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Editorial: A mudança climática que Trump insiste em não ver

Photo: Pixabay

O frio intenso que trouxe até neve para a Flórida é também um indício de que a temperatura global está mesmo mudando. A Flórida é apenas um exemplo, mas outras regiões tanto dos Estados Unidos quanto do mundo têm experimentado mudanças bruscas no clima. Regiões outrora muito quentes estão tendo invernos mais rigorosos e vice-versa. Como também as estações estão mais “severas” como a onda de calor cada vez mais forte nos últimos tempos que chega a matar.

A ciência explica a alteração com as emissões de dióxido de carbono (CO2) geradas pelo ser humano voltaram a aumentar em 2017. A informação vem de cálculos de especialistas publicados em dois estudos com as previsões de crescimento das emissões no ano passado e que foram publicados na revista Nature Climate Change e Environmental Research Letters. Segundo a publicação, foram em torno de 41,5 gigatoneladas de dióxido de carbono para os ares, um dado semelhante ao de 2015 e batendo quase todos os recordes.

O fato de que o clima do mundo está mudando se deve, principalmente, à queima de combustível fóssil. Como consequência, grandes quantidades de dióxido de carbono (CO 2 ) são liberadas para a atmosfera da Terra. O estudo aponta ainda que, quase 90% das emissões de CO2 geradas pela atividade humana procedem do uso de combustíveis fósseis e da indústria, que em 2017 cresceram 2% após 3 anos de estancamento. O aumento se deve, em grande parte, pelo uso do carvão na China, segundo o estudo.

Quem parece não concordar que a mudança climática esteja relacionada ao aquecimento global é o presidente Donald Trump que em junho de 2017 retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre as mudanças do clima.

Para entender, o Acordo de Paris só será válido a partir de 2020 e até lá os países desenvolvidos têm metas de reduções de emissões a cumprir ainda dentro do Protocolo de Kyoto, regime climático anterior, e com a doação de $ 100 bilhões para os países em desenvolvimento até 2020.

Embora os EUA sejam o segundo emissor global de gases de efeito estufa, perdendo somente para a China, Trump sempre mostrou resistência em relação ao Acordo de Paris. Em diversas ocasiões negou que o aumento das temperaturas se deva à mão do homem e chegou até mesmo a zombar disso. “Admito que a mudança climática esteja causando alguns problemas: ela nos faz gastar bilhões de dólares no desenvolvimento de tecnologias que não precisamos”, escreveu em uma de suas obras – América Debilitada.

O importante do Acordo de Paris é evitar que no fim do século a temperatura global seja dois graus superior àquela do nível pré-industrial (até agora já subiu 1,1°C). No Acordo, Barack Obama propôs reduzir as emissões dos EUA entre 26% e 28% em 2025 em relação aos níveis de 2005, mas as medidas que pôs em prática para atingir a meta foram suspensas por Trump que ignorou a ação humana na mudança climática nesta semana ao dar sua opinião sobre as nevascas dos últimos dias na América do Norte.

Pelo twitter, Trump disse que “(…) talvez possamos usar um pouco daquele bom e velho aquecimento global que atinge nosso país, e nenhum outro, estava se preparando para pagar TRILHÕES DE DÓLARES para combater. Agasalhem-se!”, publicou. A falta de compreensão sobre as mudanças climáticas provocou indignação de internautas e cientistas.

Os Estados Unidos, Canadá e parte da Ásia e Europa estão enfrentando um frio sem precedentes neste inverno cujas temperaturas estão batendo recordes, enquanto a parte sul do hemisfério sofre com as altas temperaturas do verão – mas isso nada tem a ver com a ação do homem sobre o planeta – disse o homem que governa a maior potência mundial.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.
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