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Qual princesa você é? As três princesas e suas sombras.

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Branca de Neve, Cinderela e A Bela Adormecida: três princesas que toda menina idealiza. A boa, a submissa, a ingênua. Todas são perseguidas por um feminino mais velho e malvado.
A Rainha madrasta é invejosa cujo veneno é mata sua vítima; a pseudo-mãe é sem coração que maltrata a enteada fazendo-a trabalhar como uma escrava; e a bruxa má que se vinga por ter sido excluída prendendo a jovem no mundo dos sonhos.
Temos uma princesa boazinha e servil (Branca de Neve), uma trabalhadora e humilde (Cinderela), e uma terceira que vive no mundo das nuvens. Qual é a sua?

Branca de Neve representa a mulher que se identifica com o ser boa. Sendo boa, ela é também servil, sempre pronta a ajudar os outros. Se entristece pelo abuso dos outros, mas ela continua sendo boa, porque isso é motivo de orgulho e, na verdade, é uma exigência interior oriunda de profundezas que ela não ousa investigar.

Cinderela representa a mulher que no fundo acredita não ser merecedora (de dinheiro, respeito, reconhecimento, liberdade, etc.). Nasceu para sofrer. Assim, trabalha muito, faz além do que é preciso e do que seu corpo aguenta. Se sacrifica pelos outros, esgotando-se por anos e perseverando. Sua laboriosidade e capacidade de aguentar são seu orgulho.

A Bela Adormecida representa aquela mulher que vive no transe de um sonho, uma fantasia, uma quimera. Ela é leve, alegre e esquecida. Sempre “jovem”, ri de seus esquecimentos, pula de galho em galho e degusta essa liberdade que vem do não dar importância ao que é considerado importante, se achando ousada e alternativa.

Nenhuma das três princesas pode ser diferente porque elas escondem uma outra face que não podem encarar. Sua sombra é representada pela madrasta e bruxa que vive nas entrelinhas de sua “princezice”. A donzela, coitadinha e alegre, e a mulher madura, amargurada e má, são aspectos da mesma personagem. Viver de uma metade da moeda é privar-se do poder que a totalidade confere.

Por trás de Branca de Neve encontramos a Madrasta-Bruxa, cuja inveja é aquela da mulher madura que sofre pelo que perdeu: a juventude fresca e cheia de vida, ingênua e rica em potencialidades da moça.

Mas, além disso, há a inveja da dor profunda de ver o que outra pessoa é e é capaz de ser. A inveja é uma admiração ao contrário, diminui o valor que vê brilhando na vida alheia porque num nível profundo a invejosa se auto-exclui do que tanto deseja. Assim, a ingênua bondade da mulher Branca de Neve é, na verdade, uma forma de fugir do perceber-se bruxa invejosa, mas o que reprime aparece aqui e acola nos pequenos gestos, atitudes, olhares, palavras tão “suaves” quando venenosos.

Cinderela vive acorrentada à convicção inconsciente de ter nascido para ser submissa. A vida é sofrimento, vence quem trabalha duro. Uma mulher que se respeita é trabalhadora, e não reclama “à toa” (e se reclamar ninguém vai ouvi-la mesmo!). As cinderalas andam pelo mundo arrastando uma grande carga, nunca se concedendo repouso e diversão. Ela representa o lado da mulher moderna que sofre a vida de escrava que leva, mas não ousa questionar, apontar dedos, levantar a voz e mudar as regras do jogo. Afinal, quem é ela para fazer isso…?

A Bela Adormecida encontrou um atalho para ser feliz e evitar de assumir o lado difícil e contraditório da vida. Nasceu abraçando a cisão: a dimensão problemática da existência foi excluída. As consequências da injustiça psicológica cometida são visíveis na atitude de dondoca de Bela, que vive na superfície da vida sem perceber o dano que faz a si mesma e aos outros.

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Adriana Tanese Nogueira
Adriana Tanese Nogueira
Life Coach com training psicanalítico, filósofa, terapeuta transpessoal, terapeuta Florais de Bach, autora, educadora perinatal, fundadora da ONG Amigas do Parto, do Instituto de ensino à distância Ser e Saber Consciente e do ConsciousnessBoca em Boca Raton, FL-EUA. Contato: +1-561-3055321 - www.adrianatanesenogueira.org.
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