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star wars faz estréria em cannes

Foram 28 anos de espera para chegar a este momento em que Annakin Skywalker veste a máscara de Darth Vader na série Star Wars. Agora, a primeira trilogia está completa. A Vingança dos Sith era o elo que faltava para completar a saga de George Lucas. A exibição para a imprensa, hoje de manhã, em Cannes, foi um sucesso. O Grand Théâtre Lumière, o Palais du Festival, estava lotado. A sala quase veio abaixo aos acordes da sinfonia estelar composta por John Williams. Nenhuma sessão da meia-noite, como as que ocorrerão em São Paulo, no Brasil inteiro e no mundo na quarta-feira, poderá ter vibração maior.

No tapete vermelho da entrada do Palácio do Festival, personagens do filme de ficção científica de Lucas faziam figuração para a passagem dos atores e do diretor. Sharon Stone foi uma das preferidas pelas lentes dos fotógrafos.

Vingança dos Sith é melhor ou pior do que os outros dois filmes (A Ameaça Fantasma e A Guerra dos Clones) que integram a primeira trilogia? O próprio Lucas é quem diz – “Não importa se as pessoas gostam mais ou menos desse ou daquele filme. Para mim, os seis episódios, das duas trilogias, formam um só filme. E esse filme está pronto.” Ele acrescenta que escreveu Star Wars no começo dos anos 70, ainda sob o impacto da Guerra do Vietnã. Se havia alguma analogia a fazer, era em relação àquela guerra. O filme chega após a intervenção americana no Iraque. “Naquele tempo, não havia Iraque”, ele diz.

A transformação da República em Império também tem tudo a ver com esse novo mundo desenhado pelo presidente George W. Bush. “É coincidência”, Lucas jura. Ele queria fazer do filme atual o mais político da série, mas essa não foi uma decisão recente. Há quase 30 anos que as coisas já estavam assim dispostas em sua cabeça.

Os críticos viram semelhanças em frases como “se você não está comigo, então é meu inimigo”, disse Anakin (Hayden Christensen), a seu ex-mentor, Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) antes de converter-se no vilão Darth Vader. Esta frase é muito parecida com a pronunciada por George Bush, após os ataque de 11 de setembro: “Ou vocês estão conosco, ou estão com os terroristas”. Se você é fã de Star Wars – e quem não é? O filme influenciou decisivamente os rumos do cinema nas últimas três décadas -, você não vai ficar decepcionado. Tudo faz sentido, todas as peças se encaixam. A transformação de Annakin em Darth Vader – em francês é Dark Vadór – é, acima de tudo, uma representação simbólica da fragilidade da matéria humana. Star Wars discute política, filosofia, moral. Vale-se da mais desenvolvida tecnologia criada pelo cinema. Isto tudo tem de estar acima do gostei ou não gostei. Exige uma análise mais densa, mais profunda.

E aqui em Cannes, hoje, enquanto o fecho da primeira trilogia era exibido na sessão de gala, à noite, o primeiro episódio da segunda trilogia -o velho Guerra nas Estrelas, de 1977, rebatizado como Star Wars Episódio 4 – A Nova Esperança -, era exibido na praia, numa sessão aberta ao público e prestigiada principalmente pelos jovens.

A roda do festival foi adiante com os novos filmes de Marco Tullio Giordana e Michael Haneke. Você começa chorando de emoção com Quando Sei Nato non Puoi Piú Nasconderti, do diretor italiano. Termina chorando de raiva. O filme conta a história de um garoto que parte numa viagem de barco com o pai e o amigo dele. Cai no mar. A família chora sua morte, mas o garoto é recolhido por outro barco que carrega emigrantes que tentam entrar, clandestinamente, na Itália. O filme é cheio de boas intenções. É demagógico, sentimental e inverossímil. Giordana, autor de grandes filmes como Os 101 Passos e A Melhor Juventude, dessa vez errou feio. A esperança de ver o diretor no pódio ficou mais difícil. E se ele ganhar a Palma de Ouro, todo mundo vai achar que deu a louca no júri de Emir Kusturica.

Há alguma coisa das preocupações de Giordana no filme de Haneke, Caché (Escondido). Um apresentador de TV recebe vídeos que mostram a sua casa, a sua vida. É um homem sob vigilância. Há um crime em seu passado. Refere-se a um imigrante argelino. Não importa o crime, diz o diretor. Importa a consciência que o personagem tem hoje (ou não). É um filme sobre a culpa. O de Giordana também é, mas enquanto Giordana parece não acreditar no espectador e lhe entrega um filme perfeitamente mastigado, Haneke perturba por não ter resposta alguma. Seu filme é aberto (até demais). Uma coisa é certa – é o melhor filme do autor austríaco. Você não precisa ter delirado com Código Desconhecido e A Professora de Piano para apreciar Caché. Os atores, Juliette Binoche e Daniel Auteuil, disseram que foi um prazer trabalhar com Haneke. Irônico, o diretor sentenciou – “É assim mesmo; é mais prazeroso trabalhar comigo do que assistir aos meus filmes.”

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Gazeta Admininstrator
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