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Flórida está entre os estados com piores leis de segurança no trânsito, aponta organização

Flórida precisa melhorar leis para segurança no trânsito, segundo organização. Foto: Florida Department of Transportation.

A Flórida é considerada um dos piores estados do país para leis e aplicação de segurança no trânsito e está entre 12 estados que se enquadram nas leis “perigosamente atrasadas” no assunto, aponta a 17ª edição do Roteiro anual das Leis Estaduais de Segurança Rodoviária, um relatório da Advocates for Highway & Auto Safety (uma organização em prol de tornar as estradas americanas mais seguras).

O relatório “Uma Visão 2020 para a Segurança” fornece um “boletim” sobre leis de segurança no trânsito para cada estado e Washington, DC., e aponta que existe oportunidade em todos os estados para promulgarem leis que combatam a amplamente reconhecida crise de saúde pública de acidentes de automóvel.

“Todos os dias, cerca de 100 pessoas são mortas e quase 7.500 são feridas em acidentes de automóvel. A devastação emocional infligida às famílias por acidentes também vem com um custo econômico anual significativo de US $ 242 bilhões. Isso resulta em cada pessoa que vive nos EUA pagando essencialmente um “imposto sobre acidentes” de US $ 784 a cada ano”, alerta a organização.

Flórida é o terceiro estado em acidentes fatais de veículos nas estradas

Das muitas tragédias diárias nas estradas e rodovias que poderiam e deveriam ter sido evitadas, as causas mais comuns incluem excesso de velocidade, uso de álcool ou outra substância e distração.
Com mais de 17 milhões de motoristas licenciados rodando pelas estradas (são 17,392,281, segundo a Florida Highway Safety and Motor Vehicles), as falhas apontadas no relatório estão especialmente na legislação estadual sobre cinto de segurança traseiro, capacetes para motocicletas e assentos para crianças.

Leis inadequadas para cinto de segurança traseiro

Segundo o relatório, entre os problemas encontrados na Flórida estão leis inadequadas para o cinto de segurança traseiro. Como por exemplo, o fato de que a polícia não pode parar um veículo e multar o motorista simplesmente porque um passageiro de trás não está usando o cinto. Para uso do cinto de segurança dianteiro, o estado tem uma lei que pune como ofensa primária o não uso.

Em todo o país, 47% das 22.697 mortes de passageiros que estavam na parte de trás do veículo não usavam cinto de segurança, diz o relatório.

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A Administração Nacional de Segurança no Trânsito nas Rodovias estima que 1.099 vidas foram salvas na Flórida em 2017 por causa do uso do cinto de segurança. E mais 181 vidas poderiam ter sido salvas se os cintos estivessem colocados.

Capacetes para motocicletas

Diminuíram multas, mas aumentaram acidentes nas estradas da Flórida

A Flórida também recebeu notas baixas por não exigir que motociclistas de todas as idades usem capacete. É um dos 31 estados sem esse requisito, aponta o relatório. O estado permite que motociclistas com mais de 21 anos andem sem capacete, se puderem provar que estão cobertos por uma apólice de seguro médico de US $ 10.000 para cobrir quaisquer ferimentos que possam surgir como resultado de um acidente.

Brasileiros que moram na Flórida divergem quanto ao uso ou não do capacete. “Pra (sic) quem anda de moto, se tiver seguro não precisa usar capacete. Acho isso superbizarro”, diz Adriana Oliveira.

“Eu gosto da opção de usar o capacete ou não… mesmo podendo não usar, 99% das vezes que eu saio com moto eu estou com capacete!”, opina Maurício Miranda, que mora em Altamonte Springs.

Assentos para crianças

O estado também obteve baixa pontuação nas leis de segurança infantil. A Flórida é um dos 35 estados que o grupo afirmou não exigir que bebês e crianças pequenas se sentem em uma cadeirinha virada para a parte de trás pelo menos até os 2 anos de idade.

Para o grupo, a Flórida carece de uma boa lei exigindo que as crianças que já passaram do limite de altura e peso para a cadeirinha virada para trás sejam transportados virados para a frente, mas em cadeiras maiores ou assentos auxiliares próprios, até que tenham 8 anos e 57 polegadas de altura. Trinta e quatro estados têm essas leis, afirma o grupo.

Atualmente, a lei estadual exige que crianças de 5 anos ou menos sejam “protegidas adequadamente em um dispositivo de retenção (assentos) para crianças aprovado pelo governo e testado contra colisões”, e crianças até 3 anos de idade “devem ser transportadas separadamente em dispositivos de retenção de crianças de um fabricante especializado ”, de acordo com o Departamento de Segurança Rodoviária e Veículos Motorizados da Flórida. Crianças menores de 18 anos devem usar cintos de segurança.

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Adolescentes e jovens ao volante

Em 2018, foram registrados 403,626 acidentes com veículos automotores na Flórida. Desses, 16,621 foram com adolescentes de 15 a 17 anos ao volante; 64,848 com jovens de 21 a 24 anos e 47,067, de 18 a 20 anos. Em nível nacional, a taxa de acidentes para motoristas adolescentes é três vezes a taxa de idosos.

A Flórida obtém boas classificações por algumas restrições aos motoristas entre 15 e 18 anos, como ter que passar por exames e só dirigir acompanhado de um adulto. O DHSMV exige que o adolescente conclua um curso sobre Lei de Trânsito e Educação sobre Abuso de Substâncias (TLSAE), além de passar em exame para receber a permissão de aprendizagem.

No entanto, segundo a organização, para motoristas adolescentes, 193 leis para a Graduated Driver Licensing (GDL) precisam ser adotadas para garantir a segurança de motoristas novatos. Nenhum estado possui todas as seis disposições recomendadas de uma lei GDL.

The Berman Law Group.

Carros mais potentes x novas tecnologias

Atendendo a centenas de casos de acidentes de trânsito por mês, o advogado brasileiro Jhonatas Porcides e a paralegal brasileira Marina Ageloff, que trabalha junto com os advogados Russell Berman e Theodore Berman, do escritório do The Berman Law Group, citam a potência dos veículos de hoje como grande causador de acidentes, principalmente quando combinada com o uso das novas tecnologias – no caso, aparelhos eletrônicos.

“Hoje em dia os carros são maiores e mais potentes. Isso não combina com todas as distrações que existem quando uma pessoa está dirigindo, como o celular, por exemplo – um grande causador de acidentes hoje em dia. Mas a lei na Flórida mudou e vai punir mais o uso do celular”, afirmam.

Além das novas tecnologias, os advogados alertam para o excesso de confiança dos motoristas do tipo de que “não vai acontecer comigo”. “Esse tipo de pensamento leva o motorista a correr mais riscos e consequentemente causa mais acidentes”, salientam.

Uma estatística impressionante apontada pelo grupo é que mais ou menos 50% de acidentes ocorrem cerca de cinco milhas da residência da pessoa. “Isso indica que a maioria dos acidentes não ocorre em estradas de grande fluxo e sim em sinais de trânsito ou em paradas em ruas pequenas”, mencionam.

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Além desse quesito, o grupo, que dá suporte jurídico aos envolvidos em acidentes, destaca ainda que é considerável o número de casos de lesões causadas pela condução de veículos comerciais negligentes, incluindo caminhonetes e caminhões.

Portanto, para evitar acidentes e lesões corporais no trânsito, os advogados reforçam as dicas pelo uso do cinto de segurança, não ingestão de álcool e não uso do celular ao dirigir. “A direção distraída é realmente muito perigosa e dirigir e usar celular ao mesmo tempo é crime -, e em nenhuma hipótese dirigir após consumir álcool, o que também é crime”, destacam.

Principais desafios

Como ponto positivo para o estado, em 2019, a Flórida promulgou a lei que proíbe o envio de mensagens de texto. Mas há muito mais o que se fazer pela segurança no trânsito. Dentre os principais desafios, Catherine Chase, presidente da Advocates for Highway & Auto Safety, cita “questões críticas de segurança que devem ser tratadas”, incluindo normas para medir a tecnologia de assistência ao motorista e veículos autônomos, medidas adicionais para combater a direção prejudicada por drogas, melhor segurança para os passageiros do banco traseiro e mais proteção para os pedestres e ciclistas.

O que fazer após um acidente

Como orientação a todos que usam veículos automotores e se envolvem em um acidente, o The Berman Law Group orienta que a primeira coisa que o motorista ou passageiro deve fazer após um acidente é garantir que todos no veículo estejam bem e ligar imediatamente para o 911.

“Independentemente de quem causou, das circunstâncias do acidente ou de qualquer outro fator, é necessário chamar a polícia. Além da segurança para o resgate, ter um relatório policial detalhado é importante caso o motorista precise e decida entrar com uma ação legal depois”, salientam.

Outro fato importante é documentar o acidente e coletar informações. Tire fotos do seu carro, do outro carro, de quaisquer ferimentos e da cena. Troque informações de seguro com o (s) outro (s) motorista (s). “Você também pode gravar vídeos e entrevistar quem testemunhou o acidente. Quanto mais informações você tiver, melhor”, alertam os advogados.

Para mais informações e consultas gratuitas em português com o The Berman Law Group, ligue para (561)826-5200 x351 ou pelo e-mail: mageloff@thebermanlawgroup.com

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.



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