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As vidas perdidas nos trilhos da Flórida

Autoridades da Flórida estão preocupadas com o alto índice de pessoas que tiram a própria vida se jogando nos trilhos dos trens. Principalmente no sul do estado, onde os trens de passageiros normais e os de alta velocidade passam diariamente em meio a milhares de pedestres, ciclistas e motoristas.

Esse elo entre saúde mental e fatalidades relacionadas a trens já é considerado uma “epidemia” na Flórida. Iniciativas para reduzir o número de mortes intencionais e acidentais por trens já são feitas. Um delas é a educação e aconselhamento aos moradores durante bate-papos em veículos que oferecem cortes gratuitos de cabelo em pontos estratégicos de acesso aos trens, como aponta o Sun Sentinel em uma matéria especial sobre o alto índice de mortes por suicídios.

E essa preocupação não é para menos. A empresa de transporte de trens de passageiros de alta velocidade – Brightline (que atualmente pertence à Virgin Train USA) -, lidera o índice de acidentes e mortes. Mas a empresa afirma ter lutado para melhorar a segurança na ferrovia, embora suicídios e pessoas que usam drogas sejam os motivos da maioria das mortes -75% foram suicídios, segundo a Brightline.

Desde 2017, quando começou a operar, mais de 40 pessoas foram mortas – uma taxa de mais de uma por mês ou cerca de uma a cada 29.000 milhas que os trens percorreram, mostraram dados. Porém, nenhuma das mortes da Brightline foi causada por erro da tripulação ou equipamento defeituoso, de acordo com a polícia e relatórios federais.

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“As mortes de trens, desde 2017, no estado da Flórida caíram, mas os suicídios aumentaram”, aponta Ben Porritt, vice-presidente de assuntos corporativos da Brightline. Dos casos fatais de suicídios, drogas, álcool ou ambos estavam presentes no organismo de muitas vítimas, informaram os médicos legistas.

Para evitar e diminuir essa triste estatística que acaba pesando para qualquer empresa de transportes, há 18 meses a Brightline conduz o programa “Operation Lifesaver Florida” junto com autoridades locais para manter as pessoas fora de controle longe do perigo. Mas parece estar com pouco resultado até então.

O foco do programa é educar as pessoas sobre os perigos dos trens, incentivar os cuidados com a saúde mental daqueles que buscam o suicídio como solução para seus problemas e aplicar as leis de invasão de trilhos de trem.

Para isso, desde que começou a operar suas linhas no sul da Flórida, a Brightline trabalha com organizações sem-teto, centros juvenis e escolas para ajudar a educar as pessoas sobre a conscientização sobre segurança ferroviária e fornecer recursos para doenças mentais.

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Há suicídios em todos os grupos demográficos e etários, mas é a segunda principal causa de morte entre as idades de 15 a 24 anos.

Outra importante iniciativa existente é a central de ajuda pelo 211 – onde o atendimento é 24h por dia e sete dias da semana – e pessoas encontram ajuda do outro lado da linha para aconselhamento em saúde mental, alimentação, hospedagem e outras soluções para problemas que estejam enfrentando.

“211 funciona 24 horas em qualquer idioma e sete dias por semana. Nunca fechamos e estamos aqui para conversar com alguém a qualquer hora, dia ou noite”, disse Billie Morgan, diretora do 211 Helpline em Broward ao Sun Sentinel.

Nos dois primeiros anos de operação, a Brightline superou o Tri-Rail e outras linhas em todo o país na taxa de pessoas mortas ao longo de seus trilhos. Na Flórida, a empresa de trens de alta velocidade opera nos centros das cidades de Fort Lauderdale, West Palm Beach e Miami, com planos de chegar até Orlando em 2021.

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Assim, se transformando em estatísticas, muitas vidas se perdem nos trilhos da Flórida. Mas os trens não vão parar de passar, bem como as pessoas que passam por algum sofrimento não vão deixar pensar neles como uma forma de dar fim à própria vida. A solução está nos dois lados: proteger as passagens dos trens e as mentes humanas.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.



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