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Para quem anda envergonhado, difícil mesmo é ser brasileiro no Brasil

Domingo, 11 da manhã. Recebo um e-mail da sempre guerreira Adriana Sabiano que, entre várias questões referentes a nosso incansável trabalho pela cultura brasileira nos Estados Unidos, me questiona sobre esse momento, tão triste, tragicômico (como sempre, nossa marca registrada) em que está mergulhada a Nação brasileira.

Muito papel e tinta têm sido gastos nas últimas semanas para tentar reportar ou decifrar o lamentável “imbroglio” em que se meteu a classe política brasileira, o Partido dos Trabalhadores e em última análise, o presidente da República, Luis Inácio “Lula” da Silva.

Para todos os que, como eu, Adriana e muitos outros, que apostamos e trabalhamos em função de ressaltar no exterior o que de melhor existe em nossa Pátria e no ser brasileiro (arte, cultura, humor, capacidade criativa, generosidade, etc, etc), toma de assalto a constatação do quanto é difícil explicar o perene enigma verde-amarelo: porque um país tão grande, tão rico, com um potencial que nenhum outro país tem, vive mergulhado na mais lamentável crise de injustiça social, falta de credibilidade e amor próprio?

E aí vem a lamentação, para muitos inevitável, em reconhecer que talvez estivéssemos “dando murro em ponta de faca”. Como se o castelo de cartas de baralho, que leva horas, dias para ser erguido, seja contínuamente derrubado pelo sopro da ignorância, corrupção, maus exemplos generalizados e, acima de tudo, clima de “vale tudo” que se instalou em nosso país já há cerca de duas décadas.

Como todo ser humano diante de um quadro de alarme e desespero, todos procuramos uma “tábua de salvação”, um elemento ao qual se agarrar para não só engolir as mágoas a seco e encontrar forças para seguir adiante, acreditando nos princípios que regem a nossa vida.

Pensei muito até chegar ao ponto de decidir que esse seria um assunto importante e talvez interessante a muitos dos leitores do Gazeta. Divaguei por inúmeras alternativas e me coloquei em situações-limite. Vislumbrei exemplos como os de Tancredo Neves, Ulysses Guimarães, Irmã Dulce, Teotônio Vilela, e muitos outros brasileiros que servem sempre de referência de renúncia, amor à Pátria e compromisso com o serviço público.

Mas todos esses exemplos, inclusive a verdadeira santa não-canonizada, Irmã Dulce ( que me perdoem os fãs do Papa João Paulo II, sem desmerecer sua santidade, merecia há muito tempo ser canonizada em regime de urgência-urgentíssima), não encaixam perfeitamente no perfil do personagem que eu desejo encontrar.

Esse personagem teria que ter um perfil assombrosamente comum, singular.
Esse personagem não é um indivíduo, é uma coletividade.
Essa coletividade se chama POVO BRASILEIRO.
É o povo brasileiro que apesar de não estar preparado para votar corretamente e como conseqüência acaba levando ao poder toda sorte de crápula e oportunista que se apresenta no tétrico-hilário “espaço eleitoral gratuito da TV”. Segue acreditando que a única resposta possível é também a melhor resposta: seguir em frente, rindo da própria tragédia e esperando a nova oportunidade de luz no fim do túnel.

Oportunidade que foi vista e nos foi negada em Tancredo;
Oportunidade que nem os mais alucinados puderam acreditar que viria com Sarney;
Oportunidade que os mais ingênuos vislumbraram em Collor;
Oportunidade que voltou a nos virar as costas com Itamar;
Oportunidade que virou brinquedo ilusório nas mãos de Fernando Henrique;
Oportunidade que parecia ter finalmente caído do céu nas mãos calejadas de Lula
Oportunidade que, hoje se sabe, ainda está por vir.

Mas o povo brasileiro aprendeu e segue aprendendo, não se iludam.
Lula foi – e mesmo com toda essa lama parta muitos ainda continua sendo – uma prova de que o povo e da Democracia brasileira têm muita chance, são reais e querem mudar.

O povo pode até ficar tão desencantado com o que está vendo, que pode até, por puro masoquismo, colocar um Garotinho ou um Serra na presidência. O aprendizado vai continuar, a busca pela oportunidade seguirá viva. Não importa as peraltices que um garotinho ou os oportunismos marqueteiros que um Serra possam fazer.

Nós brasileiros que vivemos nos Estados Unidos e que acompanhamos de perto tudo o que acontece de importante no Brasil, devemos nos espelhar justamente nesse exemplo de resistência do povo brasileiro, que vive em nosso país.

Para cá viemos pelas mais diferentes razões e motivações, e cada um à sua maneira e aproveitando à sua forma o mundo de oportunidades que nos dá a nação norte-americana, devemos encontrar ainda mais encorajamento e orgulho, na luta e na saga do povo brasileiro.

Aqui trabalha-se muito. Mas os frutos desse trabalho sempre aparecem. A recompensa vem e com ela a certeza de que vale a pena respeitar a lei, seguir as regras e jogar o jogo do “american way of life”, com todos os defeitos e imperfeições que ele tem.

No Brasil, trabalha-se muito também. Mas o povo brasileiro ainda luta e sonha por uma nação que lhe garanta direitos, cuja Lei seja soberana, e as lideranças nacionais tenham um mínimo de decência e amor à Pátria.

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Gazeta Admininstrator
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