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Sobreviventes brasileiros falam da tragédia do acidente aéreo no Peru

Os dois brasileiros que sobreviveram ao acidente do Boeing 737 da Tans, no Peru, contaram o que viram e os momentos de terror que passaram na hora da queda da aeronave, na semana passada. O paranaense Wagner Andolfato Souza, que sofreu queimaduras graves e foi transferido este domingo para um hospital de Curitiba, disse se sentir melhor “só de estar vivo”.

Ele foi identificado inicialmente como um cidadão italiano por causa do sobrenome. Wagner estava sentado na parte traseira da aeronave, próximo às asas, onde houve a primeira grande explosão.

– Eu só tive tempo de cobrir meu rosto com os braços e foi quando eu tive queimadura de segundo grau nos braços e primeiro grau no rosto. Nessa hora quando eu vi uma bola de fogo vindo de encontro a mim eu achei mesmo que iria morrer e não tinha mais jeito – contou ele em entrevista ao “Fantástico”.

Wagner foi submetido a uma cirurgia na sexta-feira para o implante de pele de porco nos braços, um procedimento que acelera a recuperação das queimaduras que sofreu, durante a queda do avião.

Para encontrar o outro sobrevivente brasileiro, o “Fantástico” foi até a Amazônia peruana. A equipe viajou no mesmo vôo 8936, da mesma companhia aérea e em um avião idêntico ao que caiu na floresta. Na chegada a Pucallpa encontraram, no aeroporto, muita gente que ainda procurava parentes desaparecidos.

A caminho do local do acidente, na Floresta, descobriram que o povo estava saqueando o que restou do avião, os ferros retorcidos e até o trem de pouso. O alumínio da fuselagem pode ser vendido por R$ 2 o quilo.

Um dos dois brasileiros que sobreviveram ainda está na cidade de Pucallpa. É o paulista Nivaldo Pappete, mecânico, que embora esteja com a perna fraturada, concordou em voltar ao local do acidente.

– A perna não dói porque estou medicado, mas eu vou ter que engessar a perna quando chegar lá. Mas, para caminhar eu consigo sem problema – contou ele.

Nivaldo mostrou o caminho que percorreu no meio de um pântano, para sair da selva onde o avião caiu.

– A gente parou embaixo de uma árvore. Estava chovendo e queríamos parar porque tínhamos crianças no colo, então paramos embaixo da árvore para se proteger da chuva, porque também estava frio. Paramos e nos agrupamos – recordou. – O perigo maior era quando estávamos tentando se afastar da parte traseira do avião que estava queimando.

– Eu estava no penúltimo banco. Sempre viajo na parte dianteira, dessa vez pedi uma janela fora da asa e como na parte da frente já estava cheia, me colocaram atrás e foi a minha sorte. Já estava a dois minutos de aterrissar, com o trem de pouso aberto, já estava em procedimento de descida. O piloto avisou que ia entrar em uma área de turbulência. Antes dela, o céu estava limpo, azul. Mas, a partir do momento que entramos nessa área de turbulência já estávamos perto, devíamos estar a 800, mil metros de altura. A hora que entrou nessa área, o avião perdeu completamente o controle. Todos se assustaram, mas ninguém gritou, ficaram todos calados – contou ele.

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Gazeta Admininstrator
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