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Pesquisa: Efeito estufa foi o responsável pelo grande poder de destriução dos furacões em 2005.

Pesquisa divulgada nesta terça-feira (27), realizada por dois climatologistas, apresenta informações concretas para aquilo que ambientalistas vinham tentando fazer desde o final do ano passado: culpar o aquecimento global pela temporada de furacões devastadores em 2005.

O estudo escrito por Kevin Trenberth e Dennis Shea, do Centro Nacional para Pesquisa Atmosférica dos EUA, calcula que ações humanas foram a causa de metade do aumento da temperatura média das águas do Atlântico Norte tropical (0,9º C). Foi esse o fenômeno que ofereceu combustível para eventos climáticos intensos, como o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em setembro do ano passado.

A pesquisa foi uma resposta dos autores a cientistas que se diziam céticos com relação ao papel térmico das emissões de dióxido de carbono nas temperaturas do Atlântico. De acordo com esse grupo, o aquecimento recorde das águas do Atlântico em 2005 se deveu a um fenômeno chamado oscilação multidecadal, um ciclo natural com períodos de 60 a 80 anos, ao final dos quais a água apresenta maior temperatura.

O estudo, publicado no periódico “Geophysical Research Letters” também descarta a hípotese de que efeitos colaterais do El Niño, o superaquecimento das águas equatoriais do Pacífico ao fim de cada ano, teriam sido os principais vilões térmicos dos furacões.

Teorias

Para contrapor essas teorias, a dupla usou cálculos relativamente simples. “Subtraímos a cota do aquecimento global do aumento da temperatura da superfície oceânica no Atlântico Norte, e com isso isolamos a contribuição da oscilação multidecadal e do El Niño”, disse Trenberth em entrevista para o jornal Folha.

O resultado da conta é que o aquecimento global, um produto das emissões de gás carbônico de origem humana, é responsável por metade (0,45º C) da temperatura extra que as águas do Atlântico tropical registraram em 2005. Efeitos do El Niño ficam com 0,2º C da cota, e a oscilação multidecadal com apenas 0,1º C, na estimativa menos conservadora.

Apesar da aparente simplicidade dos cálculos, os cientistas usaram grande quantidade de dados no estudo. Para definir um padrão de comparação com 2005, recorreram a um histórico de temperaturas oceânicas e dados climatológicos pelo período de 1900 a 1970.

A exemplo de qualquer trabalho que ameace a estratégia do governo norte-americano de atacar evidências contra a culpa humana pelo aquecimento global, o estudo de Trenberth já virou alvo de críticas.

Dessa vez, porém, os ataques parecem ser mais comedidos. “Alguns cientistas de furacão já começaram a fazer críticas, mas eles não me disseram nada sobre as informações no estudo”, diz Trenberth. “Eles parecem apenas não gostar do nosso resultado.”

Para o climatologista brasileiro Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o trabalho de Trenberth e Shea é “muito relevante” porque é capaz de quantificar os impactos do aquecimento global nos extremos climáticos.

“Eles fizeram simulações do efeito deste quase meio grau centígrado na intensidade do Katrina e chegaram à conclusão de que o vento máximo foi cerca de 7% mais forte”, diz Nobre. “As chuvas, ressacas e inundações foram maiores do que se a temperatura do mar não estivesse este antropogênico 0,5º C mais quente.”

Trenberth diz esperar que seu estudo ajude a estimular medidas para redução da emissão de dióxido de carbono, mas reverter a tendência de ocorrerem estações de furacões comparáveis à de 2005 será um processo demorado.

“Os oceanos perdem calor muito vagarosamente”, explica. “Por isso, o nível do mar e as temperaturas oceânicas devem subir lentamente pelos próximos cem anos, mesmo que se altere todas as emissões dentro de 50 anos.”

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Gazeta Admininstrator
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