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Terra Brasilis: o desafio de iniciar um centro cultural brasileiro em Broward

Um educador-empresário e uma escritora-ativista se uniram para
criar um projeto por muitos considerado “vital”, mas ao mesmo
tempo “muito trabalhoso” de ser levado à frente. Luiz Claudio Carvalho e Ângela Bretas falam sobre o Centro Cultural Terra Brasilis que chega com humildade mas muita disposição. Veja a entrevista completa.

Gazeta – O que motivou o ILC a viabilizar o espaço para a criação da “Terra Brasilis” ?
Luiz Claudio – O que sempre me motiva como pessoa, professor, empresário e também cidadão brasileiro:  divulgar nossa cultura, estimular o crescimento das pessoas através da leitura e prestar apoio a todos, dentro de minhas possibilidades, o que me procuram solicitando ajuda neste sentido. O Inter Learning Center está sempre compromissado com causas nobres que visem ao melhoramento pessoal da nossa comunidade também.
Ângela Bretas – Principalmente a falta de uma biblioteca comunitária, com livros no idioma português,  na região de Broward e Palm Beach. Há algum tempo buscava um espaço para a criação de uma biblioteca comunitária. Iniciei em 2002,  um abaixo assinado ‘’petition’’ recolhendo assinaturas de brasileiros com a finalidade de enviar para um congressista de Palm Beach,  requisitando que livros no idioma português fossem inclusos nas bibliotecas de Palm Beach County. Na época, essa iniciativa solitária e idealista foi destaque nos jornais americanos Sun Sentinel e West Boca News. Como não obtive as 1.500 assinaturas necessárias e teria toda uma burocracia a ser enfrentada junto aos orgãos americanos, resolvi tentar encontrar um empresário  local que apoiasse a idéia e que pudesse dispor desse espaço. Conhecendo a integridade do Sr Luiz Carvalho do INTER-Learning Center, propus a criação da biblioteca dentro do espaço do INTER-Learning,  que funcionará sem fins lucrativos, somente visando suprir a carência encontrada pelos imigrantes das regiões mencionadas, no que diz respeito ao acesso de livros em português.
 
Gazeta –  Qual a sua impressão das primeiras reações da comunidade ?
Ângela – A impressão está sendo positiva. Para se ter uma idéia, em uma semana após inaugurada, recebemos cerca de 150 doações vindo de brasileiros residentes nessas regiões. Indivíduos que tomaram conhecimento da campanha de arrecadação de livros através da mídia e resolveram colaborar. Iniciamos nossa biblioteca com um acervo em torno de  400 livros e já estamos com quase 600. Apesar do modesto número é bem diversificada, dentre eles constam clássicos da literatura brasileira, romances, livros infanto-juvenil, livros didáticos, livros religiosos, de auto-ajuda, gibis e até livros de culinária!Estamos recebendo diariamente vários telefonemas – e e-mails –  de pessoas interessadas em conhecer mais sobre os projetos, querendo colaborar, fazer parte de alguma forma.
Luiz Claudio – Muito boa. Porém, devo admitir, gradual e pausada. Acredito que todos os veículos de imprensa podem ajudar também, divulgando e incentivando mais, colocando o assunto em evidência. Numa pesquisa realizada no Brasil e aqui nos Estados Unidos, constatou-se que as pessoas, de maneira geral, lêem muito pouco; em média, menos de um livro completo por ano. Nem por isso devemos nos desencorajar com o desafio. Acredito que começa com os nossos exemplos e todos nós, através do nosso incentivo, apoio e determinação no sentido de nos tornamos melhores, podemos contribuir bastante, estimulando outras pessoas a fazerem o mesmo e a descobrirem na leitura não só momentos de enriquecimento cultural, mas também de lazer e de muita diversão. Ler pode se tornar muito interessante, especialmente se você escolher temas de sua preferência. É por isso que eu vejo a biblioteca como um local apropriado para que isso ocorra. Achei a idéia muito boa; tem e sempre terá o meu apoio.
 
Gazeta – Como você vê a gama de serviços que o “Terra Brasilis” pode oferecer à comunidade ?
Luiz Claudio – Ampla, desafiante e audaciosa, o que me caracteriza como indivíduo também. Sabemos que os desafios são grandes no sentido de convencer as pessoas a mudarem para melhor. Mas não existe progresso sem essas mudanças e todos nós podemos dar a nossa parcela de contribuição através dos nossos exemplos. O TERRA BRASILIS é um grande exemplo. Exemplo de que é possível ter idéias, visões, metas de fazer algo bom, e acreditar nelas. Mais importante ainda é apoiar e encorajar iniciativas que nos despertem e nos façam crescer como indivíduos e como cidadãos. Ler promove crescimento, criatividade e é considerado o exercício mental que mais estimula o cérebro através da criação de sinapses que, em outras palavras, nos tornam mais inteligentes. Se a idéia de ser mais inteligente ou melhorar o aflige, basta parar de ler.
Ângela – O Terra Brasilis é um projeto piloto,  minha idéia inicial era a biblioteca comunitária. Constatei entretanto que havia a necessidade ampliar o projeto,  expandindo para áreas que favoreceriam não só os amantes da literatura, mas também aos interessados em teatro, dança, pintura, etc. A partir daí nossa missão passou a ser uma referência cultural aos imigrantes brasileiros. Existe um verdadeiro filão de anônimos artistas locais que não possuem um espaço para ‘’libertar’’ , digamos assim, a sua arte e estão aplaudindo a iniciativa. Pretendemos efetuar reuniões mensais, aberta ao público em geral, para tentar formar grupos de leitura, oficinas de atores, promover concursos de poesias, efetuar palestras  e leituras com temas direcionados a incentivar a criação e a arte como num todo… 

Gazeta – O que é necessário para que o “Terra Brasilis” tenha sua sede própria e possa avançar em direção a programas mais ambiciosos em outras áreas, além da biblioteca?
Ângela – Principalmente o apoio da iniciativa privada e de voluntários, ou seja,  o apoio dos empresários e pessoas que se predisponham a abraçar a causa por amor a arte e a cultura. Há muito a ser feito e sem esse apoio fica impossivel direcionar programas mais ambiciosos. Por exemplo, estamos necessitando mais pratelerias, voluntários para auxiliar a catalogar os livros, pessoas interessadas em auxiliar a coordenar os projetos, artistas que queiram doar um pouco de seu tempo e talento, etc. Nosso objetivo é criar uma espécie de um espaço comunitário cultural .
Luiz Claudio – Que encontre apoio financeiro dos empresários e apoio dos demais, no sentido de leitura. Ganhou o meu de imediato. Todos sabemos que, de certa forma, os empresários brasileiros têm responsabilidades com seus conterrâneos, pois é através deles que a maioria possui seu empreendimento alicerçado. Dessa forma, temos um compromisso uns com os outros no sentido de nos ajudarmos mutuamente. Enganam-se aqueles que surgem com frases do tipo, “Não quero negócio com brasileiro”; e por que não? Se você não valorizar a sua própria cultura e o seu próprio povo, você espera ser valorizado dentro deste ou de qualquer outro país?” A américa foi construida por imigrantes em sentido estrutural; que tal agora mostrarmos também que podemos influenciar uma América cultural e intelectualmente? Desenvolver o hábito da leitura é um excelente começo, e desafio a todos engajarem no mesmo processo.

Gazeta – O que você diria ao empresário da comunidade brasileira com relação ao compromisso em apoiar nossa cultura?
Luiz Claudio – Que participem, pois todos temos uma grande responsabilidade também no sentido de ajudar, influenciar e formar opiniões. Que jamais se omitam para encorajar ou destinar qualquer atenção neste sentido o que caracterizaria uma verdadeira falta de patriotismo. Patriotismo é ter orgulho de sua etnia e incentivar sua cultura. Como bem colocou Olavo Bilac: a pátria é a nossa língua. Preserve-a, divulgue-a, participe e contribua com o seu apoio, aprendizado e valorização, dando o retorno aos cidadãos que fazem de você, através da aquisição dos seus produtos e serviços, o empresário e/ou líder que você é hoje e, melhor ainda, que poderá se tornar amanhã – lembrem sempre disso!
Ângela – Diria que o compromisso com a nossa cultura e nossa brasilidade não se resume somente na exposição da bandeira do Brasil na parede ou na camiseta. A maior riqueza que possuímos é nossa origem, são nossas raízes. Um povo perde a identidade quando ignora a  lingua nativa,  quando esquece os costumes.  Apoiando a cultura estaremos aguando uma semente que será colhida por gerações futuras, os filhos e filhas dos milhares de imigrantes aqui reunidos. 

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Gazeta Admininstrator
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