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Taekwondo: muito além de uma luta

Por Atilano Muradas

Os ocidentais, em geral, não distinguem bem os chineses, japoneses, coreanos, tailandeses e filipinos. Pensam que todos são do mesmo país e têm a mesma cultura. Especificamente em relação às artes marciais, então, imaginam que toda luta praticada por eles chama-se Kung Fu, principalmente, depois do sucesso de Bruce Lee no cinema. O Kung Fu é da China, o Karatê tem um pé na China e o outro no Japão, e o Taekwondo é da Coréia. Hoje, vamos falar um pouco sobre o Taekwondo.

O Taekwondo (Tae Kwon Do ou Taekwon-Do) é uma arte marcial coreana que surgiu há cerca de dois mil anos. “Tae” significa saltar, voar ou esmagar com o pé, “Kwon” quer dizer bater ou destruir com a mão ou o punho, e “Do” é a arte em si, o caminho, o método.

Atualmente, o Taekwondo é um esporte difundido em todos os continentes. Nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, ele teve o seu “batismo de fogo” quando se converteu num esporte olímpico de exibição. Em Atlanta, 1996, já constava para a disputa de medalhas, contudo, somente nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, consagrou-se como esporte olímpico oficial.

No mundo, existem cerca de 3 mil escolas de Taekwondo, sendo que a metade está nos EUA. Só na Flórida são 110 academias. Em Deerfield, a sete anos, existe uma dessas que é muito frequentada por brasileiros, a ATA Black Belt Academy of Deerfield. Os proprietários são os americanos John Peek e Camela. John pratica Taekwondo a 24 anos e é instrutor a 22. Camela começou antes e foi a responsável pela primeira graduação de John. Atualmente, a academia tem 150 alunos e vários instrutores. Outra grande área de escolas é no Brasil.

O carioca Pedro Paiva, um dos instrutores da ATA, vive há onze anos nos Estados Unidos, praticava artes marciais no Brasil e conhece bem os efeitos do Taekwondo. Seu filho, Kevin Paiva, de 8 anos, já treina na ATA a quase dois anos, uma hora de aula diária, seis dias por semana. “Depois que meu filho entrou nas aulas de Taekwondo ele ficou muito mais disciplinado na escola e em casa. Agora ele arruma até a cama dele”, conta Paiva. Ter aulas seis dias por semana só é recomendável para quem já está praticando a tempos. “Um iniciante deve começar gradativamente para que o corpo se adapte”, explica Pedro.

Kevin, filho de Pedro, e Mateus, sobrinho de Mário (um português casado com uma brasileira), já ganharam muitos torneios importantes, inclusive, o campeonato nacional, onde disputam atletas até de outros países. Apesar de jovens, eles já ostentam muitas medalhas e troféus. Têm em quem se inspirarem. Um dos mestres de Taekwondo mais graduados do mundo é um brasileiro: o Mestre Ozuna.

O Taekwondo é excelente para aqueles que procuram fazer uma atividade física e já estão cansados das aulas convencionais de ginásticas oferecidas nas academias. Ele é um esporte que desenvolve a parte física e mental do praticante, seja ele adulto ou criança. Desenvolve a coordenação motora, trabalha a memória, ensina disciplina e valores, bem como noções de hierarquia e respeito. Além disso, desenvolve o espírito de luta, a autoconfiança, o espírito de liderança, a seriedade, a paciência e a humildade e também é um método eficiente de defesa pessoal.

Algumas crianças foram encaminhadas ao Taekwondo porque davam muito trabalho na escola. Mário diz que os professores estão sempre arguindo os pais a respeito dos filhos em casa. “Minha filha mais nova também melhorou assustadoramente o comportamento; faz até massagem em mim”, conta Mário, orgulhoso. Ele também cita crianças de outras nacionalidades (Jamaica, Espanha, Índia, China, Coréia, etc.) que também melhoraram o comportamento depois que passaram a praticar o Taekwondo.

Algumas pessoas associam as artes marciais com religião. O Taekwondo não é uma religião. Basta observar que os seus praticantes são de diversas religiões. Pedro é católico, Mário é evangélico, e o casal proprietário da academia, John Peek e Camela são evangélicos da igreja batista. “O Taekwondo não é uma religião nem uma filosofia. O Taekwondo é um estilo de vida. Nós discutimos a atitude da faixa preta (black belt atitud)”, diz John. Segundo ele, os praticantes do Taekwondo não ficam violentos porque além de aprenderem a luta em si eles também desenvolvem o autocontrole e o respeito.

Patrícia, tem um filho de 7 anos, Hugo Lima, freqüentando a ATA a um ano e meio, e diz não encontrar aspectos negativos no fato do seu filho praticar o Taekwondo. “Meu filho vem três vezes por semana e adora estar aqui. Ele se tornou mais disciplinado do que era. No geral, ele ficou mais tranquilo e procura ajudar as outras pessoas”, conta Patrícia.

No início e ao final de cada seção de treinamentos, os alunos recitam um juramento que reforça bem o “espírito do taekwondo” que consiste nos princípios éticos de cortesia, integridade, perseverança, autocontrole e espírito indomável. “Eu prometo, observar as regras do taekwondo, repeitar o instrutor e meus superiores, nunca fazer mal uso do taekwondo, construir um mundo mais pacífico, ser campeão da liberdade e da justiça.”
Quem quiser saber mais a respeito do assunto visite os sites www.ata-brasil.com, www.songahmweb.com e www.atakarate4all.com.

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