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A humanidade adoece

“A humanidade tomou o caminho errado: estamos adoecendo rápido e coletivamente”, disse o médico psiquiatra, professor e escritor brasileiro Augusto Cury. E não foi agora por causa da pandemia de coronavírus não. Esse pensamento do escritor foi dito em 2017.

Mas ele está errado ou a humanidade está mesmo doente? Guerras civis, violência, terrorismo, tráfico de pessoas e de animais, homicídios, depressão, suicídio. Estamos adoecendo não só no corpo físico, mas também na saúde mental e espiritual.

E o novo coronavírus veio para nos mostrar como a humanidade funciona. Uma pandemia que colocou em alerta todos os países do globo boa parte da população em casa. Não é a única, já aconteceram outras, sabemos. Mas essa é uma pandemia que alcançou mais países e ainda não há cura.

“‘O planeta ficou doente porque está com a humanidade baixa'”. Vi nas redes sociais essa frase que parece piada, mas acho bastante séria. Acredito que nossa humanidade está realmente baixa, e por isso vivemos num planeta doente – individualmente, socialmente e ecologicamente. Estamos desconectados de nós mesmos, das pessoas à nossa volta, do nosso ambiente, do nosso planeta. Estamos desumanizados”, opina Sandra Caselato. Em seu texto “Injeção de humanidade para enfrentar o coronavírus” publicado pelo portal UOL, a especialista em comunicação traz à tona o pensar psicológico da situação.

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“Precisamos recuperar nossa humanidade, a começar com a conexão com nós mesmos: olhar para dentro, nos reconectar com o que ocorre em nosso interior, com o que nosso corpo nos diz por meio de nossas sensações físicas, sentimentos e necessidades”, analisa.

Esse período de isolamento social forçado é benéfico para a situação: o meio mais eficaz de evitar a propagação do vírus e assim não causar um colapso no sistema de saúde local. Todavia, ficar isolado completamente sem ninguém – há aqueles que estão em casa com familiares, mas há aqueles que já estavam ou por N motivos precisaram ficar só – pode trazer algum problema psicológico.

Depressão, ansiedade, síndrome do pânico – é preciso e altamente necessário cuidar da saúde mental nesse período. Ler, fazer palavras cruzadas, usar as redes sociais para se manter em contato com a família. Afinal, agora é mais do que a hora para ser beneficiado pela internet. Em outros tempos, não seria possível ver e conversar com os familiares em tempo real como agora pelas redes sociais. Isso ajuda a superar o medo e a ansiedade gerados pela situação.

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Como pagar o aluguel se não estou trabalhando nesse momento? E a conta de água, de luz e da própria internet que tanto preciso agora? Essas preocupações estão deixando muita gente desesperada. Nem todos os países possuem recursos para ajudar sua população como os EUA que aprovaram um acordo de US$2 trilhões para ajudar famílias, empresas e o sistema de saúde.

Na Flórida, empresas de serviços financeiros, programas de assistência sem fins lucrativos, serviços públicos e agências de assistência governamental estão adotando maneiras de ajudar os consumidores a passar pelas próximas semanas e meses de demissões, interrupções de negócios e quarentenas.

Mas e quem não terá esse suporte financeiro? Como será nos próximos meses? Muita gente vai adoecer ainda mais depois dessa pandemia. Virá aí uma recessão global inesperada onde cada país vai tentar salvar a si próprio.

Se antes, a impressão era de que a humanidade estava doente, agora teremos certeza. Mas doente não só no sentido do vírus – porque esse vai passar com vacinas e remédios já sendo criados – mas doentes por não conseguir se levantar e encarar a vida como antes.

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Como cita Caselato:”É como se o coronavírus estivesse nos convidando a repensar nossas vidas e nossas estruturas socioeconômicas, nos mostrar que somos interdependentes. É uma oportunidade para nos reconectarmos mais profundamente com nossos próprios valores pessoais e coletivos”.

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Arlaine Castro
Arlaine Castro
Arlaine Castro Mineira, formada em Comunicação Social - Jornalismo pelo Centro Universitário do Leste de Minas Gerais (UNILESTEMG). Traz em seu currículo experiências como assessora de comunicação, escritora, revisora e organizadora do livro Eta Babilônia. Atualmente é repórter do Gazeta News.



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