo. Esta doença é na verdade muito mais comum do que o hipotireoidismo em cães. É uma das doenças hormonais mais comum em gatos junto com a Diabete Mellitus (leia os artigos sobre Diabete em Cães e Gatos (parte 1 e 2) nas edições de dezembro de 2010 do Gazeta News).

No gato com hipertireoidismo, ocorre o crescimento de um “nódulo” na glândula tireoide que começa a produzir uma quantidade exagerada do hormônio T4. Este nódulo é na maioria das vezes benigno (mas cerca de 3 a 5% dos casos podem ser malignos – câncer). Não se sabe ao certo o que causa o desenvolvimento deste nódulo mas acomete geralmente gatos idoso (média de 13 anos de idade). Siameses e Himalayas parecem ter uma maior predisposição, implicando um componente genético como causa desta doença. Mas qualquer gato pode desenvolver esta doença.

Glândula Normal

Glândula Afetada

Os sintomas do gato com hipertireoidismo são vários, os mais comuns e que costumam fazer com que o proprietário leve seu gato para uma consulta com o veterinário são: perda de peso (mesmo com aumento de apetite), atrofia muscular, vômito crônico com ou sem diarreia, desidratação e pele seca com seborreia (caspa). O hipertireoidismo também predispõe o gato à hipertensão arterial e doença cardíaca.

O hipertireoidismo é um pouco mais fácil de diagnosticar do que o hipotireoidismo em cães (leia edição anterior). A base do diagnóstico é a presença de uma concentração muito alta do hormônio T4 no exame de sangue, em conjunto com os sinais clínicos, idade e a presença ou não de um nódulo palpável na área da tireoide. Alguns gatos com hipertireoidismo possuem valores não tão elevados de T4 e necessitam mais testes para confirmar a suspeita. Demais testes incluem medir a concentração de T4 livre no sangue, teste de supressão com T3 ou uso da medicina nuclear (veja figuras).

Uma vez diagnosticado, existem três opções de tratamento, cada uma com as suas vantagens e desvantagens. O tratamento mais comum é o uso de medicação oral que bloqueia a produção de T3 e T4. É um tratamento não muito caro, eficaz, mas necessita dar pílulas para seu gato todos os dias para o resto da vida dele, muitos gatos não toleram isso. Outra modalidade de tratamento é a remoção cirúrgica da glândula afetada, uma das desvantagens é a necessidade de anestesia geral e nem sempre é possível remover toda a glândula afetada deixando muitas vezes tecido afetado para trás e continuação dos sinais clínicos. E por último a radioterapia (uso de um composto radioativo), é o tratamento mais seguro e eficaz, requer um único tratamento, porém é muito mais caro e infelizmente depende de um bom funcionamento renal o que em gatos velhos pode ser um problema e acaba eliminando esta modalidade de tratamento na maioria dos casos.

Diversos fatores devem ser considerados na hora de decidir qual é o melhor tratamento a ser seguido, o mais importante é saber que temos diversas opções e geralmente com bons resultados clínicos independente da modalidade escolhida.

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Dr. Luiz Bolfer
Dr. Luiz Bolfer
Dr. Luiz Bolfer formou-se em Medicina Veterinária no Brasil e mudou-se para os Estados Unidos para se especializar em Cardiologia, Emergência e Cuidados Intensivos em cães e gatos. Completou 12 meses de Internato em Clínica Médica e Cirúrgica Veterinária na Universidade de Illinois. Atualmente é Residente em Emergência e Cuidados Intensivos no Centro Médico Veterinário da Universidade da Flórida em Gainesville.
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