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Amizade Colorida

Mais um encontro Lula-Bush revela que nunca as relações entre presidentes do Brasil e Estados Unidos foram tão próximas e tão francamente fraternais. Parece mesmo que há muioto mais mistérios e pontos em comum entre as origens vaqueiras de Bush e as metalúrgicas de Lula do que sonha ou especula a nossa vã filosofia.
A carta mais forte no baralho Brasil-USA nesse momento é inegávelmente o futuro do Metanol.
Já não há mais a menor dúvida que o combustível renovável extraído da cana de açucar (Brasil) e milho (Estados Unidos) será fator primordial numa nova realidade energética do planeta. E o Brasil, que ria de sua própria capacidade inventiva nos anos 80 com a nascente do “carro à alcool” vê hoje a nação mais poderosa do mundo reconhecer não só que nós fizemos “a opção certa na hora exata”, ou seja, há 30 anos atrás, como somos o país mais avançado do mundo numa tecnologia absolutamente vital.
Isso, evidentemente, não nos garante nada.
É como se um esforçado cientista da Bulgária, país de importância menor na arena político-econômica mundial, descobrisse um remédio que cura o Câncer e a Aids. Ficaria famoso e entraria para a História. Mas quem iria sorrindo para o banco depositar os bilhões de dólares gerados por suas descobertas seriam a indústria farmacêutica mundial, que controla tudo e todos.
O mesmo pode acontecer com o Metanol.
Se para os nacionalistas dos anos 50, com Monteiro Lobato à frente, o “Petróleo era nosso”, em função da descoberta das jazidas no recôncavo baiano, nesse começo de século 21, o Brasil bate no peito com justa razão e proclama “O Metanol é nosso”.
Da mesma forma que a Petrobrás trabalhou para que a bravata de Lobato se tornasse uma realidade consistente, temos todos que trabalhar para que as conquistas do um dia mambembe “Programa do Álcool” garantam tudo aquilo que o nosso presidente disse aos jornalistas à saída de Camp David: “a garantia de que milhões de trabalhadores serão afetados positivamente com melhoria de qualidade de vida em todo o mundo”.
Lula foi mais corajoso e mais descontraído do que nunca nesse seu quinto encontro com o Presidente George W. Bush.
Chegou a firmar que está disposto a se encontrar “tantas vezes quantas Bush ou qualquer outro dirigente mundial deseje se encontrar comigo em busca de soluções para nossos problemas, eu estarei disposto a conversar, buscar essas soluções”.
Quem, no início do primeiro mandato de Lula, imaginaria que seis, sete anos depois, o nosso presidente teria este nível de proximidade com o governo norte-americano.
Alguns analistas que cobrem a Casa Branca afirmam que há, de parte de Bush uma sincera admiração por Lula e que os dois presidentes professam a mesma “religião” quando se trata de negociações bilaterais: franqueza absoluta.
Diplomacia nunca foi o forte de Bush. Lula, muito menos.
Os estilos são mesmo de homens forjados, um no machismo texano e outro no ambiente duro da metalurgia.
Por mais estranho que pareça, estão muito mais próximos, por exemplo, dos que os intelectuais Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso.
Antes destes, nem uma proximidade real havia entre os presidentes dos Estados Unidos e Brasil. De fato, o tratamento dispensado por Washington a Brasília mudou de verdade a partir de Bill Clinton. Ganhou contornos mais fortes e estratégicos, agora com Bush e Lula.
Houve um tempo, de nada saudosa memória, que presidentes do Brasil declaravam desavergonhadamente que “o que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”. Essa frase, milhões de vezes repetidas durante décadas, revelava o estado de subserviência e auto-desimportância que atribuíamos a nós mesmos.
O panorama de hoje é radicalmente diferente.
Não que deixemos de ter profundas diferenças.
Mas o que Lula e Bush estão evidenciando é que há uma maturidade real no “approach” entre os dois países, em busca de que o que seja bom para um, igualmente o seja para o outro.
Entre Estados Unidos e Brasil estamos vivendo uma fase de “amizade colorida”.

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Gazeta Admininstrator
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