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Senão ou se não? Como usar a expressão de forma correta?

Começo o texto de hoje com a seguinte pergunta: você sabe quando usar o “se não (separado)” e quando usar o “senão (junto)”?

Essa, com certeza, é uma dúvida que passa pela cabeça de muitos falants de Língua Portuguesa. Então, vamos entender.

SENÃO (junto) significa “do contrário” ou “caso contrário”. Veja o exemplo:

É melhor nosso time ganhar hoje, senão será um vexame.
É melhor nosso time ganhar hoje, do contrário será um vexame.
É melhor nosso time ganhar hoje, caso contrário será um vexame.

SENÃO (junto) ainda pode ter valor de: MAS, MAIS DO QUE, A NÃO SER, COM EXCEÇÃO DE ou até de um SUBSTANTIVO. Veja mais exemplos:

A escalação do time não cabe a ninguém, senão (mas) ao Felipão.
Para qualquer atacante, o gol não é senão (mais do que) uma obrigação.
Os jogadores não cortaram o cabelo, senão (a não ser, com exceção de) Neymar.
A gente pode dizer que houve um senão (uma falha) na coletiva dos jogadores.

Vale observar que o SENÃO (junto), como substantivo, pode significar falha, defeito ou obstáculo. Como na frase: “Essa bolsa tem apenas um senão: é muito cara.”

Por outro lado, SE NÃO (separado) é a combinação de “se” (conjunção) com “não” (advérbio de negação). Dessa forma, a expressão pode ser substituída por “caso não” ou “quando não”. Veja os exemplos:

Se não sair tarde, vou até sua casa ver o jogo de hoje.
Caso não saia tarde, vou até sua casa ver o jogo de hoje.
Para a próxima temporada, o time vai contratar pelo menos quatro jogadores, senão (quando não) cinco ou seis.
Se não chover (caso não chova), haverá jogo do Brasil no estádio Mané Garrincha.

É importante lembrar que, no uso, as duas formas são muito semelhantes. Em casos como esse, normalmente, apenas uma das formas “sobrevive”. Neste caso, a tendência é de que fiquemos com o SENÃO (junto) para todos os contextos. Mas, por enquanto, ainda existem as duas formas. E, para um uso formal do idioma, é preciso saber qual é a correta para cada contexto.

Pensar em um Português Brasileiro não é abandonar as regras para falar e escrever do jeito que cada um achar melhor. Todas as línguas do planeta mudam com o tempo. E com o Português não é diferente. Portanto, vamos respeitar as origens e o uso efetivo da língua. Talvez, assim, possamos pensar em uma língua mais dinâmica e mais próxima de todos os usuários.

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Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese.Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
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