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Escândalos abalam os presidenciáveis

O último escândalo da política americana atende pelo nome de Madame D.C. As letras são a abreviação de District of Columbia, uma outra forma de se referir à capital americana. Pois bem: a tal Madame D.C., cujo nome verdadeiro é Deborah Jeane Palfrey, ganha a vida à frente de um serviço de garotas de programas e está sendo processada por exploração de prostituição. Sem dinheiro para pagar advogados, resolveu leiloar as gravações de sua secretária eletrônica, com os números de celulares de seus clientes mais famosos em Washington.

A oferta causa sensação nos circuitos do poder, num momento em que a campanha presidencial já acumula 18 pretendentes, todos com sua vida pessoal sendo devassada pela mídia. Madame D.C. sabe o quanto vale o silêncio sobre a vida íntima dos políticos, especialmente a sexual, diante de um eleitorado conservador como o dos EUA.

De acordo com as leis não-escritas da política americana, quando se trata de intimidade, é melhor silenciar. Se não for possível, falar o mínimo, mas evitar mentir a qualquer custo. Nada pode ser pior do que um político desmascarado por mentir. O presidente George W. Bush viu seus índices de aprovação despencarem exatamente quando começou a ser descrito como mentiroso sobre os motivos da guerra contra o Iraque. E, diante da devassa da vida pessoal, os candidatos se vêem em apuros.

Adultério

O senador Newt Gingrich, que já se divorciou duas vezes e disputa a indicação republicana, resolveu se antecipar e confessar ter tido um caso extraconjugal quando era presidente do Congresso e investigou Bill Clinton sobre seu caso com a estagiária Monica Lewinski. “Sim, estava tendo um caso naquela ocasião”, disse Gingrich. A confissão levou Gingrich para a turma dos que já cometeram adultério, o que tem sido comum entre republicanos.

O campeão dos escândalos sexuais é Rudolph Giuliani. Seus filhos – Andrew, de 21, e Caroline, de 17 anos – se recusam a participar da campanha e já declararam ter profunda mágoa do pai, que assumiu ter se envolvido publicamente com sua terceira mulher, Judith Nathan, quando ainda estava casado com a segunda, Donna Hanover, e anunciou que pediria o divórcio na tevê, antes mesmo de comunicar o fato à ex-mulher.

“Tenho muitos problemas com meu pai, estamos melhorando nossa relação complicada, mas tenho mágoas e quero ficar longe da campanha”, declarou Andrew Giuliani à tevê.

A movimentada vida amorosa do ex-prefeito de Nova Iorque é fonte inesgotável de inspiração para blogs satíricos, como o Libocrats, que fez “reportagem” sobre uma divertida passeata de apoio ao candidato, organizada por militantes da “Focus on the Ex-Family”, com cerca de 200 mil mulheres, todas se apresentando como ex-mulheres de Giuliani. Para um candidato conservador, um perfil amoroso tão liberal é um problema.

“Durante a campanha, a vida pessoal dos candidatos serve para questionar sua estabilidade emocional, sua capacidade de julgamento e sua habilidade para governar”, avalia Larry Sabato, cientista político da Universidade de Virgínia.

O adversário mais forte de Giuliani na disputa pela indicação republicana, o senador John Mc Cain, também teve um divórcio que se seguiu à descoberta de um caso extraconjugal com aquela que viria a ser sua segunda mulher. Mas logo assumiu a culpa pela separação, pediu desculpas aos eleitores e acabou ganhando o apoio da ex-mulher.

Pesquisa do Pew Research Center mostrou que 86% dizem que o fato de um candidato ser divorciado não faz diferença, mas apenas 56% disseram o mesmo se soubessem que o candidato teve um caso extraconjugal. A pesquisa mostrou também que a condenação do adultério é de 62% entre republicanos e 25% entre democratas.

Maconha

Do lado democrata, Barack Obama tem visto seu passado virado pelo avesso. A mídia já o fez confessar que fumava maconha quando estudante, já rastreou a separação de seus pais (quando Obama tinha 2 anos), já comentou o segundo casamento de sua mãe com um muçulmano, fez uma devassa nos arquivos da Faculdade de Direito de Harvard, onde ele se formou.

O jornal The Sun levantou a árvore genealógica da família materna de Obama para mostrar que seus antepassados eram proprietários de escravos.

A principal adversária de Barack e Edwards, Hillary Clinton, enfrenta resistência até hoje por conta do perdão ao adultério de Bill: liberais acham que ela devia ter se separado, conservadores desconfiam que seu casamento seja um acordo de conveniência política. A polêmica esquentou com o lançamento do livro The Clinton Crack-up, de Emmet Tyrell. Nele, há um capítulo sobre “a vida de mulherengo” de Bill Clinton, depois de deixar a Casa Branca. Diz que o ex-presidente teria movimentada vida sexual com garotas de programa, sobretudo nas viagens internacionais. Tyrell garante ter informações sobre encontros eróticos de Clinton em Irlanda, França, Austrália, Taiwan, Londres e no Rio. Mas seu livro não apresenta provas ou testemunhas. O debate em torno da vida do casal é mais um teste para provar o quão liberal ou conservadora Hillary pode se revelar.

“Na campanha, os políticos têm que fazer uma dança difícil: nas primárias, os republicanos devem parecer liberais e os democratas, conservadores. Depois, nas eleições, todos voltam a tentar conquistar seus eleitores fiéis. A questão é o espaço de manobra, saber o quão liberal um republicano pode parecer e o quão conservador um democrata pode virar nas primárias, sem comprometer o retorno ao centro “, avalia Dorian Warren, da Universidade de Columbia.

Fonte: A Semana

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