DESDE 1994 SERVINDO À COMUNIDADE BRASILEIRA NOS ESTADOS UNIDOS.

Breaking news

Quem quer morar em uma quitinete?

Share

kitnetUma quitinete? Será que essa palavra existe mesmo? Estou me referindo àquele apartamento conjugado, em geral pequeno, muito comercializado em grandes cidades.
Alguns vão dizer: mas a grafia correta é “kit-net”. E as dúvidas começam.

Você, brasileiro que mora nos EUA, prefere qual grafia: kit-net ou quitinete? Qual forma está correta?

Para responder a essa questão, vamos fazer uma breve análise. Veja a imagem ao lado. É um anúncio de apartamentos na cidade de Ilha Grande, uma ilha do litoral brasileiro, no oeste do estado do Rio de Janeiro, próxima ao município de Angra dos Reis.

No anúncio, está escrito “kit-net” para identificar os apartamentos disponíveis no imóvel. Será, portanto, que “kit-net” é uma grafia adequada em Língua Portuguesa? Pesquisando em outros anúncios, encontrei também a forma sem hífen: “kitnet”

De acordo com o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e a maioria dos dicionários brasileiros, as formas “kit-net” e “kitnet” não são aceitas. A grafia apropriada, em Português, para um apartamento minúsculo, de cômodo único, é quitinete. Isso mesmo: QUITINETE. Pode até ficar estranho na hora de ler, mas é o correto de acordo com as regras do idioma.

Agora, vamos entender a origem do termo “kit-net” para saber qual o motivo de ele ser tão usado pelos brasileiros.

A palavra é proveniente do inglês. É uma junção de “kitchen” (cozinha) com “dinnete” (sala de jantar pequena). Assim, em inglês, temos “kitchenette”.

Mas, logo que o vocábulo chegou aos falantes de Português, foi aportuguesado para quitinete. As formas “kit-net” e “kitnet” são apenas uma alternativa popular para o uso do termo.

Um exemplo similar ocorreu com a consagrada fita K-7 que, na verdade, seria fita cassete. Dá pra lembrar ainda do delicioso “x-burger”, que seria cheeseburger.

O aportuguesamento das palavras é algo comum. Porém, em determinados casos, não é usado pelos falantes. Outro exemplo é o vocábulo aportuguesado “leiaute”. Diversos profissionais da área gráfica ainda escrevem e preferem o termo em inglês “layout”, mesmo com o Português já possuindo uma forma padronizada.

E o que dizer do “mouse”, aquele acessório que usamos no computador? Em Portugal, os falantes chamam de rato. No Brasil, a tradução não pegou. Fala-se “mouse”, igual ao inglês. E os dicionários brasileiros acompanharam o uso, ou seja, mantiveram a forma inglesa “mouse”.

Com todos os exemplos citados, eu pergunto a vocês: qual é a forma correta para usar uma palavra estrangeira no Português? Devemos usar os aportuguesamentos ou melhor ficarmos com os originais?

A resposta virá apenas com o tempo e o uso. É assim que acontece em praticamente todas as línguas, há séculos. O que precisamos é: entender o português normativo e respeitar o uso do registro de cada nação.

Baixe nosso app:

Comments

comments

Share

Tags: ,,

Rodrigo Maia
Rodrigo Maia
Graduado em Jornalismo, Radialismo e Letras, Rodrigo Maia é especialista em Língua Latina e mestre e doutor em Língua Portuguesa pela PUC-SP. Atua há 16 anos em redações de jornalismo, em grandes emissoras de TV. Atualmente é colunista da Rede Record e biógrafo na Companhia Editora Nacional (IBEP). Há 12 anos, ministra aulas de Língua Portuguesa na PUC-SP, na Faculdade Belas Artes e no Centro Universitário Ítalo-Brasileiro. Como pesquisador, atua no Núcleo de Apoio à Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa, na USP. Nos Estados Unidos, é membro da American Organization of Teachers of Portuguese. Participe! Mande suas dúvidas para o e-mail rodrigo@gazetanews.com. Quero fazer os textos dessa coluna de acordo com o que os leitores precisam e querem saber. Espero sua mensagem!
489