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Cinqüentões vivem hoje como jovens viviam há 50 anos

Por causa de profundas transformações no seu estilo de vida, os que tem mais de 50 anos se comportam hoje como os jovens que tinham 25 anos há meio século atrás, um estudo revela.

Segundo pesquisadores, embora muito tenha mudado nos estilos de vida de pessoas de todas as idades nas últimas cinco décadas, é no grupo com mais de 50 anos que aconteceram as maiores transformações demográficas e sociais.

Compras, atividades sociais, esportes e viagens tomaram o lugar das tarefas domésticas entre os cinqüentões, diz o estudo, encomendado pela organização beneficente britânica Help the Aged e realizado pelo instituto de pesquisas Future Foundation.

Segundo especialistas, a mudança no comportamento dos com mais de 50 se deve à uma mudança na forma de encarar a vida.
“Hoje, 50 (anos) está mais perto do meio da nossa vida do que do fim”’, disse O psicólogo Martin Lloyd-Elliott, que prestou consultoria aos pesquisadores.

“Meio da vida”
O relatório questiona os estereótipos freqüentemente associados aos cinqüentões. Lloyd-Elliott disse que apesar de nossa sociedade dar muito mais atenção à cultura jovem, mudanças mais radicais e transformadoras vêm acontecendo entre os maiores de 50. Para o especialista, ao invés de um “fechar de portas para a segunda metade da vida, há um abrir de novas portas, muito mais otimista, um espírito de bons tempos estão por vir”, diz ele.

A expectativa de vida para aposentados no Reino Unido também mudou. Um aposentado vive hoje cerca de 18 anos e meio, quase o dobro da média nos anos 50.

Fatores econômicos também influenciam a transformação: os maiores de 50 têm hoje uma poupança três vezes maior do que seus equivalentes em 1957. Como resultado, eles têm mais dinheiro para gastar.
Tiram férias oito ou nove vezes por ano em comparação com apenas uma ou duas vezes em 1957. Ficaram mais aventureiros: o número de viagens para lugares fora da Europa e da América do Norte entre pessoas com idades entre 55 e 64 anos duplicou nos últimos dez anos.
Os maiores de 50 fazem esportes, hoje, com tanta seriedade quanto os jovens de 25 anos, cinco décadas atrás: a média é uma hora por semana.

Lazer
Quando se somam também as atividades de lazer, os cinqüentões de hoje batem de longe os de 1957. Eles gastam quase três horas a mais por semana se divertindo e se exercitando.

A febre do consumo também contagiou as gerações mais velhas. Elas passam duas vezes mais tempo fazendo compras do que seus equivalentes nos anos 50. E os que já se aposentaram passam mais tempo nas compras do que jovens com entre 16 e 24 anos hoje. Mas para acomodar as férias, as compras, o esporte o o lazer, as atividades domésticas tiveram de ceder lugar.

Em 1957, os maiores de 50 passavam seis horas e meia cuidando da casa. Hoje, três horas bastam.

Paternidade
Se adiar a velhice virou uma preocupação constante para quem passa dos 30, por que não encarar com a mesma disposição a paternidade depois dos 50? Estimulados por uma expectativa de vida cada vez maior, muitos cinquentões brasileiros estão decidindo enfrentar o desafio de ser pai novamente – ou pela primeira vez – e mostrar que, de fato, a vida não acaba aos 50. Esses novos pais aos poucos conseguem romper com o preconceito, ignorar as críticas e levar com bom humor as brincadeiras. Só não querem, de forma alguma, ser confundidos com “pai-avô”. Por isso, festejam o nascimento de seus rebentos com um entusiasmo que em nada se diferencia dos homens que têm seus filhos mais jovens.

Há alguns anos, Caetano Veloso, então com 54 anos, tornou-se um dos mais famosos papais cinquentões, e comemorou esfuziante o nascimento de seu segundo filho com a atriz Paula Lavigne.

Em um país onde criar filhos exige dos pais uma força de domador de leão, é de se perguntar o que está levando homens com mais de 50 anos a encampar uma responsabilidade dessa magnitude. Afinal, sem falar nos pais anônimos, o Brasil está cheio de outros exemplos de paternidade depois da meia-idade. Basta lembrar o caso do humorista Chico Anysio, que em 1992, aos 61 anos, teve o filho Rodrigo, com a mulher, a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello, e dois anos depois encarou o nascimento de Vitória.

A idéia de que ter filhos mais velho significa transmitir mais maturidade às crianças, no entanto, pode ser equivocada porque ter mais idade não significa ser mais sábio. “Um filho se beneficia de um adulto mais maduro, não necessariamente mais velho”, explica a psicoterapeuta paulista Léia Cardenuto. Além de mais qualidade durante o tempo em que passam juntos, um filho pode ganhar também de um pai mais maduro segurança e confiança nas próprias atitudes.

A razão é o fato de que a criança en-xerga no pai uma postura mais equilibrada na forma de encarar a vida e, inclusive, na maneira de impor limites. Mas é claro que há um aspecto que pode ser negativo na cabeça de quem tem um pai com mais de 50 anos enquanto os dos amigos são mais jovens. “A criança pode sentir um certo desconforto ao ver que seu pai é bem mais velho do que os outros”, explica a psicóloga paulista Carolina Ribeiro. Esse desconforto se acentua ainda mais se a criança ouvir com frequência referências ao tempo de vida que resta a seu pai. “Se as pessoas em torno ficam falando muito sobre isso, o filho se sentirá ameaçado”, diz Carolina.

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Gazeta Admininstrator
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