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Polícia usa força para retirar 10 mil de Nova Orleans

O prefeito de Nova Orleans, Ray Nagin, deu sinal verde à polícia local a usar de força para retirar cerca de 10 mil pessoas que permanecem na cidade e se recusam a deixar a região, apesar de 60% da área continuar atingida por enchentes.

Ontem foi detectada contaminação na água que cobre as ruas de Nova Orleans, causada por vazamento de combustível de veículos arrastados, além de resíduos fecais e de cadáveres, entre outras substâncias tóxicas.

Policial caminha pelo Quarteirão Francês, tradicional bairro de Nova Orleans

O superintendente da polícia de Nova Orleans, Edwin Compass, disse que os sobreviventes do furacão Katrina, que passou por Nova Orleans no último dia 28, serão retirados de suas casas mesmo que não queiram.

“Nós faremos de tudo para salvar essa cidade. Essas pessoas [os 10 mil que se negam a sair] não entendem que estão pondo suas próprias vidas em risco”, disse Compass.

Mas a cidade, que era conhecida como a terra do jazz e do Mardi Gras [dia de carnaval católico, comemorado principalmente em Nova Orleans] antes de ser devastada pelo Katrina a proporções vistas somente em países do Terceiro Mundo–, enfrenta outro problema: muitas das famílias que ainda têm de ser retiradas não têm parentes em nenhum outro Estado dos EUA.

Martha Smith Aguillard, 72, disse que está sendo induzida a sair do destruído Centro de Convenções de Nova Orleans contra a sua vontade. Segundo relatos da agência de notícias Associated Press, Aguillard resiste mesmo com um de seus pés bastante inchado, após ter pisado em um prego enferrujado, o que poderia lhe causar tétano. Apesar disso, ela resiste a embarcar em um helicóptero de resgate das vítimas.

“Eles me levam à força e não dão a menor atenção às coisas que digo. Eu nunca entrei em um helicóptero na minha vida, tampouco em um avião, e eu tenho 72 anos. Eu não quero experimentar isso agora”, diz Aguillard.

US$ 150 bilhões

Os prejuízos da passagem do furacão Katrina por Louisiana, Mississippi e Alabama já ameaçam chegar à soma dos US$ 150 bilhões, o que, segundo especulações, faz o governo americano pensar se realmente vale a pena reconstruir a cidade mais afetada pela tragédia [Nova Orleans] –por causa do alto custo e da vulnerabilidade da região em ser atingida por outros furacões.

Apenas para cobrir gastos com ajuda às vítimas do furacão, o presidente George W. Bush deve pedir ao Congresso americano cerca de US$ 40 bilhões.

Bush se reuniu nesta terça-feira na Casa Branca com líderes do Congresso –primeira reunião entre o presidente e os congressistas desde que o Katrina atingiu a costa do golfo do México.

“A burocracia não irá impedir que seja feito o trabalho que é necessário para a população”, afirmou Bush à imprensa, pouco antes da reunião.

Na semana passada, o Congresso aprovou um pacote inicial de ajuda de US$ 10,5 bilhões, a maior parte destinada à Administração Federal para a Gestão de Emergências (Fema) –agência federal encarregada de coordenar a resposta a desastres naturais.

Drama

Ontem um funcionário da Prefeitura de Nova Orleans –que não quis se identificar– informou à rede de TV americana CNN que a água das enchentes que tomaram conta de quase toda cidade está contaminada com a bactéria Escherichia coli, que pode provocar diarréia e até levar à morte.

06.09.2005/AP

Foto mostra a cidade de Nova Orlens à noite. Enchente ainda atinge 60% da região

A bactéria é proveniente dos dejetos humanos e animais. Desde a passagem do furacão Katrina pela cidade, os serviços de saneamento básico pararam de funcionar.

As enchentes em Nova Orleans foram provocadas principalmente pela parada do sistema de diques e drenagem da cidade –que está abaixo do nível do mar.

As águas chegaram a subir seis metros e estão muito contaminadas pelo lixo, restos humanos e cadáveres que ainda não foram retirados do local.

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