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Para estrangeiros, corrupção inibe criação de emprego

O efeito das denúncias de corrupção na percepção que executivos de empresas estrangeiras têm sobre o Brasil faz com que o país deixe de receber mais investimentos e perca a oportunidade de gerar mais empregos, melhorar sua infra-estrutura e expandir a economia nacional.
“Se você não está pagando ‘quinzinho’, você está investindo em empregar mais pessoas, investindo em novas tecnologias etc.”, disse à BBC Brasil um estrangeiro ligado a multinacionais com negócios no Brasil que pediu para não ser identificado.

“Com a corrupção, os que têm menos e dependem mais da infra-estrutura do governo recebem menos e pior. Isso implica que a desigualdade fica pior.”

Executivos de multinacionais ouvidos pela BBC Brasil também citaram as denúncias de irregularidades em processos de licitação no país como um problema que inibe uma presença maior de empresas estrangeiras no Brasil.

“Todo mundo quer competir em um terreno igual. Quando há um processo manipulado por corrupção, isso dá menos habilidade para competir, particularmente para uma empresa estrangeira, que já entra com uma certa desvantagem de não ser nativa”, diz o representante de uma multinacional com negócios no país.

Imprevisibilidade

O economista Roberto Teixeira da Costa concorda que a possibilidade de uma empresa ter sua capacidade de competição afetada pela presença de concorrentes que disputam o mercado de forma pouco transparente é um “fator de inibição” para empresas estrangeiras no Brasil.

Fundador da Prospectiva Consultoria e membro do conselho administrativo de empresas brasileiras e multinacionais, Teixeira da Costa faz, no entanto, uma distinção entre as companhias que já têm negócios no Brasil e as que ainda planejam investir no país.

“As empresas que estão no Brasil há muitos anos realmente convivem com crises, com ambientes às vezes perversos para operar, mas elas olham a médio, longo prazo”, afirma o economista.

“Agora, para outras empresas que estão planejando investir no país, realmente um cenário onde campeia a corrupção é um cenário que causa alguma apreensão.”

Para Roberto Teixeira da Costa, a corrupção é “um fator que abala os alicerces da economia de mercado” e cria um cenário de imprevisibilidade, que incomoda os executivos de multinacionais.

“Importa muito ao investidor estrangeiro que ele tenha uma segurança de que aqueles que vão governar o país vão respeitar as regras do jogo”, diz o economista. “Isso é um fator preponderante na decisão dele de investir.”

Ineficiências

Apesar de reconhecer os danos causados pela corrupção, o diplomata Rubens Barbosa, que presta consultoria a empresas nacionais e estrangeiras e já foi embaixador em Londres e Washington, discorda da idéia de que o problema seja um elemento decisivo na decisão de uma empresa de investir ou não no Brasil.

“O problema da corrupção, que é uma coisa lamentável, existe em todo o lugar. O Brasil não é o mais corrupto dos países”, afirma o diplomata. “Na maioria das empresas européias e americanas, esse é um dos fatores que conta, mas não é o decisivo para decidir se vai fazer um investimento aqui ou não”.

Barbosa avalia que as multinacionais estão cientes dos problemas que existem no país, se preocupam com a corrupção e incluem o assunto em uma lista de ineficiências que levam em consideração na hora de calcular o custo do investimento no país.

“Esses problemas todos no Brasil, o problema político, a corrupção, a (falta de) segurança, tudo isso está incluído no custo do investimento que vem para cá”, avalia o diplomata.

Barbosa argumenta que a maioria das multinacionais têm que cumprir regras que impedem a oferta de dinheiro de forma irregular em troca de vantagens ilícitas.

“As empresas americanas que vêm para cá têm um código de conduta muito rígido e elas não entram em maroteiras por aí porque, se esse negócio é descoberto, elas pegam cadeia lá nos Estados Unidos”, diz o diplomata.

Na opinião de Barbosa, apesar dos danos causados pelas denúncias de corrupção do Brasil, os negócios no país não têm sido afetados pela atual crise política e um sinal disso é o aumento de 79% dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil em 2004.

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Gazeta Admininstrator
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