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Branca de neve e madrasta: duas em uma

Por trás de uma mulher estilo Branca de Neve encontramos, muitas vezes, a famigerada Madrasta. Branca de Neve é boa e isso significa sobretudo ser servil, sempre pronta a ajudar os outros. Ao se deparar com a falta de consideração dos outros ela se surpreende, mas continua sendo boa; porque ser boa é mais do que uma escolha, é motivo de orgulho. É, na verdade, uma exigência interior que vem de profundezas que ela não ousa investigar.

A bondade que não sabe colocar limites, que reprime as próprias necessidades em prol das dos outros, pode gerar uma reação contrária inconsciente difícil de encarar. Mas os contos de fada contam…

A característica mais explícita da Madrasta é a inveja. O sentido da inveja está arraigado na dor profunda de ser o que outra pessoa é, e é capaz de fazer, ao mesmo tempo em que a invejosa se priva da dimensão do ser o que admira na outra.

A inveja é uma admiração ao contrário, é o torcedor que no lugar de apoiar solapa o que o outro tem, faz por diminuir o valor que vê brilhando na vida alheia. E isso pelo triste motivo de que, num nível profundo, a invejosa se exclui do mundo que tanto deseja.

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A bondade da mulher Branca de Neve pode esconder, portanto, uma forma de fuga do perceber-se “bruxa invejosa”. Entretanto, assim como os conteúdos fisiológicos não evacuados produzem odores que fogem ao controle da pessoa, a inveja suprimida manifesta-se aqui e acolá em pequenos gestos, atitudes, olhares, palavras tão “suaves” quando venenosas.

Em pequenas doses, vemos essa dinâmica nas muitas coisas que não se falam diretamente ou que incomodam. No lugar disso, vai se dando indiretas. Comentários, alfinetadas, qualquer coisa que exponha a insatisfação sem precisar deixar claro o que se sente.

Uma mulher me escreveu: “Eu fico em casa com as crianças enquanto o meu marido está num jantar de negócios, numa churrascaria deliciosa, se divertindo. Ele não me proíbe de sair, mas ficando em casa eu tenho o que jogar na cara dele, entende? Ao mesmo tempo, eu morro de inveja de todo o tempo que ele passa fora de casa se divertindo, especialmente à noite, que é o horário do dia proibido para mim que sou mãe e preciso cuidar de dois filhos… Que tristeza escrever isso…”

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E que honestidade!

Essa mulher está em “competição” com o marido, invejando essa dimensão masculina que lhe permite tomar distância da família sem se sentir culpado. Ela é capaz de enxergar porque está num processo de autoconhecimento.

“Eu tenho sim – continua ela – muita compreensão e apoio do meu marido. Eu acho apenas que ele não consegue compreender a dimensão de quanto eu abro mão por ser mãe. Ele nunca me impediu de sair, nunca controlou meus horários, mas existe uma cobrança implícita (talvez mais minha do que dele) para que eu fique em casa. Ele faz muito em casa, dá banho nas crianças, lava a louça às vezes. Na maior parte do tempo ele se ocupa das crianças enquanto eu tenho que fazer outras coisas da casa. Ele não sai com frequência à noite, mas sai muito mais do que eu. E ele passa o dia inteiro fora de casa, vê os meninos só bem tarde e por pouco tempo. Invejo, de verdade, a liberdade dele neste sentido.”

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Tanto com mulheres como homens, reconhecer nossos desejos profundos e trazê-los à tona para serem trabalhados é o caminho para sair da dupla neurótica Branca de Neve-Madrasta e sobretudo para se permitir evoluir, expandir e se realizar.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira - Psicanalista, filósofa, life coach, terapeuta transpessoal, intérprete de sonhos, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto (www.asmigasdoparto.org), do AELLA - Instituto Internacional Ser&Saber Consciente (www.institutossc.com) e do ConsciousnessBoca.com em Boca Raton, FL-USA. +1-561-3055321



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