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Evento debate imigração brasileira para EUA

Quando a antropóloga norte-americana Maxine Margolis iniciou a pesquisa sobre brasileiros em Nova York estava sozinha: na bibliografia do seu livro “Little Brazil”, publicado em 1994, não havia nem sequer um artigo acadêmico listado, e o número de imigrantes nos EUA estava estimado em até 400 mil.

Onze anos depois e com uma projeção de até 1,1 milhão de brasileiros em território americano, Margolis foi à Universidade Harvard fazer a palestra inaugural da Primeira Conferência Nacional sobre Imigração Brasileira para os EUA. Havia cerca de 200 pessoas na platéia, formada sobretudo por pesquisadores e ativistas brasileiros e norte-americanos.

Iniciado na última sexta-feira, o encontro de dois dias, considerado histórico pelos presentes, teve 18 sessões, quase todas com boa parte do público sentada no chão.

“Era impossível imaginar um encontro desse tipo naquela época”, disse Margolis. “Mesmo hoje, foi uma surpresa total o número de 60 trabalhos inscritos”, afirma a antropóloga, cujo trabalho discute a “invisibilidade” da comunidade brasileira em comparação com outros grupos imigrantes.

O número de inscritos surpreendeu até a organização. “Pensava que teria de telefonar para convidar as pessoas”, afirma a brasileira Clémence Jouet-Pastré, professora de português de Harvard e idealizadora do encontro. Ela destacou também a diversidade dos temas e a interação entre acadêmicos e ativistas.

Sobre as linhas de pesquisa, Jouet-Pastré acredita que o grande foco seja a etnicidade. “Aqui nos EUA, a nossa identidade é colocada em jogo, como com qualquer imigrante. Mas no nosso caso há sempre esta grande questão: somos ou não hispânicos? Como o Censo nos conta?”

Apesar da reclamação geral sobre a falta de dados abrangentes, algumas pesquisas trouxeram números surpreendentes sobre a experiência imigratória brasileira. Um estudo, por exemplo, revelou brasileiros morando em 250 cidades no Estado de Massachusetts.

Já o pesquisador Antonio Luciano Tosta localizou 40 obras de ficção sobre imigrantes brasileiros editadas no Brasil e nos EUA.

Presente nos dois dias do encontro, o veterano brasilianista Kenneth Maxwell se disse surpreso com a franqueza dos debates. “As pessoas conversaram de forma extremamente aberta sobre gênero, raça e regionalismo.”

Por outro lado, Maxwell criticou a forma como os problemas da comunidade brasileira foram debatidos. “Isso não será resolvido pelo governo brasileiro. A chave é o governo norte-americano. Faltou essa discussão”, disse.

Encontro em Harvard, livros publicados, tema da novela das oito da Globo e um país considerado atualmente “na moda” pelo mundo afora. A imigração brasileira continua invisível?

“Depende do ponto de vista”, diz Margolis. “Do governo americano, no Censo, é invisível. Mas, do ponto de vista local, de cidades como Framingham e Danbury [nordeste], tem muita visibilidade para as prefeituras locais.”

Ela vê um lado positivo na relativa invisibilidade. “Todo mundo reclama, mas, depois do 11 de Setembro, talvez valha a pena.”

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Gazeta Admininstrator
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