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Brasileira volta a ser colona após sair de Gaza

Para a brasileira Nurit, “pela lei Israel deveria ir até a Jordânia”
As cerca de cem famílias da colônia de Netzarim tiveram que sair na segunda-feira da Faixa de Gaza, mas não desistiram de morar num assentamento: quase todos os moradores se transferiram para Ariel, na Cisjordânia.
Entre eles está a brasileira-israelense Nurit Abramovich – 25 anos de idade, 23 em Israel e 2 em Netzarim – que não quer nem ouvir falar da possibilidade de ter que sair de novo da Cisjordânia.

“Ariel é Israel. Pela lei, Israel deveria ir até a Jordânia”, diz ela ao se recusar a discutir a hipótese de algum dia haver um plano de retirada semelhante ao de Gaza para mais assentamentos na Cisjordânia.

De qualquer maneira, pelo menos por agora parece bem distante a possibilidade de o governo israelenses mexer com outros assentamentos. Embora toda a região da Cisjordânia – onde moram 220 mil colonos em assentamentos como Ariel – seja considerada pela lei internacional uma área palestina ocupada, o governo israelense já deixou claro que não pretende sair de lá.

Ao contrário, Israel está incentivando os colonos a construir novas casas e ampliar os assentamentos na região, o que poderá ser um problema a mais nas negociações de paz entre Israel e a Autoridade Palestina.

Transferência

Estimativas feitas pela mídia israelense indicam que cerca de 200 das quase 1,6 mil famílias de colonos que saíram da Faixa de Gaza se mudaram para assentamentos na Cisjordânia.

Boa parte deles saiu da colônia de Netzarim, que era uma das mais religiosas e isoladas da Faixa de Gaza.

“As nossas famílias saíram de Netzarim de cabeça erguida e viemos todos para a Universidade de Ariel (no assentamento de mesmo nome, na Cisjordânia) onde fomos recebidos muito bem pelos estudantes”, disse Abramovich.

“O povo de Israel está nos recebendo com muito carinho”, diz.

Volta

Segundo a colona, a comunidade foi inteira para Ariel e ainda sonha em voltar algum dia para Netzarim. Por hora, eles estão nos alojamentos dos estudantes da universidade.

“Netzarim é algo muito forte para a gente e nós sabemos que vamos voltar para lá. Pode demorar um mês, um ano ou 30 anos, mas o espírito de Netzarim vai nos dar forças para que um dia voltemos para nossas terras”, disse.

Muitos judeus ultra-religiosos acreditam que conquistar todo o território bíblico de Israel – que inclui a Faixa de Gaza, a Cisjordânia e outra áreas, como o deserto do Sinai – é uma missão divina que, fatalmente, algum dia vai ser cumprida.

Para Abramovich, a retirada forçada da Faixa de Gaza – e também de quatro assentamentos isolados no norte da Cisjordânia – foi como um tratamento médico dolorido.

“Quando uma pessoa é operada é porque há algo muito sério acontecendo que tem que ser resolvido. O povo judeu também está sendo operado e vai sair muito mais forte disso”, diz.

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