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Suicídio entre adolescentes: Quando se preocupar com o seu filho?

Desde que o jogo “Baleia Azul” e a nova série do Netflix “13 Reasons Why” começaram a ocupar espaço na mídia nos últimos meses, a preocupação com o suicídio entre os adolescentes foi trazida à tona. Embora seja incerto que tanto a série quanto o jogo tenham aumentado o número de suicídios ou as tentativas, profissionais e educadores têm pedido maior atenção dos pais.

De acordo com o Florida Initiative for Suicide Prevention (FISP), houve 11 casos de suicídio de adolescentes em Broward desde o início do ano letivo (agosto de 2016). Desse total, dois eram brasileiros, segundo a psicóloga do South Florida Conseling, em Davie, Karina Lapa. “Embora não seja uma questão epidêmica de suicídio, o número é alto para o condado”.

A série lançada há um mês “13 Reasons Why”, baseada em um livro do mesmo título, de 2007, conta a história de uma aluna de high school que comete suicídio, levantando críticas e preocupação. Enquanto traz o assunto à tona para ser discutido, pode levar jovens psicologicamente desestruturados a quererem seguir o mesmo caminho, acreditam muitos profissionais.

“Não creio se tratar de uma onda de suicídios, no entanto, o que me preocupa é que o tema está virando poético, ‘cool’ para adolescentes usarem o suicídio como mensagem. O suicídio já existe antes da Baleia Azul, ‘13 Reasons Why’, mas é importante mostrar o que está acontecendo porque existe uma desconexão muito grande entre pais e filhos no momento e eles não estão se dando conta do que está acontecendo no universo jovem”.

Distritos escolares da Flórida e de todo o país emitiram mensagens de alerta aos pais conforme o assunto é trazido à tona.

No dia 8 de maio, o superintendente do Broward County Public School, Robert Runcie, enviou uma carta aos pais cujos filhos frequentam escolas do condado, de acordo com o jornal Sun Sentinel.

“Nas últimas semanas, vários tipos de mídia publicaram informações sobre tendências perturbadoras envolvendo saúde mental de adolescentes, danos a si próprios e suicídio, impulsionados pela série do Netflix ‘13 Reasons Why’”, disse a carta. “Nós os incentivamos a monitorar as atividades online de seus filhos e conversar com eles diariamente a respeito de suas experiências”.

No mês passado, o superintendente das escolas do condado de Palm Beach, Robert Avossa, ligou a série a um aumento de casos de ameaça de suicídio entre os jovens, e mandou uma carta no dia 28 de abril para todo o condado falando sobre suas preocupações.

Quase que simultaneamente, o jogo virtual “Baleia Azul” teve grande repercussão na mídia, com dezenas de mortes de adolescentes em vários países, incluindo o Brasil. No jogo, adolescentes são convocados pelo Facebook e WhatsApp e devem cumprir 50 desafios pré-estabelecidos pelos curadores. Entre as tarefas estão a mutilação dos braços com facas, assistir a filmes de terror de madrugada e, na tarefa final, cometer suicídio. Um dos criadores, o russo Philipp Budeikin, foi preso esta semana e está sendo julgado por incitar o suicídio de 16 garotas.

Maior atenção com a saúde mental dos filhos

“Uma doença mental não tratada, como uma depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, uso de álcool e drogas podem puxar o gatilho juntamente com o estímulo externo, como das redes sociais (Facebook, Instagram, Snapchat), onde é ‘cool’ mostrar que você é desbravador, não tem medo, etc”, diz Karina.

“A genética carrega o revolver e o meio ambiente puxa o gatilho”. A psicóloga, que conta com uma porcentagem de 35% de adolescentes entre seus pacientes, explica que antigamente a preocupação maior do pai com um filho era quando ele saía – se ia de carro, com quem, se ia beber, etc. Mas, hoje, também há o risco quando o filho está no quarto.

“Às vezes, o filho está fechado dentro do quarto e os pais, por conta de não dominarem a tecnologia e não entenderem a dimensão dos riscos, pecam nesse aspecto. O jovem já tem essa característica de ser impulsivo e, somar isso a uma doença mental não cuidada, cria um ambiente propício para um possível suicídio ou pelo menos uma tentativa”, explica a psicóloga. “Nunca se viu um adolescente tão isolado. Isso se dá, em partes, por conta de um exagero na utilização das redes sociais, criando a falsa sensação de que está muito conectado com várias pessoas, quando, na verdade, ele não está. Ou seja, ele acaba não desenvolvendo a autoestima, relacionamentos significativos, tendo a falsa impressão de que é popular e está sendo ouvido e bem quisto pelos outros. Redes sociais como o Facebook e Instagram colocam um filtro na vida dos adolescentes, camuflando os problemas de relacionamento dessa geração dos chamados ‘millenials’”.

Segundo o médico, psiquiatra e psicanalista, Dr. Jacques Stifelman, de São Paulo e que atende no South Florida Conseling, o surgimento de casos como essa série serve para esclarecer o tema. “Não que não haja risco, mas o que determina o suicídio em adolescentes não é exatamente o filme ou outra coisa qualquer. O fato é que o suicídio é muito mais possível em pessoas que já tem alguma confusão mental. Apesar de ser um mistério, já que o suicida leva consigo a real motivação, ele sempre é associado a uma confusão mental”.

Suicídio é a 3ª maior causa de morte entre jovens

De acordo com o American Foundation for Suicide Prevention, dos 44.193 casos de suicídio registrados nacionalmente em 2017, a Flórida contou com 3.205, sendo a terceira maior causa de morte entre pessoas de 10 a 24 anos. O total é de 14,38 casos por cada 100 mil habitantes. O índice de mortes por suicídio nos EUA tem aumentado lentamente nos últimos anos. Em 2012, a cada 100 mil habitantes, houve 12,54 casos; em 2013, 12,57; em 2014, 12,93; e em 2015, 13,26.

De acordo com o FISP, para cada mil tentativas de suicídio em 2015, 85 são estudantes de high school ou college (principalmente no primeiro ano). O total de tentativas é 875 mil, das quais 35 mil terminam em morte.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o suicídio é a segunda maior causa de morte entre os jovens em todo o mundo e os países que lideram o ranking são a Índia, Zimbábue e Cazaquistão, que contam com mais de 30 casos a cada 100 mil habitantes.

Sinais de alerta

Segundo Karina, uma combinação de fatores pode levar ao suicídio. O histórico da família ou tentativas anteriores da própria pessoa já são um sinal de alerta. Entre os sinais está a ameaça, que não deve nunca ser menosprezada. Outros incluem: mudanças significativas no comportamento, como dificuldades em dormir, comer, isolamento, falta de interesse, quando o adolescente começa a se desfazer das próprias coisas, o uso de álcool e drogas, preocupação ou obsessão com a morte, interesse súbito em armas, venenos, medicamentos, problemas na escola, dores ou queixas de como se estivesse sempre doente ou quando o adolescente provoca ferimentos a si próprio.

O que fazer
Os pais que notam algum dos sinais descritos acima nos filhos, devem dizer que notaram as mudanças em seu comportamento e expressar preocupação sem julgamentos. Eles devem procurar a ajuda de um profissional.

O que não fazer
“Não mantenha a questão em segredo”, aconselha a psicóloga. “Muitas vezes, o pai esconde a questão que está intuindo da mãe e vice-versa”. Não diga que seu filho está blefando. Não deixe seu filho sozinho. Ouvir o filho, no entanto, não substitui a busca de ajuda de um profissional. “Esse tipo de problema é sério e requer a ajuda de um profissional, o que não é substituído pela ajuda informal ou frequentar uma igreja somente”, disse a psicóloga.

Medicamentos
Dr. Jacques explica que existem medicamentos que podem ajudar muito contra os pensamentos suicidas. “A psiquiatria, hoje, trata de sintomas psíquicos com mais facilidade do que jamais fez. Antidepressivos, reguladores de humor, antipsicóticos, além de ansiolíticos, são parte de um arsenal importante, potente e extremamente úteis para interromper um forte sofrimento mental e ganhar tempo para haver uma elaboração em algum tipo de atendimento psicológico, independente do diagnóstico”.

Como pedir ajuda
Muitas escolas oferecem ajuda, com programa antibullying e antissuicídio. Há também as centrais de ajuda aos suicidas e aos país. Para saber mais, acesse fisponline.org.

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Marisa Arruda Barbosa
Marisa Arruda Barbosa
Paulistana, formada em Jornalismo pela University of South Florida (St. Petersburg) e em História pela PUC-SP. Atua no Gazeta Brazilian News desde 2010.
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