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Polícia seguiu homem errado após 1º ataque em campus, diz “NYT”

Novas informações divulgadas nesta quarta-feira apontam que a polícia do campus atacado na Virgínia seguiu o homem errado após o primeiro ataque na segunda-feira (16), um lapso que pode ter contribuído para as mortes de 30 pessoas na segunda ação.

As novas informações podem explicar o intervalo de duas horas entre os dois ataques a tiros.

As duas ações, que ocorreram em lados opostos do campus, tiveram início às 7h15 (8h15 de Brasília) em West Ambler Johnston Hall, residência estudantil que abriga ao menos 895 pessoas. Duas pessoas morreram. Duas horas depois, Norris Hall, edifício da engenharia, foi alvo de outro ataque a tiros. Outras 30 pessoas morreram, na maioria estudantes.

O sul-coreano Cho Seung-Hui, 23, estudante do último ano de Letras, foi apontado ontem pela polícia como autor dos ataques. Ele comprou munição e uma das duas armas que utilizou no massacre em março por US$ 571 em uma loja. Após a ação, ele se suicidou.

De acordo com o jornal americano “New York Times”, após a morte de dois estudantes –Emily Jane Hilscher e and Ryan Clark– policiais passaram a procurar Karl D. Thornhill, que era namorado de Hilscher, por suspeitar que ele poderia ser o autor do crime.

Segundo informações que constam no boletim policial, uma colega de quarto de Hilscher afirmou à polícia que Thornhill, que era estudante da Universidade de Radford, na mesma região, possuía armas de fogo em sua casa.

A testemunha disse ainda que a garota morta havia ido recentemente a uma academia de tiros com o namorado, o que fez com a polícia o considerasse suspeito.

No entanto, enquanto Thornhill estava sendo interrogado, a polícia foi informada a respeito do segundo ataque em Norris Hall, prédio da engenharia, que terminou com 30 mortos, deixando claro que o o homem errado havia sido detido e que o atirador estava à solta no campus.

Apesar dos novos dados, autoridades estaduais continuam a defender as ações da polícia do campus. John W. Marshall, secretário de segurança pública da Virgínia, afirmou que o presidente da universidade Charles W. Steger, e o chefe de polícia Wendell Flinchum tomaram “a decisão correta com base nas informações disponíveis naquele momento”.

Em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira, o governador da Virgínia, Timothy M. Kaine, afirmou que Steger pediu que um comitê seja estabelecido para investigar o massacre.

Hoje, Kaine disse à rede de TV americana CNN que indicaria Gerald Massengill, ex-superintendente da polícia estadual da Virgínia, para chefiar a investigação.

Armas

Cho utilizou duas armas –uma pistola Glock 9 milímetros e outra arma calibre 22 no massacre. A polícia também encontrou facas no corpo do estudante.

De acordo com John Markell, dono da loja em que Cho comprou uma das armas, o estudante entrou no local e comprou uma pistola Glock 9 milímetros e uma caixa de munição.

“Foi uma venda comum”, afirmou Markell, acrescentando que a venda foi feita em março. Ele parecia um garoto comum, não venderíamos a arma se ele parecesse suspeito”, afirmou.

O número de série da pistola foi apagado, mas a polícia americana rastreou sua origem por meio de uma nota fiscal encontrada na mochila de Cho.

“Descobrir que a arma utilizada foi comprada em minha loja foi algo horrível”, afirmou Markell.

Nesta terça-feira, uma carta encontrada pela polícia aparentemente indica que Cho premeditou a ação. No texto de várias páginas, ele se queixa dos garotos “ricos, festeiros e charlatões” da universidade e afirma que foram eles que “causaram a tragédia”.

Segundo o jornal “Chicago Tribune”, ele dava sinais de comportamento violento e fora do normal, tendo inclusive ateado fogo a um dormitório e assediado estudantes da universidade.

Críticas

O massacre suscitou críticas nos EUA e em vários países a respeito da venda livre de armas.

Em Sydney, o premiê australiano, John Howard, afirmou nesta terça-feira que os ataques foram reflexo da “cultura de armas” americana, que exerce impacto negativo na sociedade.

Howard, que pressionou sua liderança política a endurecer a lei de armas depois que um atirador matou 35 pessoas na Austrália, afirmou esperar que tragédias como a da Virgínia nunca mais sejam vistas em seu país.

“Nunca se pode garantir que estas coisas não irão mais ocorrer em seu país”, afirmou. “Nós tivemos um episódio terrível em Port Arthur há 11 anos, mas depois disso decidimos limitar o livre acesso às armas, que era uma influência negativa dos EUA em nosso país”, afirmou.

Na Índia, também houve críticas à cultura armamentista. “Não é apenas a questão de que um professor indiano foi morto. Isto está relacionado com as leis de armas americanas”, afirmou K. Subrahmanyam, ex-membro do Conselho de Segurança Nacional da Índia. “Não podemos fazer nada a esse respeito, aconteceu nos EUA. Eles têm que mudar suas leis”, afirmou.

Nesta terça-feira, o professor associado do departamento de ciência política da Universidade do Kansas Donald Haider-Markel, 39, disse em entrevista à Folha Online que duvida que o massacre suscite uma mudança nas leis americanas.

Vigília

No campus do Instituto Politécnico da Virgínia, uma multidão de estudantes fez uma vigília e acendeu milhares de velas na noite desta terça-feira para homenagear os mortos.

A esplanada central do campus, que fica próxima do edifício da engenharia, Norris Hall, onde morreram 30 pessoas, ficou repleta de estudantes pela primeira vez desde os ataques.

“Quero que os Estados Unidos e o mundo vejam esta expressão de apoio. Isto é amor”, afirmou Zenobia Hikes, vice-presidente para assuntos estudantis, ao abrir a cerimônia.

Feng Lee, 24, carregava um retrato de Julia Pryde, uma das estudantes mortas, que era sua colega de classe. “Estamos muito tristes, foi algo muito próximo de nós”, afirmou ela.

Entre os presentes havia também moradores da cidade de Blacksburg, de cerca de 40 mil habitantes, cujo centro é a universidade, que conta com cerca de 26 mil alunos.

“Tem sido horrível. Não tenho palavras para descrever o que sinto”, disse a estudante brasileira Deise Galan, 19, que é aluna do curso de Biologia.

Pouco a pouco, os alunos se dividiram em pequenos grupos. Alguns rezavam em círculos, outros cantavam, outros acendiam velas e colocavam flores em um altar improvisado.

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