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Proposta agrícola européia é infeliz, diz Amorim

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, classificou de “muito infeliz” a declaração de Peter Mandelson, o comissário de comércio da União Européia, que condicionou o corte dos subsídios pagos aos produtores agrícolas europeus à abertura do mercado dos países em desenvolvimento para produtos industrializados e serviços.
Amorim participa nesta quarta-feira em Genebra de negociações com representantes de União Européia, Estados Unidos, Índia, Austrália e Estados Unidos. O objetivo da reunião é tentar destravar os impasses nas negociações comerciais antes da cúpula da Organização Mundial do Comércio (OMC), marcada para dezembro em Hong Kong.

Para o chanceler brasileiro, antes de avançar as negociações para outras áreas, é preciso haver avanços nas discussões para o setor agrícola. “Nosso entendimento é que será muito útil que nos concentremos no que viemos fazer aqui, que é discutir a agricultura”, disse Amorim em uma entrevista coletiva em Genebra antes do início da reunião.

Cortina de fumaça

Amorim, que é o coordenador do G20 (grupo de países emergentes), disse que estará atento a qualquer tentativa dos países desenvolvidos de “criar uma cortina de fumaça para evitar avanços na agricultura”. “Não podemos colocar o carro na frente dos bois”, disse.

“Não nos recusamos a discutir qualquer outra questão, claro, mas negociações reais nestas outras áreas só podem ser feitas quando tivermos uma idéia da forma como será o acordo para a agricultura”, afirmou Amorim. Segundo ele, “não há razões para adiar essas negociações ou as confundir, tornando as discussões menos objetivas ao incluir outras questões”.

A cúpula da OMC em dezembro deve reunir 148 países para um possível acordo para tentar incrementar o comércio internacional e reduzir a pobreza nos países em desenvolvimento.

Para Amorim, o fato de as negociações terem como objetivo o desenvolvimento significa que qualquer que seja o resultado das negociações os países devem se ater “ao que é mais benéfico aos países em desenvolvimento”.

Concessões

“Entendemos que pode haver alguma flexibilidade em outras áreas, mas esta é uma rodada de negociações para desenvolvimento”, disse Amorim. “Não é o caso de tentar concessões dos países em desenvolvimento e então ver o que podem fazer na agricultura. É o contrário.”

De acordo com o chanceler brasileiro, os negociadores não devem esperar dos países em desenvolvimento concessões iguais às que forem dadas pelos países desenvolvidos. “Há um princípio de proporcionalidade que foi aceito desde o início”, disse.

As negociações em Genebra devem terminar somente na quinta-feira.

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