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Pais de Terri Schiavo recorrem contra decisão de juiz federal

Depois de ser julgada por tribunais estaduais, ganhar uma dimensão política, sofrer interferência do Congresso americano e, devido a isso, chegar à um tribunal federal, a disputa entre o marido e os pais da americana Terri Schiavo, de 41 anos, há 15 em estado vegetativo, está agora nas mãos da Corte de Apelações de Atlanta. No início da manhã de hoje, o juiz federal James Whittemore negou o pedido da família para religar a sonda que foi retirada na sexta-feira. Horas depois, os advogados que representam os pais da americana recorreram à Corte de Apelações, que até a noite de hoje não tinha se pronunciado.

Se não for religada, Terri morrerá de fome e de sede dentro de alguns dias. No entanto, segundo médicos, ela não sentirá dor no processo, pois a região do seu cérebro responsável pela consciência, sentimentos e sensações ficou sem oxigênio e foi totalmente destruída após a parada cardíaca que ela sofreu, provocada pela queda de potássio no organismo.

A negativa da Justiça, além de prolongar a indefinição do caso, representou também uma derrota para os republicanos, que organizaram uma armação política para aprovar às pressas, entre a noite de domingo e a madrugada de segunda-feira, uma lei que permitiria aos pais levarem o caso que estava na esfera da Justiça estadual para a federal. A interferência foi considerada por muitos advogados e analistas americanos como inconstitucional e feita para conquistar os votos de grupos católicos conservadores.

A medida foi também condenada por 70% da população, de acordo com uma pesquisa divulgada ontem pelo jornal The Washington Post e a rede de televisão ABC. Hoje, outra pesquisa, feita pela empresa Gallup para o jornal USA Today e para a rede de televisão CNN revelou que 56% dos entrevistados aprovam a retirada da sonda, contra 13% que defendem o contrário. O resto não quis opinar.

A argumentação do juiz federal para negar o religamento da sonda segue uma linha de raciocínio semelhante à dos advogados que criticaram a nova lei. Em um documento de 13 páginas, ele afirmou que “a corte conclui que a vida e os interesses de Terri Schiavo estiveram protegidos de maneira adequada no extenso processo julgado pelas cortes estaduais”. No texto, ele afirma também que a família de Terri não conseguiu levantar nenhuma evidência de que seu estado é reversível.

O presidente George W. Bush, que pela primeira vez retornou mais cedo de suas férias para assinar uma lei, lamentou a decisão judicial. “Queríamos uma sentença diferente”, disse o porta-voz da Casa Branca. “Esperamos que o caso tenha um final diferente no processo de apelação”, acrescentou.

Enquanto isso, o marido e guardião legal de Terri, Michael Schiavo, que há sete anos luta para ela ter a sonda retirada, alegando que ela tinha expressado em vida o desejo de não viver artificialmente, preferiu não comentar a decisão e continuar acompanhando o processo, que pode chegar à Suprema Corte dos Estados Unidos. Até agora, ele tem obtido o apoio de todas os tribunais pelos quais o caso passou.

Os pais da americana, no entanto, esperam uma mudança na Corte de Apelações. Eles fizeram hoje um apelo público, dizendo que não há muito tempo para salvar sua filha. Grupos contrários ao desligamento também manifestaram, passando o dia segurando cartazes e fotos em frente ao hospital aonde ela permanece internada.

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Gazeta Admininstrator
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