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EUA admitem usar produtos de animais clonados na alimentação

Cientistas do Governo norte-americano concluíram não haver diferença entre alimentos provenientes de animais clonados e os que têm origem na produção pecuária tradicional, abrindo caminho ao uso de produtos de animais clonados na alimentação humana.

A Food and Drug Administration (FDA), indicou este mês num jornal científico electrônico que está disposta a aprovar animais clonados para alimentação humana.

A agência informa ter concluído que “a carne e o leite provenientes de clones e de seus descendentes são tão seguros para a alimentação quanto os produtos correspondentes derivados de animais produzidos através das atuais práticas agrícolas”. A~conclusão é dos cientistas da FDA Larisa Rudenko e John C. Matheson.

Os cientistas consideram que os clones são “virtualmente indistinguíveis” dos animais produzidos convencionalmente, assim que atingem os seis meses e até aos 18 meses de idade.

A aprovação final de animais clonados na alimentação deverá dar-se dentro de meses e, até lá, a FDA aceitará comentários da população em geral a esta sua avaliação do risco.

A FDA também defende que os alimentos provindos de clones ou derivados não devem sequer conter alguma etiqueta ou aviso especial para avisar os consumidores, escreveram os cientistas.

Em reação, grupos de consumidores dizem que as etiquetas são obrigatórias, citando inquéritos que indicam que as pessoas se mostram incomodadas com a ideia de alimentos provenientes de animais clonados.

– Os consumidores vão ter à sua disposição produtos com potenciais problemas e que têm um grande número de questões éticas ligadas, sem alguma etiqueta – disse Joseph Mendelson, responsável legal pelo Centro para a Segurança Alimentar.

Carol Tucker Foreman, diretora da política alimentar da Federação norte-americana de Consumidores, disse que a FDA está ignorando pesquisas que mostram que a clonagem resulta em mais mortes e animais deformados que as outras tecnologias reprodutivas.

A federação já avisou que irá pedir às companhias alimentares e supermercados para recusarem vender alimentos provenientes de clones.

O processo de clonagem permite a produtores fazerem cópias de animais excepcionais, tais como porcos que engordem rapidamente ou vacas que produzam mais leite.

– Clonamos um animal porque queremos um gêmeo genético desse animal – disse Barb Glenn, da Organização da Indústria Biotecnológica.

– Não é um animal geneticamente modificado, não foram modificados genes ou suprimidos – explicou, considerando que a técnica “permite melhorar futuramente a saúde e o bem-estar dos rebanhos, de forma que os consumidores obteriam produtos resultantes da criação destes animais e não comeriam os próprios clones”.

No entanto, admite que alguns desses clones poderão entrar na cadeia alimentar.

Os oficiais da FDA solicitaram em 2001 aos fazendeiros e às companhias de clonagem que mantenham voluntariamente os clones e sua prole fora da cadeia alimentar, uma proibição que é apenas informal e que se mantém enquanto a FDA recebe comentários de consumidores.

Os EUA aprovaram oficialmente a clonagem de animais domésticos há cinco anos, devido à pressão das grandes companhias alimentares, que temiam que os consumidores pudessem rejeitar o leite e a carne dos animais obtidos por este processo de duplicação.

A clonagem implica que os cientistas substituam o material genético de um ovo por uma célula que contém o código genético completo do dador.

Dador e clonado terão uma composição idêntica, mas pode haver diferenças entre ambos por causa das influências ambientais.

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Gazeta Admininstrator
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