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Remoção de presos estrangeiros dos EUA leva à tortura, diz jornal

A CIA [agência de inteligência americana] adotou uma política de transferência de prisioneiros estrangeiros para seus países de origem que tem sido duramente criticada por entidades de direitos humanos porque há relatos e indícios de que os presos estariam sendo torturados, informou nesta quinta-feira o jornal “The Washington Post”.

Os transferidos geralmente são aqueles acusados de terrorismo, presos em locais como a baía de Guantánamo, em Cuba. Uma reportagem da rede de TV CBS, exibida na semana passada, informava que a CIA mantém um avião secreto para enviar os suspeitos a países como Jordânia, Afeganistão, Marrocos, Iraque, Egito e Líbia.

Depois dos ataques de 11 de Setembro, a CIA enviou mais de cem pessoas para outros países, e não seguiu nenhum procedimento legal, além de negar acesso às informações ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

A cada transferência, a CIA faz um acordo verbal com o governo do país para onde o preso será enviado, assegurando que nenhum tipo de tortura será realizada. O problema é a agência não tem como controlar o que acontece com esses presidiários, após deixarem os Estados Unidos.

Muitos presos têm relatado situações de tortura após serem enviados a seus países, muitas vezes secretamente, sem o conhecimento de advogados ou familiares.

Torturado

“Nós não aceitaríamos fazer uma promessa para violá-la depois”, afirmou o Embaixador do Egito nos EUA, Nabil Fahmy, que negou a prática de tortura durante os interrogatórios.

Mas o egípcio Mamdouh Habib, que tem cidadania australiana, afirmou ter sido torturado por seis meses no Egito após ter sido enviado pela CIA ao país. Ele foi preso no Paquistão, em outubro de 2001, acusado de ter ligações com a Al Qaeda, a rede terrorista comandada por Osama bin Laden.

Ele acusa seus carcereiros egípcios de terem enchido a cela de água até o queixo para obrigá-lo a ficar horas nas pontas dos pés. Ele foi agredido com chutes, e soldados também o teriam espancado com pedaços de pau.

Também disse que foi preso com ganchos na parede da cela, com os pés ligados a eletrodos que recebiam corrente elétrica. Quando Habib não respondia as perguntas, recebia uma descarga de eletricidade.

Bush

O programa de transferências é amplamente apoiado pelo presidente George W. Bush, que declarou, nesta quarta-feira, que a retirada desses homens do país “é vital para a defesa da nação.”

“Depois do 11 de Setembro, os Estados Unidos precisam se assegurar que o povo está protegido de qualquer ataque. A única forma de se fazer isso é prendendo suspeitos, e os enviando de volta a seu país de origem”, afirmou o presidente.

Segundo o jornal, um funcionário do governo americano que visitou as prisões estrangeiras depois de 2001, afirmou que “as práticas de interrogatório usadas nesses lugares seriam ilegais nos EUA.”

As contradições sobre a eficácia do programa de transferências levaram o Congresso americano a pedir uma investigação. Países como Canadá, Suécia, Alemanha e Itália já iniciaram as investigações sobre as possíveis participações de seus serviços secretos no programa da CIA.

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Gazeta Admininstrator
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