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A Selva

Com 19 atores brasileiros no elenco, entre eles Maitê Proença, Gracindo Júnior, Cláudio Marzo, Chico Diaz e João Acaiabe, “A Selva”, quinto longa do diretor português Leonel Vieira, 34, estréia nesta sexta-feira (03) em 60 salas de 16 Estados no Brasil –20 delas em São Paulo. Na tela, o retrato da vida dos seringueiros da Amazônia no início do século 20.

Divulgação

Maitê Proença é chamariz de filme
“A Selva”, co-produção de R$ 10 milhões de Brasil, Espanha e Portugal, é baseado no romance homônimo do escritor português Ferreira de Castro (1898-1974). Assim como o livro, o filme não possui protagonistas –apesar do que aparentam os cartazes e outdoors de divulgação–, mas elege a selva Amazônica como personagem principal.

Os relatos presentes na autobiografia lançada em 1930 –aos 12 anos, Ferreira de Castro veio ao Brasil trabalhar na extração de borracha–dão o clima ao roteiro, que traz uma série de histórias paralelas.

Entre elas está o romance entre o português Alberto (Diogo Morgado, único português com destaque) e a patroa brasileira, Dona Yayá (Maitê Proença). Há ainda a discussão do trabalho praticamente escravo nos seringais na época, que culmina com a fuga e recaptura de trabalhadores, e dos negros ainda tratados como escravos –João Acaiabe vive o forte personagem Tiago, que será responsável por uma reviravolta na trama.

Mesmo sem um protagonista bem definido, a trama é conduzida pelo personagem Alberto, jovem monárquico português que, em 1912, se encontra exilado em Belém (PA). Por meio de seu tio, é contratado por um capataz espanhol (o excelente ator Karra Elejalde) para trabalhar no Seringal Paraíso, de Juca Tristão (Cláudio Marzo), em pleno coração da Amazônia.

Após uma viagem de dias pelo rio Amazonas, em que as belas paisagens da mata são exaustivamente exibidas, Alberto aporta no seringal e logo é enviado a trabalhar na extração da borracha sob a proteção do cearense Firmino (Chico Diaz), seu “tutor”. Aos poucos, os dois se tornarão grandes amigos. A cumplicidade é mantida até mesmo quando Alberto, por conta do curso de direito iniciado em Portugal, é convocado a trabalhar no armazém do seringal.

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Produção mostra vida de seringueiros na Amazônia
A grandiosidade da floresta transparece, essencialmente, pelos olhos de Alberto. Primeiro, assustados, ao se deparar com enormes cachoeiras, animais e a penúria em que vivem os seringueiros, constantemente ameaçados por índios, onças e o trabalho pesado.

Longas tomadas mostram Alberto e Firmino andando pela selva, fazendo cortes na casca das seringueiras e colhendo com uma caneca a seiva (látex) que escorre dos cortes. O látex é depois enrolado em torno de um bastão com a ajuda do calor de uma fogueira de lenha (“defumação”), obtendo-se “bolas” de borracha –as maiores chegavam a pesar 40 quilos. O processo que sustentou a economia de Manaus como a principal do país até 1930 é apresentado em detalhes ao espectador.

Depois de assustados, os olhos aparecem revoltados, principalmente com o tratamento dado a ele e seus colegas de trabalho –os salários não são pagos devidamente, e os seringueiros ficam presos ao seu senhor como escravos, impedidos de deixar o local. O tema da escravidão, aliás, é o mote de uma das cenas mais fortes e bonitas do filme.

Por fim, os olhos de Alberto ficam encantados com a beleza de Dona Yayá, casada com o dono do armazém do Seringal Paraíso e uma das poucas mulheres que habitam o lugar. O romance proibido, apesar de usado como chamariz para o público, aparece pouco e perde importância frente às outras relações humanas que o filme traz.

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Gazeta Admininstrator
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