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Brasil ainda está entre mais vulneráveis

Apesar dos esforços do governo brasileiro para elevar o superávit fiscal, melhorar o perfil da dívida e diminuir a sua vulnerabilidade externa, o país ainda é considerado extremamente sensível à elevação da taxa de juros nos EUA.

Estudo divulgado ontem pela agência americana de risco Standard & Poor’s coloca o Brasil numa lista com 11 países emergentes bastante vulneráveis a mudanças na política monetária dos EUA. “Países com um alto peso da dívida são sempre os mais vulneráveis a choques externos”, disse à Folha Kevin Daly, analista de crédito da S&P em Londres.

Questionado sobre o argumento, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, afirmou que a dívida do país ainda é grande, mas ressaltou que o governo tem se empenhado para diminuí-la (leia texto à pág. B4).
Em seu relatório para investidores, a S&P traça três cenários possíveis para a condução na política monetária nos EUA e os seus desdobramentos para os emergentes.

No quadro mais brando, que significa elevação de um ponto percentual na taxa de juros do Fed (BC dos EUA), hoje em 3%, o risco-país brasileiro passaria a 625 pontos neste ano, chegando a 725 pontos em 2008. Ontem, o risco fechou em 441 pontos.

Num cenário intermediário, porém já ruim, com alta de dois pontos na taxa americana, o risco Brasil subiria para 800 pontos já neste ano e a 1.050 em 2007. Um nível alto, mas ainda longe dos cerca de 2.000 pontos que o risco-país brasileiro apresentou durante o período pré-eleitoral de 2002.

O terceiro cenário, no caso do Brasil, repete as projeções do segundo cenário. Aqui, entretanto, a elevação da taxa de juros nos EUA resvala na taxa de câmbio do Brasil, provocando forte depreciação do real. Ainda nesse quadro, a relação dívida pública/PIB (Produto Interno Bruto) saltaria para 68% em 2008, provocando um rebaixamento do “rating” (nota de crédito) do Brasil.

“Os cenários 2 e 3 são os menos prováveis, mas eles podem acontecer”, afirmou Daly.

Em geral, quando a taxa de juros nos EUA fica mais elevada, ela tende a atrair um maior volume de investidores que migram das aplicações em países emergentes, consideradas de maior risco, para o mercado americano, considerado o mais seguro do mundo.

Na avaliação da S&P, países que são avaliados como “investment grade” (grau de investimento) dispõem de mais instrumentos para influenciar a percepção que os investidores têm da capacidade de o país de honrar os seus compromissos externos. “Ao contrário, para aqueles países que não são grau de investimento, a trajetória da dívida e, conseqüentemente, a sua capacidade de pagar o serviço da dívida no prazo acertado dependem em boa parte de eventos externos”, diz a agência. Segundo o critério da S&P, o Brasil é avaliado com nota “BB-“, que é um grau especulativo. A nota reflete a probabilidade de o país dar calote na sua dívida externa.

“Hoje, os fatores domésticos estão indo bem no Brasil”, argumenta Daly. Mesmo com o elogio, a agência não acena com a possibilidade de elevar o Brasil à categoria de “investment grade”. O patamar da relação dívida/PIB –51%, em março– está muito acima da média dos demais pares do Brasil. Esse é um dos principais entraves para a melhoria da avaliação do país. A inclusão na categoria de “investment grade” ajudaria o país a receber crédito e investimentos de melhor qualidade e, segundo economistas, poderia até diminuir a taxa de juros.

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Gazeta Admininstrator
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