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Satélite mostra que mais da metade da zona urbana de Manaus foi desmatada.

Manaus (AM) – Dos 44 mil hectares da zona urbana de Manaus, 28 mil já foram desmatados – sendo que 34,3% das áreas verdes perdidas (ou seja, 9,6 mil hectares) foram destruídos entre 1986 e 2004. Esta é a principal conclusão de um estudo divulgado hoje (22) pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam).

O estudo do Sipam foi realizado por oito pesquisadores, entre julho do ano passado e fevereiro deste ano. Eles analisaram imagens de satélite Landsat referentes a 1986, 1995 e 2004. O levantamento mapeia a perda e a manutenção de áreas verdes em cada uma das seis zonas administrativas da capital amazonense (Norte, Sul, Leste, Oeste, Centro-Oeste e Centro-Sul).

“Muita gente fala do desmatamento no interior da floresta. Mas nosso objetivo foi alertar também para a destruição das áreas verdes nas zonas urbanas”, declarou a analista coordenadora do estudo, Ana Cláudia Nogueira.

A geógrafa Bertha Becker, uma das maiores estudiosas da Amazônia, também costuma chamar a atenção para a realidade urbana da região. Segundo ela, cerca de 70% dos 20 milhões de habitantes amazônicos moram nas cidades (sejam elas grandes ou pequenas).

“A gente percebe que o desmatamento de 1986 a 1995 foi de quase 5 mil hectares. E que entre 1995 a 2004, ele passou um pouco de 5 mil hectares”, explicou Nogueira. “Ou seja, a taxa de desmatamento praticamente se manteve”.

“Esse diagnóstico não foi demandado por nenhum órgão”, esclareceu o gerente do Sipam em Manaus, Luciano Laybauer. “É um trabalho pró-ativo, que pode servir de subsídios para ações governamentais”.

A zona urbana de Manaus corresponde a apenas 4% da área total do município, mas concentra sua população estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 1,8 milhão de pessoas. “A população da cidade cresceu 120% nos últimos 20 anos”, afirmou Nogueira. “Mas não se pode culpar o migrante pela degradação ambiental. Todos temos nossa parcela de culpa e podemos, também, contribuir para a solução desse problema”.

A coordenadora de Áreas Protegidas da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Manaus, Rosana Subirá, lembrou que a maioria dos fragmentos de área verde da cidade estão isolados. “A gente está trabalhando com o conceito de corredores ecológicos. Precisamos integrar essas áreas, na medida do possível, para garantir o fluxo gênico [o deslocamento dos animais]”.

Ela afirmou ainda que a maior parte da vegetação nativa remanescente na cidade se localiza em propriedades privadas. “Por isso incentivamos a criação de reservas particulares do patrimônio natural, um modelo de unidade de conservação previsto em lei”, justificou. “Conseguimos que a primeira fosse criada neste ano, pela empresa Moto Honda, com caráter perpétuo”.

O Sipam planeja fazer um acompanhamento contínuo do desmatamento na área urbana de Manaus. No próximo ano, serão analisadas as imagens de satélite referentes a 2005 e 2006.

Agência Brasil

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