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Vírus da gripe espanhola pode ter vindo de aves, diz estudo

O vírus da gripe espanhola que matou 50 milhões de pessoas em 1918/19 provavelmente surgiu nos pássaros, de acordo com um estudo americano publicado na revista científica Nature.
Os autores do estudo descobriram que o vírus compartilha de caraterísticas genéticas com o vírus que circula atualmente na Ásia.

Eles dizem que a descoberta ressalta que o atual vírus representa uma ameaça para os seres humanos mundialmente.

Em outro trabalho científico sobre a doença, publicado na revista Science uma equipe americana conseguiu recriar, em ratos, um vírus igual ao de 1918.

O vírus foi recriado a partir de amostras dos restos mortais das vítimas da pandemia do século passado por uma equipe do Instituto de Patologia das Forças Armadas dos EUA e está armazenado no Centro para Controle de Doenças e Prevenções, em Atlanta, sob estritas condições de segurança.

O Centro para Controle de Doenças e Prevenções dos Estados Unidos defendeu a necessidade de recriar o vírus de 1918 para entender as propriedades biológicas que o tonaram “tão excepcionalmente letal”.

“Ao desmascarar o vírus de 1918, nós estamos revelando alguns dos segredos que vão nos ajudar a prever e a nos preparar para a próxima pandemia”, afirma a diretora do Centro, Julie Gerberding.

Os cientistas pretendem realizar outros experimentos para entender melhor as propriedades biológicas que tornaram o vírus tão letal.

Código genético

Os cientistas conseguiram recriar toda a sequência genética do vírus e descobriram que ele continha elementos que eram novos para os seres humanos da época.

Foi a análise dos três últimos trechos do código genético do vírus que revelou as semelhanças com o vírus da gripe aviária encontrado atualmente apenas em pássaros, como a variação H5N1 – que matou pelo menos 65 pessoas.

As mutações identificadas pelos pesquisadores americanos foram encontradas justamente nos genes que controlam a capacidade do vírus de se replicar em células hospedeiras.

Segundo os cientistas, essas mutações podem ter ajudado o vírus de 1918 a se replicar de forma mais eficiente.

No estágio atual, o H5N1 compartilha apenas algumas dessas mutações com o vírus da gripe espanhola.

No entanto, os pesquisadores temem que elas possam ser suficientes para aumentar a virulência do H5N1, conferindo-lhe o poder de provocar uma grave infecção humana mesmo sem se combinar com uma versão que atinge humanos.

Muitos especialistas acreditam que é apenas uma questão de tempo até que H5N1, ou uma variação similar, possa matar um número muito maior de pessoas, possivelmente depois de se combinar com um vírus que afeta humanos.

Os pesquisadores acreditam que duas das maiores pandemias de gripe do século 20 – em 1957 e 1968 – foram causadas por vírus que afetam humanos e adquiriram dois ou três genes das variações que atingem aves.

Mas eles acreditam que o vírus da gripe espanhola era um vírus que inicialmente afetava apenas pássaros e que se adaptou para humanos.

O pesquisador-chefe da equipe responsável pelo estudo da Nature, Jeffery Taubenberger, também acredita que as descobertas podem ajudar na preparação para uma próxima pandemia.

“Determinar se variações de vírus que podem causar uma epidemia de influenza podem emergir por diferentes caminhos vai afetar o foco e o escopo dos esforços de prevenção e monitoramento (da doença)”, disse Taubenberger.

Para o especialista em virologia da Queen Mary College de Londres, John Oxford, os indícios de que o vírus tem o potencial para passar para humanos antes de se combinar com uma variação humana apenas aumentam as preocupações em relação à gripe aviária.

“Este estudo dá uma nova advertência de que o H5N1 precisa ser levado mais a sério do que tem sido até agora.”

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