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Brasileiro é acusado de desviar dinheiro nos EUA

O brasileiro Pedro Paulo dos Santos, de 39 anos, trabalhou durante cinco anos em uma das mais prestigiadas universidades dos Estados Unidos, a Georgetown University.

Fundada por jesuítas em 1789, a universidade tem entre seus antigos alunos personalidades famosas como o ex-presidente americano Bill Clinton. Entre seus professores, constam figuras como George Tenet, ex-diretor da Central de Inteligência Americana, a CIA, e Madeleine Albright, ex-secretária de Estado.

Pois foi nessa insigne instituição que o brasileiro Santos, entre 2001 e 2005, falsificou 118 cheques e roubou US$ 311.150. Foi um golpe sofisticado: Santos inventou um palestrante fictício, que usava o currículo da professora da Universidade de São Paulo (USP) Lília Katri Moritz Schwarcz. Batizou seu palestrante de Nelson Katri Arias – em “homenagem” a Nelson Arias, marido de sua prima, Maria Aline dos Santos.

O brasileiro aproveitou-se de seu cargo – coordenador do programa de estudos brasileiros da Georgetown – para desviar os dólares.
De acordo com os autos do processo, Santos preenchia notas de cobrança para supostos serviços de consultoria do “pa-lestrante” Nelson, falsificava a assinatura da supervisora do departamento, Naomi Moniz, e depois enviava notas fiscais de Nelson Arias Inc., uma empresa fictícia. Depois que a universidade liberava os cheques, Santos os endossava como Nelson Arias e depositava em sua conta, na de sua sobrinha ou na do marido dela.

A extensão do golpe só foi descoberta depois de uma investigação do serviço secreto. Santos é acusado de fraude bancária, fraude postal, lavagem de dinheiro e roubo. Caso seja condenado, pode ter de cumprir até 30 anos de prisão e receber uma multa de até US$ 1 milhão.

Segundo uma ex-aluna do departamento que não quis se identificar Santos causava um certo estranhamento porque adorava pregar em público sua admiração pelo presidente americano, George W. Bush, e suas convicções republicanas. Segundo ela, Santos “fabricou” também seu próprio currículo. No entanto, a universidade não divulga o documento.

A porta-voz da Georgetown, Julie Bataille, disse ao jornal O Estado de S. Paulo que, por causa do “caso Santos”, a universidade está adotando controles mais rígidos para evitar esse tipo de fraude financeira. Ela disse que não poderia falar mais sobre o caso porque o processo ainda corre na Justiça americana.

Procurada pelo Estado, Lília Schwarcz também preferiu não se manifestar, alegando que não conhece Santos e que está acompanhando o caso a distância. Naomi Moniz não atendeu os pedidos e entrevista da reportagem.

O departamento de seleção da Georgetown foi criticado por ter sido negligente na contratação de Santos, uma vez que o brasileiro já tinha “ficha suja”. Em 1999, ele foi condenado por entrar ilegalmente nos Estados Unidos, depois de ter sido anteriormente deportado.

Será difícil que o governo norte-americano capture Santos. Caso o professor Pedro Paulo dos Santos seja localizado no Brasil, não será extraditado para os Estados Unidos.

Ele será julgado no País e, em caso de condenação, cumprirá pena no Brasil. Nossa Constituição proíbe a extradição de brasileiros. O Departamento de Justiça americano não comenta possíveis pedidos de extradição de Santos.

A universidade levou cinco anos para se dar conta do esquema criminoso. A instituição só percebeu o fato em janeiro de 2005, alertada pelo Riggs Bank de que Santos estava depositando cheques da universidade em sua própria conta bancária.

Confrontado por auditores, Santos admitiu o roubo e disse que iria penhorar sua casa para devolver o dinheiro à universidade. Mas, no dia seguinte, ele deixou um recado no telefone de um funcionário da universidade, informando que estava “a dez minutos de embarcar” em um avião rumo ao Brasil. “Vou estar no Brasil na hora em que você pegar este recado”, disse Santos.

Santos fugiu dos EUA em março de 2005, e estaria escondido no Rio.
Os detalhes do caso vieram à tona no final de janeiro, depois que a Justiça ameri-cana abriu o sigilo dos autos do processo. A procuradoria pediu que o sigilo fosse quebrado porque pretende pedir à Interpol que incorpore o nome de Santos em sua lista de fugitivos.

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Gazeta Admininstrator
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