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Portuguesando – Os crioulos de base portuguesa – Nosso Idioma

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Por Ângela Salvador Bruno*

A linguagem é o instrumento que usamos para expressar o que pensamos, o que sentimos e é o meio que usamos para comunicar. A linguagem é um organismo vivo, sempre em crescimento, sofrendo alterações, contaminações de vários géneros e empréstimos que ao longo dos tempos a enriquecem.

Cada língua está intimamente ligada aos acontecimentos históricos da própria região, aos povos que a conquistaram e a habitaram, e é assim que com a expansão marítima de Portugal do séc. XV e XVI que a língua portuguesa começa a chegar aos quatro cantos do mundo, influenciando a linguagem que outros povos usavam contribuindo de modo indelével para o nascimento dos crioulos de origem portuguesa. Este pequeno excerto, do meu estudo sobre línguas e dialetos, tem como objetivo mostrar aos leitores que a língua portuguesa foi e continua a ser falada nos mais remotos cantos do mundo através de vários crioulos que dela derivam, alguns praticamente extintos mas que, por vários séculos, deixaram um sinal importante e que fazem hoje parte do património lusófono.

Estes vestígios da língua portuguesa estão presentes em crioulos afro-portugueses como por exemplo no Angolar, no Forro ou Santomense, no Principense ou Anabonês, Fá d’Ambo, Kriol ou Kauberdianianu falados atualmente em África em palavras como “blanku” (branco), “tris” (três), “mininu” (menino), “papiá” (falar) ou “carru” (carro). Também encontramos palavras de origem portuguesa em antigos crioulos indo ou malaio-portugueses como o Kristi ou o Papiá Kristáng como são por exemplo no primeiro caso os vocábulos “almari” (armário) ou os números “doy”, “tre”, “kwat”, “Sink” e no segundo caso palavras como “sekola”, (escola) “keju” (queijo), “ôndi” (onde). Nos crioulos sino-portugueses, Patuá Macaense, podemos encontrar palavras como “cuza” (coisa), “quiança” (criança) e “papiaçam” (conversa/lingua) e finalmente nos crioulos luso–americanos palavras como “mujee” (mulher), “mi ta bon” (eu estou bem).

Para além de ser a base de muitos crioulos a língua portuguesa influenciou também, por empréstimo e contaminação de palavras, algumas línguas atuais como o japonês ou o tetum.\

Podemos concluir que a língua portuguesa, para além da importância crescente que está a adquirir nos mais variados âmbitos, das ciências ao ensino, devido ao envolvimento dos países lusófonos em várias ações estratégicas de promoção e difusão da nossa língua, algumas divulgadas no Plano de Ação de Lisboa, assim como em várias ações dos paises da CPLP que reconhecem cada vez mais a importância do “fenómeno Lusofonia”.

nosso idioma

*Angela Patrícia Luís de Oliveira Salvador Bruno, natural de Lisboa (1973),  licenciada em LLM pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, professora de língua portuguesa (PLE) no Centro linguístico Ateneo da Universidade de Cagliari e em várias escolas de língua deCagliari desde 2003.

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A AOTP é uma entidade sem fins lucrativos e não governamental criada por professores da Flórida em 2007. Está comprometida em valorizar e promover o ensino da língua portuguesa, orientar professores estrangeiros no processo de habilitação para lecionar nos EUA, assim como proporcionar atualização e aperfeiçoamento profissional.Para ler mais sobre a American Organization of Teachers of Portuguese, acesse www.aotpsite.org. Contato: nossoidioma@gazetanews.com
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