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Furacão Irma e o sangue frio

Os recentes acontecimentos ligados ao furacão Irma hão de nos fazer refletir. Diante de um possível perigo, perder a cabeça e se deixar levar pelo desespero é tão prejudicial quanto ignorar o perigo e fazer de conta de nada. Se o perigo for grande, como nesse caso, tendo sido Irma identificado como o pior furacão registrado na história, manter a cabeça no lugar é essencial.

Diante do perigo, hão de ser tomadas as medidas necessárias – e possíveis. Lembrando os “possíveis”! Desesperar-se pensando em soluções impossíveis e impraticáveis é acrescentar mais ansiedade àquela inevitável.

Também, faz sentido ficar fixados em imagens de destruição? É apropriado que as autoridades façam isso para que tomem providências rápidas. É apropriado que os habitantes de uma área em risco tomem conhecimento do tamanho do problema para que se protejam. Agora, ficar vidrados em vídeos e notícias que só aumentam a angústia não é um comportamento inteligente. Deve-se manter-se informados, mas sem se perder no mar de informação e de medo.

Planejar demais pensando em tudo o que se pode perder, preparando-se para o pior, é na verdade tolo. Isso é disfarçar a ansiedade numa capa de racionalidade. Não dá certo porque, em primeiro lugar, assim fazendo a ansiedade se faz incontrolável; e, em segundo, é muito frequente acabar por desperdiçar tempo, energia e dinheiro, porque a ansiedade não permite a mente lúcida e objetiva, muito pelo contrário.

A ansiedade se domina aprendendo a centrar-se, o que claramente é um treino, mas vale saber que é o único jeito (ou enchendo-se de psicotrópicos, e nem assim o resultado será garantido). A pessoa centrada é aquela que está presente ao seu agora, não deixa sua cabeça viajar (na maionese) do futuro. Futuro que ninguém conhece e que deve permanecer em aberto – ou o queremos poluir com as nossas mais funestas fantasias? A pessoa centrada não se deixar levar pelo medo da catástrofe, não é seduzida pela expectativa do pior, mas também não se acomoda num “vai dar tudo certo” de tipo irresponsável.

Nas fases difíceis, é preciso saber viver o momento, não um dia de cada vez, mas um momento de cada vez, para não despencar. Não se trata de imediatismo desconsiderado, mas de presença. É um ancorar-se no presente de forma consciente para saber tomar as atitudes necessárias e aproveitar das oportunidades que se abrem na hora certa.

A famosa frase de Jesus, “Orai e vigiais” significa manter-se confiantes e positivos (ou seja, abertos para o que for em atitude confiante de que haverá um jeito e um meio) e alerta, ou seja, presentes, atentos, o que não tem nada a ver com tensos e preocupados. Atentos, como um animal está naturalmente atento e presente às suas redondezas. Não há liberação de adrenalina nesse tipo de atenção.

Isso é ser realistas: estar no real, no aqui e agora – e não projetados em possibilidades que ninguém pode de fato conhecer.
É fazer tudo o que se pode, e que está ao nosso alcance. É tomar conhecimento da realidade, otimizar nossos recursos e energias, planejar a ação e executa-la como bons soldados, sem desviar o pensamento.

Ser realistas é inclusive aproveitar de qualquer situação para fazer qualquer coisa que se precisa fazer e que na rotina do dia-a-dia fica geralmente para trás. Isso porque a vida vai continuar após- o furacão. Isso é certeza.
Aí você aguarda, centrado. O sangue frio, a mente lúcida.

Se tem solução por que se preocupar? Se não tem solução por que se preocupar? Ditado chinês.
É evidente que esta reflexão também para os outros “furacões” que acontecem em nossa vida.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Life Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-EUA. Contato: +1-561-3055321 - www.adrianatanesenogueira.org.
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