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Pelé é diplomático sobre caso Grafite

O rei do futebol, Pelé, foi diplomático nesta segunda-feira ao falar sobre o episódio de racismo envolvendo o atacante Grafite, do São Paulo, mas se referiu à partida entre Brasil e Argentina, em junho, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006 como um jogo de risco e intranqüilo. Categórico, previu desdobramentos para o incidente, porém destacou que será um confronto no qual todo bom jogador gostaria de participar.

“Sempre houve uma grande rivalidade entre Brasil e Argentina. E imagina agora como vai ser. É claro que não vai ser uma partida tranqüila, mas esse é um jogo gostoso de jogar”, afirmou Pelé. “Esse é um jogo que queria estar lá dentro. Pode ter a certeza de que os árbitros e a Fifa vão ter que tomar precauções, porque essa pode ser uma partida perigosa.”

O maior jogador brasileiro de todos os tempos ainda recordou que já foi ofendido por diversas vezes em campo. Observou que em confrontos pela seleção contra Uruguaios, Paraguaios e argentinos e também pelo Santos ouviu provocações piores do que a feita por Desábato. “Já cansei de ouvir dos defensores: seu crioulo filho da mãe e outras coisas que nem posso falar aqui. Mas era coisa de dentro de campo. Não sei se podemos entender como racismo ou provocação”, salientou Pelé. “Isso me chateava tanto que ia e arrebentava com o adversário. Ganhar lá dentro da Argentina, depois de eles terem provocado, era uma alegria danada.”

Sobre a maneira como Grafite agiu no episódio, denunciando Desábato à polícia, Pelé foi diplomático ao comentar que o ato tem o seu valor para inibir atitudes semelhantes. E ao mesmo tempo não escondeu a descrença de que as agressões verbais terminarão. “Talvez tenha sido uma coisa boa para que se coibisse. Mas, isso não vai acabar. No calor da disputa vão falar mesmo. E mesmo jogadores brasileiros, no desabafo, também me xingavam”, lembrou Pelé. “Isso não pode extrapolar para fora do campo. O problema da delegacia não foi o caso. O erro do Grafite foi se deixar levar pela provocação, dar um tapinha no rosto dele e ser expulso. Nunca fui expulso por revidar.”

Sobre a postura do Brasil ante o racismo, Pelé lembrou que o país, há muito, se tornou um exemplo ao colocá-lo para atuar na seleção que disputou a Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Destacou que naquela época se assustou ao perceber que não existiam negros em equipes européias. “O Brasil no sentido cultural mostrou ao mundo que o futebol precisava ser um encontro de raças, sem maldade. Quando comecei jogando na seleção em 1958 fiquei assustado porque nas outras equipe não via negros”, relatou Pelé. “E hoje o negro está em todas as seleções do mundo. O Brasil abriu as portas para nós.”

Descontraído, Pelé ainda apontou Santos, São Paulo e Corinthians como os favoritos ao titulo do Nacional de 2005, durante sua ida nesta segunda-feira à noite à Escola de Magistratura do Rio de Janeiro para participar de uma exibição do documentário sobre sua vida. Também louvou a atitude da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), de homenagear um recente desafeto, Romário, no confronto da seleção contra a Guatemala, dia 27, e exclamou: “se bobear, do jeito que o baixinho tem sorte, vai meter um gol lá”.

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Gazeta Admininstrator
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