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The Shack: Entrevista com a atriz premiada Octavia Spencer

A atriz premiada Octavia Spencer está no novo drama The Shack, da Lionsgate, que já está em cartaz. Octavia ganhou o oscar de Melhor Atriz Coadjuvante em 2012 pela sua atuação no filme The Help. Esse ano, Octavia subiu ao palco no último domingo, 26, com as atrizes Taraji P. Henson e Janelle Monáe. Elas também estão em Hidden Figures junto com Katherine Johnson, de 98 anos, uma das pioneiras da NASA que ajudou a enviar o homem para Lua em 1969. Esse momento da premiação foi muito emocionante e ovacionado pela plateia dos famosos de Hollywood.

Mas, hoje, estamos aqui para contar sobre a personagem que Octavia está interpretando no The Shack. O filme acompanha a história de uma homem que vive atormentado após a morte da sua filha mais nova, que desapareceu e nunca foi encontrada, Mas, alguns sinais encontrados na investigação, mostram que ela teria sido violentada e assassinada em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe uma carta misteriosa para retornar a essa cabana, onde ele encontrará com Deus.

Baseado no best-seller The Shack (A Cabana), que também foi traduzido para o português, de William P. Young, foi dirigido por Stuart Hazeldine e teve o roteiro adaptado por John Fusco, Abdrew Lanham e Destin Daniel Cretton. Além de Octavia, que interpreta Deus de uma maneira espetacular, estão no elenco Sam Worthington, Tim McGraw, Radha Mitchell, Avraham Aviv Alush, no papel de Jesus, a atriz brasileira Alice Braga, entre outros. Alice interpreta Sophia, a sabedoria.

Como mencionei, Octavia interpreta Papa ou Deus e ajuda um homem que está de luto porque não concorda com a súbita perda de sua filha. Com a exceção de Whoopi Goldberg e Alanis Morissette, poucas foram as atrizes em Hollywood interpretaram Deus. Agora Octavia se junta a esse pequeno e ilustre grupo.

Durante o dia de imprensa para a divulgação do filme, tivemos a oportunidade de conversar com a atriz ao lado de outros jornalistas. Confira!

Você ligou para Morgan Freeman para pedir conselhos de como interpretar Deus?

Octavia – Não! Nós interpretamos diferentes encarnações de Deus. Eu acho que o meu é mais filosófico e o dele é mais divertido. Para mim, foi uma grande empreitada e eu realmente tive que trabalhar bem a personagem. Então, o que eu fiz foi basicamente trabalhar na relação entre Mack e Papa, fiz como se eu fosse sua mãe adotiva que o decepcionou e estou tentando reconstruir essas pontes para que ele pudesse confiar em mim novamente.

A atriz Octavia Spencer ao lado de Sam Worthington em cena do drama The Shack. Credito: Lionsgate.

O que você leu primeiro, o livro ou o roteiro?

Octavia – Eu li o livro independentemente de qualquer conversa sobre o filme. Eu li o livro há alguns anos atrás, então eu sou uma das fãs de William. Quando eu soube que os produtores Gil Netter e Lani Netter estavam fazendo isso, eu fui atrás deles para tentar convencê-los o porquê eu deveria ser Papa.

Por que esse papel a atraiu?

Octavia – Não é a personagem, é o material como um todo. Eu amo a mensagem do livro. Eu amo o fato de que William Paul, o autor, escreveu este livro onde um homem qualquer tem uma conversa com Deus e ele faz perguntas duras, difíceis, e Deus responde. Eu pensei que era uma maneira única e original de olhar para a religião e para as pessoas, olhar como esse papel pode influenciar o seu ambiente.

Você acha que o filme é sobre tentar fazer algo que ninguém pode fazer sozinho?

Octavia – Eu odeio dizer às pessoas o que elas devem pensar, porque eu realmente tenho uma aversão quando as pessoas me falam o que pensar. Eu gosto de apresentar o material e deixá-lo para que você pegue dele o que você precisa. Para aquelas pessoas que irão assistir ao filme e perceberem talvez que elas não podem fazer sozinhas, então talvez essa seja a mensagem que é para elas. Eu só sei que a única coisa que todos nós temos em comum, são os desafios que temos na vida. Ninguém vive uma vida sem desafios.

Na história, você acha que sua aparição para Mack é como se fosse alguém que ele mal se lembra da sua infância?


Octavia –
É engraçado porque eu não li o prefácio na primeira vez que li o livro, então perdi todas as informações sobre ele ter sido abusado e outros detalhes, que são muito importantes. Então, lendo-o novamente, pela segunda vez e com o prefácio, me deu duas perspectivas diferentes das coisas. Não lendo o prefácio eu pensei: “Oh, esta é uma maneira interessante de apresentar a luta do homem consigo mesmo e sua identidade como cristão”. No prefácio do livro, você percebe que a única pessoa a mostrar bondade foi esta mulher. Eu sinto que é definitivamente uma nova narrativa se uma pessoa é traída por um de seus pais. Agora, se fosse sua mãe que tivesse sido tão abusiva com ele, eu acho que Deus teria se revelado como o pai convencional, mas ele tinha se decepcionado com seu próprio pai. Aí, um homem tira a sua filha. Então, Deus decidiu que a melhor maneira para ele receber a mensagem era revelar-se como a única pessoa que o mostrou bondade e carinho quando criança, porque foi aí que ele teve que retornar para encontrar essa cura. É definitivamente uma parte da narrativa.

Você recebeu muitos elogios por suas performances em The Help de 2011 e Hidden Figures de 2016. Como isso a afetou?

Octavia – Ser reconhecida pelos Globo de Ouro e SAG e agora pela Academia por esse papel em Hidden Figures é maravilhoso. Mais uma vez, estou interpretando uma mulher que, em sua vida, fez essas contribuições para a ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, sigla em inglês que significa Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) e para a NASA. Assim como para mim, está fechando um ciclo para ela e sua família, e eu sou agradecida por isso. Eu queria fazer parte dessa história porque pensei que era hora do mundo saber o que essas mulheres contribuíram para a NASA. E também para incentivar a próxima geração de jovens mulheres do STEM, e mudar seus sonhos e como elas podem realizá-los.

Falando em Oscar, você acha que esse ano os nomeados foram mais diversificados?

Octavia – Eu não sou uma daquelas pessoas que acreditaram no #OscarsSoWhite porque quando você diz ‘diversidade’ e as pessoas só se referem aos negros, então você está vendo somente duas representações. Há asiáticos, latinos, gays, lésbicas, pessoas com deficiência, pessoas com todas as formas e tamanhos. Para mim, isso é o que a ‘diversidade’ significa. Então, eu estou feliz que há mais pessoas negras nomeadas, sim, estou feliz que há mais filmes feitos por eles que chamou a atenção da Academia, sim, mas para mim o problema não começou com o Oscar. É o final de uma temporada. Para mim, começou com a pré-produção dos filmes, quando se tem o sinal verde e quanta diversidade há no seu elenco. Então, podemos ter uma longa conversa sobre diversidade, pois há muitas mais pessoas que querem se ver representadas e esse é o problema.

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Jana Nascimento Nagase
Jana Nascimento Nagase
Jornalista paulistana formada pela PUC de São Paulo e pós-graduada em Broadcast Communication pela Barry University. Vive na Califórnia e entrevista atores, diretores, produtores e outros envolvidos nos maiores lançamentos do cinema americano. Site: www.janaoncamera.com Canal no Youtube: www.youtube.com/user/janaoncamera
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