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Protestos contra profanação do Corão deixam quatro mortos no Afeganistão

Pelo menos quatro pessoas morreram e mais de 50 ficaram feridas quando a polícia do Afeganistão abriu fogo contra manifestantes durante um protesto violento na cidade de Jalalabad.

Milhares de pessoas saíram às ruas em cidades do leste do país nesta quarta-feira, indignadas com relatos de profanação do Corão, o livro sagrado dos muçulmanos, na Base Naval de Guantánamo, em Cuba. Em Guantánamo, os EUA mantêm presos combatentes da milícia extremista islâmica talibã e suspeitos de envolvimento com a Al-Qaeda, muitos deles capturados no Afeganistão.

Em Jalalabd, as manifestações tornaram-se caóticas. Na terça-feira, 2 mil estudantes haviam saído às ruas da cidade, cantando o slogan: “morte à América”. Nesta quarta-feira, a multidão cresceu. Cerca de 5 mil pessoas – estudantes e moradores da cidade – participaram.

– Não queremos a América. Não queremos Karzai. Queremos o Islã – gritavam.

Os manifestantes destruíram carros – dois deles da ONU -, invadiram lojas e atacaram as missões diplomáticas do Paquistão e da Índia. O gabinete do governador foi incendiado, e dois escritórios da ONU atingidos.

A polícia disparou várias vezes para dispersar a multidão.

– A polícia abriu fogo contra os manifestantes. Eles estavam destruindo a cidade – disse o chefe da polícia da província, Hazrat Ali.

Segundo testemunhas, a situação voltou ao normal durante a tarde.

Também houve protestos na província de Laghman – onde mil estudantes saíram às ruas. Na cidade de Khost, um pôster do presidente dos EUA, George W. Bush, e uma bandeira dos EUA foram queimados. Também houve relatos de distúrbios na província de Wardak, no sudoeste. A capital, Cabul, permaneceu tranqüila.

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, disse que o resultado das manifestações demonstra a incapacidade da polícia e do Exército de lidar com situações violentas.

– Os acontecimentos demonstram duas coisas: que o Afeganistão é uma democracia onde o povo pode se expressar e que as instituições como a polícia e o Exército não estão preparadas para fazer frente a protestos e manifestações – disse Karzai, numa entrevista coletiva na sete da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), onde pediu mais ajuda na reconstrução das instituições afegãs.

Segundo a “Newsweek”, como parte das estratégias para aumentar a pressão sobre os prisioneiros de Guantánamo para arrancar informações, interrogadores americanos jogaram na privada cópias do Corão. Autoridades militares americanas disseram que estão investigando o incidente.

Cerca de 500 pessoas detidas no Afeganistão durante a guerra deflagrada após os atentados de 11 de setembro de 2001 foram levadas para a base de Guantánamo. Eles não foram formalmente acusados de qualquer crime e a maioria não tem acesso a advogado.

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Gazeta Admininstrator
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